Prólogo dos Mundos Anômalos

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Prólogo dos Mundos Anômalos

Mensagem por Thear em Sab 13 Jan 2018, 08:19

Isso é o prólogo que por si só terá múltiplos capítulos. É o prólogo de um projeto maior que eu talvez só inicie de fato alguns anos adiante. Não escrevo em prosa faz anos, e não é bem meu forte, mas espero que pelo menos consiga atiçar a curiosidade das pessoas.


Prólogo dos Prólogos


Em meio a uma vasta floresta, havia uma clareira. E nessa clareira, estavam reunidos os animais da floresta. Centenas de coelhos, ursos, cervos, raposas e muitas outras espécies aglomeradas em circulo observando o que ocorria no centro: um sapo era julgado por um gorila, uma coruja, e um puma; os juízes da floresta.

- Vafi, o Sapo. - anunciou o gorila, no meio - Você se encontra perante esse tribunal acusado de enganar uma família de pombos e leva-los a inadvertidamente iniciar um incêndio que poderia ter se espalhado destruído toda a floresta. Teria causado milhares de vitimas entre o Povo da Mata! Mesmo tendo sido contido rapidamente, o incêndio ainda destruiu as moradias de alguns coelhos e uma família de águias que, alias, esta reivindicando uma indenização aos juízes do Povo da Mata. O que tem a dizer em sua defesa? Como pode justificar seus atos?

- Jemo, Gallel, Pema. Sábios juízes da floresta. Eu posso explicar! - o sapo respondeu, aflito – Foi uma exigência do Espirito do Fogo! Ele ameaçou queimar toda a floresta, mas disse que teria piedade se eu fizesse uma oferenda. Ele disse que um sinal de submissão bastaria para que ele nos poupasse.

Múrmuros e sussurros, e alguns risos contidos correram entre os animais que assistiam. O juiz coruja, Gallel, olhou para a audiência com certa irritação, tentando identificar quais os responsáveis pelo ruído. O Povo da Mata se silenciou sob seu olhar.

- Suas mentiras são conhecidas por nós, Vafi – disse Pema, a Puma – Você frequentemente afirma ter contato com os Espíritos das Terras Ermas. Você conheceu o Espirito do Vento, venceu o Espirito das Flores num jogo de charadas, e até mesmo almoça com a Mãe dos Rios todos os domingos. No entanto, ninguém mais viu esses espíritos com você. O que todos vem é que você esta sempre dormindo em vez de cumprir suas funções, e com certeza não lhe sobra tempo para todos esses encontros excepcionais com os ...

- Mesmo que tudo seja verdade, jovem tolo – interrompeu Gallel, com impaciência – É sabido que o Espirito do Fogo é traiçoeiro, desonesto e impiedoso. De que vale um acordo com ele? Como tens a confiança que ele não queimaria a floresta toda de qualquer forma após rir de sua fútil oferenda?

- Ele não é desonesto, ele de fato precisa de oferendas – respondeu Vafi, quase ofendido – E sim, eu confesso que menti sobre todos os meus outros encontros com os Espíritos Ermos, mas eu conheci mesmo o Espirito do Fogo, e eu posso provar!! - agora sua voz já ia em direção ao desespero

O Povo da Mata riu e sussurrou novamente. Dessa vez Gallel os ignorou. Os três juízes pareciam curiosos ante as ultimas palavras de Vafi.

- Certo. Prove então – disse o gorila Jemo – estamos ouvindo.

Centenas de metros acima da cena toda, flutuava um homem pálido de cabelos brancos, com o corpo coberto do ombro para baixo numa capa azul. Ele observava tudo com a cabeça inclinada para um dos lados e uma expressão de tédio.

- O Julgamento nas Chamas novamente? -  disse uma mulher, pouco antes de se materializar do ar ao lado do homem de azul – É uma das suas mais antigas. Até eu já vi todos os finais dessa estória, Basara. São treze diferentes, certo? Parece que você realmente ficou sem ideias.

A mulher tinha cabelos e olhos negros e estava em um vestido verde justo, de seda, com ornamentos florais, mas também usava uma capa vermelha presa aos ombros, muitas vezes mais longa que o próprio corpo e que também flutuava atrás de si, como se erguida pelo vento. Seu nome era Ulthear, e o homem de azul já esperava que ela fosse a primeira a chegar.

Ela cruzou os braços, flutuou para o lado de Basara, e passou a observar de queixo erguido a cena que prosseguia no tribunal da floresta.

- São dezessete finais, na verdade, você não viu todos -  disse Basara – Mas tu estais certa, eu estou sem idéias. É disso que se trata meu chamado.

- Suponho que sua mente desocupada teve alguma ideia sobre nosso próprio observador?

- Eu... acho que tive...

- Não arruíne a surpresa. Quero ouvir com os demais. Depois do que disse eles devem chegar logo.

Ela estava certa. Os Irmãos não podiam ler os pensamentos uns dos outros ou sentir as emoções que os outros sentiam, mas podiam a qualquer momento acessar os sentidos físicos um do outro. Também podiam se comunicar telepaticamente de qualquer parte do universo, o que significa que nunca se reuniam todos pessoalmente a menos que fosse uma ocasião muito importante. O chamado de Basara chamou a atenção de todos, e o que ele acabara de dizer à Ulthear garantiu que chegassem logo.

E chegaram. Todos de uma vez. Rankay, Aliori, Lyserin, Maureen e Praut. Contando Ulthear e Basara são sete no total. O maior número de Irmãos que já houve simultaneamente, mas muitos que um dia existiram estavam agora mortos. Novos Irmãos surgiam e morriam no decorrer da eternidade, e ao lembrar disso Basara se perguntou se jamais veria Aliori pessoalmente depois desse dia.

Ninguém disse nada, todos preferiram assistir ao final do julgamento que se passava na clareira abaixo. Vapor parecia estar saindo do pequeno corpo do sapo, e os demais atuais tinham olhares preocupados.

- Por favor, vocês precisam acreditar! É verdade! -  gritou o sapo, desesperado e começando a se debater – Ele confiou em mim, o Fogo confiou em mim e eu confiei nele!!

- Ele foi amaldiçoado! - gritou o gorila Jemo para o Povo da Mata – Saiam daqui todos! Corram!

Levaram vários segundos até que a paralisia do medo fosse substituída por uma debandada em panico. Todos os animais corriam para dentro da mata, para longe do sapo. Os ursos e cervos esmagando coelhos e raposas em seu caminho. Em seu voo cego e descontrolado, várias aves e morcegos colidiam contra arvores ou outros animais voadores e caiam no chão, onde também eram pisoteados. Todos já estavam sentindo o calor que emanava do sapo.

- Eu confiei nele! Eu confiei em você, Fogo! - gritou o Vafi, em agonia absoluta conforme seu corpo cozinhava por dentro e emanava calor – Aarrgh!!

Mas ele não morria, por mais dor que sentisse e por mais que seu corpo se destruísse. Muitas árvores já estavam agora queimando e a fumaça começava a cobrir a floresta, a maioria dos animais que sobrevivera ao pisoteamento agora estava desmaiando e morrendo pelo calor anormal.

Em questão de minutos o fogo já se havia se espalhado por quase toda a floresta. E o sapo, ainda queimando e gritando, já emanava tanta luz a ponto de parecer uma pequena estrela. Logo ele seria o único sobrevivente do Povo da Mata.

Muito acima, flutuando, os Irmãos ainda observavam. Ulthear, Lyserin e Praut pareciam chocados. Rankay e Maureen estavam se divertindo. Aliori permanecia apático, e Basara tinha lagrimas nos olhos.

- Eu definitivamente nunca havia visto esse final – disse Ulthear, enquanto sua expressão de choque aliviava para uma de mera surpresa

- Eu já -  disse Rankay, animado. Era um homem magro de cabelos castanhos, roupas simples de couro e mãos cobertas de bandagens – É o meu favorito

- É a alternativa mais recente do final de Julgamento nas Chamas, apesar de já existir faz alguns milhares de anos -  explicou Basara – Como podem presumir, Rankay e Maureen me ajudaram um pouco nesse.

- Obviamente. Típico de vocês pensar que o fator do choque acrescenta alguma coisa a uma estória – disse Praut, um homem grisalho e de barba curta, que aparentava mais idade que os demais, e se vestia com uma camiseta branca de algodão e uma bermuda esportiva de nylon – Ou pensar que substitui um final decente em uma narrativa. Basara, não perca seu tempo tentando consertar essa merda. Julgamento nas Chamas é uma de suas melhores estórias, mas ainda é uma porcaria cheia de falhas no enredo que tornam um final aceitável impossível.

- Vai se foder Praut! -  gritou de repente Maureen, contendo suas risadas. Era magra e de cabelos castanhos, com feições que lembravam Rankay, mas usava um lençol azul de cama cobrindo o corpo da mesma exata forma que Basara vestia sua capa – Cores, agitação, energia descontrolada... As estórias de Basara são as melhores justo quando tem esse tipo de insanidade!

Praut revirou os olhos.

- Claro que a mais estupida de nós diria isso – Praut parecia subitamente empolgado e confiante ao ser desafiado – Você se distrai com cores bonitas, barulho e explosões porque não consegue compreender ou absorver qualquer conteúdo minimamente complexo. Não a toa é a unica de nós que nunca criou nada, seja uma estória, um mundo ou uma patética casa...

- Sim, sim. Peguei a indireta Praut, você não gosta do meu estilo de vida, não é nenhuma novidade – interrompeu calmamente Lyserin, o único dos sete que tem um lar permanente, e o construiu com as próprias mãos. Era alto de tinha cabelos ruivos longos, e usava apenas calças de couro – Toda vez que nos reunimos alguma discussão boba começa mesmo sendo obvio que nunca mudaremos uns aos outros. Eu gostei da estória, mas o que importa aqui é o motivo de Basara ter nos chamado. Então Basara, pode explicar o que quis dizer sobre nosso observador mais cedo?

Praut pareceu prestes a protestar, mas a menção ao observador o fez hesitar. Todos olharam para Basara e esperaram ele falar.

Fazia quase um mês que o observador surgira. O universo inteiro não tem nenhum ser inteligente exceto pelos Irmãos. Mesmo os personagens das estórias de Basara apenas seguiam seus papéis e tinham pouca capacidade de reagir a imprevistos. Mas então surgiu algo que deu a todos os Irmãos a sensação de estarem sendo observados. Eles discutiram telepaticamente, mas nenhum deles fazia a menor ideia de como descobrir mais a respeito, desde então todos passaram a tentar ignorar o observador. Com a exceção de Basara.

- Ok então... Eu acho que nosso observador não esta no universo -  disse Basara, um pouco envergonhado, talvez

Todos os demais pareceram surpresos, menos o sempre apático Aliori.

- Não faz sentido. Universo literalmente significa "tudo" – disse Praut, agora parecendo decepcionado – Eu sei que não terminou sua explicação ainda, mas depois disso já estou duvidando que tenha qualquer valor.

- Mas vai continuar ouvindo, certo?

- Sim.

- Ok então. Nenhum de nós sabe a origem do universo e de nós mesmos. Por que por vezes um de nós morre e outro nasce. Por que temos capacidades tão diferentes dos animais e plantas do universo. Sei que alguns não se importam com as origens já que nem temos como busca-las; outros acham que todo o universo tem um funcionamento lógico e é resultado de uma sequencia natural de eventos, e nós mesmos preenchemos um nicho no universo, mas mesmo assim não temos como averiguar nada disso... E nenhum de nós mais acredita nisso, todos dentre nós que acreditavam morreram faz bilhões de anos, mas existe a ideia de que alguém de alguma forma nos criou, e então morreu ou se escondeu de alguma forma. Eu acho que nosso observador fortalece a ultima hipótese, e também nos da a possibilidade de testa-la.

- Negativo. - rebateu Praut - O observador provavelmente é apenas um novo Irmão, que fez questão de se isolar telepaticamente de nós assim que nasceu, mas continua prestando atenção em tudo no universo. Aliori já se isolou de nós no passado, e se abrir a boca pra variar talvez possa dar alguma informação útil.

Após alguns segundos de silencio e trocas de olhares, todos pousaram os olhos em Aliori para insistir que ele falasse. Aliori era um homem de aparência frágil, excessivamente magro e encolhido, careca e nu. Finalmente falou:

- Quando me isolei, eu realmente não queria nenhum contato com vocês, nem com mais nada... Mas nos breves momentos que considerei voltar a contacta-los antes de finalmente decidir faze-lo, eu era sim capaz de observa-los sem fazer contato mental direto... sem acessar seus sentidos ou deixa-los acessar os meus. Mas eu era capaz de faze-lo sem que nenhum de vocês percebesse, mesmo sendo o mais fraco de nós. Não a toa a sensação de sermos observados nos últimos tempos é inédita a todos nós.

- Então provavelmente nosso observador é um Irmão ainda mais fraco que você, capaz de cortar contato telepático e observar-nos todos, mas não de ocultar sua observação – concluiu Praut – Ainda é mais provável que simplesmente não estar no Universo, onde literalmente tudo esta.

- Não. O que Aliori disse na verdade fortalece meu argumento – disse Basara – Se o observador é um novo Irmão, e tão mais fraco que nós, seriamos capazes de encontra-lo ao expandir nossos sentidos e sondar o universo. E eu sei que todos vimos quando Ulthear, a mais forte de nós, tentou fazer isso imediatamente após a sensação de sermos observados surgir.

- E não encontrei nada de anormal, não faço ideia da fonte dessa sensação -  disse Ulthear.

Os Irmãos pararam por um momento, pensativos. A fumaça do incêndio na floresta começava a alcança-los no céu.

- Então esse observador é mais poderoso que nós, a ponto de poder se esconder de Ulthear, mas faz questão de deixar claro que esta nos observando.  - admitiu Praut, instintivamente cobrindo o rosto para proteger da fumaça – Basara, então você presume que, ao se deixar ser percebido, o observador esta nos incitando a fazer algo?

- Sim – disse Basara, em meio à tosse – Ele quer que o procuremos. Minha suposição é que existe mais de um universo, e ele esta nos observando de outro, a partir de algum tipo de fenda no espaço-tempo similar às que usamos para viajar pelo universo ou nos comunicar telepaticamente... Mas uma fenda que dá acesso a outro universo, não apenas a outro ponto no espaço-tempo. Todos juntos talvez possamos abrir uma fenda dessa magnitude para o outro universo.

- O problema é... - dizia Ulthear, mas parou para tossir – O problema é que, se assumirmos que existe outro espaço-tempo, não existe motivo pra não existirem três, quatro, ou cem bilhões!

- Isso é o que você quer, não é Basara? -  disse Lyserin, sorrindo – Mais universos nos quais se inspirar, mais ideias para suas estórias, não?

- Não vou negar! É o que espero. -  respondeu Basara, com os olhos vermelhos com a fumaça – Juntos, talvez possamos achar a fenda que esta sendo usada pelo observador, e então aprender a manipula-la, amplia-la e usa-la para seguir em direção ao universo correto. Nenhum de vocês se importa o bastante com o observador pra se esforçar em encontra-lo, nem se ligaria de viajar para novos universos, mas eu realmente espero ter essa oportunidade. Justo por isso fiz o chamado para essa reunião. Preciso desse favor de vocês.

- Devíamos limpar essa fumaça – disse Rankay, cobrindo quase o rosto todo com as mãos.

Ulthear expandiu sua energia pelo planeta todo, alterou os átomos na atmosfera para diminuir drasticamente a proporção de oxigênio, extinguindo assim o incêndio na floresta. Em seguida expulsou para longe todo o ar carregado de fumaça que cercava o grupo, permitindo a todos ver melhor.

- Hahaha! - riu Rankay – Eu quis dizer essa fumaça!

Rankay estalou os dedos da mão direita e tudo ficou branco. Todas as partículas do universo foram aniquiladas e a energia que as compunha foi expelida para todos os lados. Em seguida ele puxou toda essa energia para a ponta de seu dedo. Todos os demais Irmãos ficaram olhando chocados para Rankay, ate mesmo Aliori estava boquiaberto.

- Esta completamente maluco!? Que raios há de errado com você? - gritou Ulthear, para logo em seguida pegar Rankay pelo pescoço e imobiliza-lo psiquicamente.

- Espere! Pare! -  disse Praut, tocando Ulthear no ombro – Foi uma boa ideia. Toda aquela matéria e energia eram uma distração, uma fumaça que limitava nossa capacidade de sondar o universo. Agora podemos ser capazes de encontrar a fenda que o observador esta usando.

A sensação de estarem sendo observados definitivamente continuava ali. Agora todos acreditavam na hipótese de Basara. Mas Ulthear ainda não soltava Rankay e parecia estar se contendo para não mata-lo.

- Ele aniquilou nosso universo. As ambições de exploração de Basara não valem tudo isso. Aniquilar um planeta ou uma galaxia não é nada tão sério, mas Rankay aniquilou tudo, trilhões de planetas em plena evolução, paisagens, os cenários das estórias de Basara, a casa de Lyserin...

- Eu consigo restaurar tudo isso – interrompeu Basara – É muito mais trabalho que aniquilar tudo, mas vale lembrar que minha memória é perfeita e já sondei esse universo todo milhões de vezes buscando mais inspiração para minhas estórias. Posso garantir que cada átomo voltará a seu devido lugar. O que ele fez é reversível, não é como se ele tivesse matado um de nós, afinal.

Ulthear parou pra pensar por um instante, e então suspirou e soltou Rankay, que flutuou atordoado no vácuo infinito por vários segundos antes de se recuperar e se juntar de volta ao grupo, com um sorriso de satisfação no rosto.

- Então é isso. Graças a minha brilhante ideia, agora podemos procurar melhor – ele disse

O grupo todo revirou os olhos, menos Maureen, que parecia bem orgulhosa do irmão mais velho.

Enfim, todos juntaram seus esforços em expandir seus sentidos e sondar o universo inteiro em busca da fenda espacial do observador, e rapidamente à encontraram e teleportaram ate sua posição.

A fenda era completamente imperceptível aos olhos, mesmo olhos capazes de enxergar num universo sem nenhuma fonte de luz. Mas eles podiam sentir a distorção energética parecida com as que eles mesmos costumam utilizar. Conseguiam ate mesmo ter uma vaga ideia de onde ela vinha, apesar de ser claro que era de um lugar completamente separado de tudo que já viram e da realidade que conheciam.

Basara "sentou" no vácuo absoluto de pernas cruzadas,  e novamente tudo ficou branco. Cada átomo, planeta, estrela e galaxia; cada grão de areia, animal, rio e mar; cada porção de energia de fundo viajando pelo cosmos e claro, a casa de Lyserin. Tudo foi refeito a seu devido lugar, onde estava antes de Rankay aniquilar o universo. Agora que já haviam encontrado a fenda, não precisam mais de tanto vácuo.

Em seguida, Basara se voltou à fenda, estendeu o braço em sua direção, e se concentrou em entende-la, e então muda-la e amplia-la para que pudesse passar por ela. Teve dificuldades inicialmente, mas logo Ulthear e Praut se juntaram a ele, e os três juntos ampliaram a fenda ate que se tornasse um portal pelo qual alguém poderia passar.

Podiam ate mesmo ver através do portal. O outro lado parecia um imenso vazio, mas isso não os preocupou muito, já que mesmo seu próprio universal restaurado também é, em sua maior parte, vácuo.

- É isso, então. - disse Basara, se virando para os demais – Vou dar uma olhada no que há do outro lado, e se for realmente apenas um de incontáveis universos, vou querer visita-los todos... então posso levar uma eternidade pra voltar, ou jamais voltar. Muito obrigado a vocês pela ajuda, significa muito para mim.

Ulthear o abraçou em lagrimas. Ele se surpreendeu, mas retribuiu. Os dois eram muito próximos; e mesmo sendo provável que a telepatia entre os irmãos continuaria funcionando atráves da fenda, ele sentiria falta de vê-la em pessoa.

Os dois se afastaram, e Basara olhou novamente para os demais. Pareciam divididos. Rankay, Praut e ate mesmo Aliori pareciam felizes, mas Lyserin e Maureen estavam também a beira das lagrimas. Basara nunca havia sido tão íntimo de seus irmãos quanto nesse momento.

Apreciou esse pensamento, acenou positivamente com a cabeça uma ultima vez e entrou no portal.


Última edição por Thear em Dom 14 Jan 2018, 14:00, editado 4 vez(es)
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Re: Prólogo dos Mundos Anômalos

Mensagem por Tarin em Dom 14 Jan 2018, 11:03

A história do sapo e da floresta ficou muito boa pra dar a impressão de introdução a um mundo, e depois revelar que o escopo da história está um pouquinho acima. Eu adoro histórias que vão revelando camadas de histórias por cima de camadas. Eu quero ver os outros dezesseis finais, agora!

Quero saber tambem como é a casa do Lyserin, depois de tantas menções, ahaha. Eu acho que os irmãos funcionam, como um conjunto, e gostaria que tivesse mais histórias explorando eles. Embora essa primeira já deixe parecer que quem sabe eles não vão mais entrar como protagonistas em futuras histórias do Basara...

Pra dar alguma crítica, eu diria que o final foi um pouco apressado, pareceu que o rítmo foi um pouco mais rápido do que no resto do capítulo.

Se a intenção foi atiçar a curiosidade, considere-a atiçada! Não quero esperar anos agora pra ler o resto, lol.

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Re: Prólogo dos Mundos Anômalos

Mensagem por Tomate em Qua 24 Jan 2018, 14:21

Eu gostei mais da introdução - gosto de universos fantasiosos com novas propostas - do que do resto. Não porque o resto é ruim, mas porque o começo é excelente e o resto do texto está muito bom também. Preferência pessoal, apenas.

Espero que você continue escrevendo pois estou curioso. Uma pena que - como dito acima - o final foi um pouco apressado mas sei como se sente.
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Re: Prólogo dos Mundos Anômalos

Mensagem por Thear em Qui 25 Jan 2018, 03:07

Então. Justo por isso que eu não me considero bom em prosa. Eu tenho um impulso de apressar as coisas e chegar logo na parte que mais ME interessa. E tenho que ativamente me conter pra evitar isso. Nesse texto consegui me conter bastante, mas eventualmente cedi e apressei as coisas no final. Pena.

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Re: Prólogo dos Mundos Anômalos

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