Azul

Ir em baixo

Azul

Mensagem por Tomate em Qui 08 Fev 2018, 14:47

Neste pequeno conto sobre uma paulista da Zona Norte, será retratado sobre a vida e morte de Azul. Uma menina que nasceu, viveu e morreu tentando espalhar amor.
Espero que gostem. Será uma história curta e, com certeza, terá início, meio e fim. Boa leitura!

Prólogo


Última edição por Tomate em Qui 08 Fev 2018, 14:48, editado 1 vez(es)
avatar
Tomate
"Lerei"

Mensagens : 67
Data de inscrição : 15/02/2016
Idade : 20
Localização : São Paulo

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Prólogo

Mensagem por Tomate em Qui 08 Fev 2018, 14:47

Azul merece mais do que uma história sobre ela, sempre mereceu. Azul sempre mereceu uma vida digna e cheia de amor. Mas naquele momento, Azul apenas nascia ao mundo sem uma mãe e com um pai esperando-a com lágrimas e se pensando “como cuidarei dela? ”.

O choro da nenê invadiu o quarto da maternidade no quarto 101. Azul demorou muito para chorar e a mãe demorou mais ainda para morrer. Conseguiu ver um pouco de sua filha, aquela cor escura do pai e, que se o seu Deus quisesse, teria a inteligência dela e não do pai. Sentiria falta dele, sem dúvidas, mas não conseguiria se despedir. Logo ela, quem sempre se despediu antes de dormir, dando boa noite, desligando o celular e sabia que no bairro ao lado ele rezava por ela.

Foi por isso que rezou por mim, Leandro? Ah, Deus... Cuide de nossa filha, pensou antes de fechar os olhos pela última vez.

Sempre pensou que veria sua vida correndo pelos olhos antes da escuridão eterna, mas achou que ao dar a vida por uma vida isso não aconteceria. Ficou feliz que não acontecesse. Sua vida tinha sido bem ruim e naquele momento a melhor parte dela estava naquele bebê. Fechou os olhos quando ela chorou. Sabia que ficariam bem.

Leandro desesperou ao ver as mãos da amada se afrouxarem as suas. Ele as apertou, como se pudesse reviver a sua mulher. Os médicos o tiraram do quarto como se ele fosse algum tipo de criminoso que tinha roubado um banco. Queria apenas ver sua mulher, sentir o seu coração e vê-la acordando. Tentou empurrar os enfermeiros com todas suas forças, mas não conseguia. Eram mais fortes. Do lado de fora da sala viu que tentavam reanima-la. Um enfermeiro o tirou dali. Sentou-se em um banco e pôs-se a chorar. As complicações do parto eram sabidas por ambos, mas não sabia que chegaria naquele nível.

A próxima hora foi pior do que antes. A sua bebê ficaria em uma UTI pós-natal e sua esposa... aquilo foi o pior, a sua amada esposa tinha ido. O médico tinha dito para ele que ela não tinha resistido ao parto. Tentou dizer o que sua esposa falou em seus últimos momentos, mas Leandro não quis escutar. Saiu até a porta da maternidade, acendeu um cigarro, o cigarro que tinha comprado solto para comemorar o nascimento da sua filha e agora estava fumando para não pensar em ser um segundo morto da noite.

A fumaça invadiu seus pulmões junto com seu choro e soluços fortes. Nunca se sentira tão só como naquela madrugada fria, em uma segunda feira.

Madrugada fria, coração quente e azul. Segunda feira, vinte e sete de julho, nascia Azul. Sem mãe, mas com um amor que valia por duas.
avatar
Tomate
"Lerei"

Mensagens : 67
Data de inscrição : 15/02/2016
Idade : 20
Localização : São Paulo

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Voltar ao Topo

- Tópicos similares

 
Permissão deste fórum:
Você não pode responder aos tópicos neste fórum