Mini-Dissertações Sobre Potencial Não Alcançado Na Arte

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Mini-Dissertações Sobre Potencial Não Alcançado Na Arte

Mensagem por Thear em Seg 30 Maio 2016, 00:35



  Não, eu não estou me referindo a pessoas com grande potencial de fazer obras de arte, mas falham em alcança-lo por um motivo ou outro. Estou falando de obras que tinham grande potencial, mas falham por alcança-lo por um motivo ou outro. Só quero mencionar algumas causas, perspectivas de mudança, e talvez começar uma discussão a respeito, sabe? Agora, claro... Toda obra tem algum potencial inalcançado no sentido de ter um defeito ou outro, mas eu quero focar em obras nas quais é fácil apontar uma grande massa de potencial deixado de lado, em vez de algo com pequenos errinhos aqui e ali mas que no geral é muito bem pensada e polida, como no caso "A Lenda de Aang" ou "Portal 2".

  Community é um bom exemplo, por isso decidi começar com essa imagem. É minha comédia favorita (em qualquer mídia), mas isso apesar de ter sido seriamente prejudicada por mudanças no elenco, constantes ameaças de cancelamento e a remoção e eventual reinstituição do criador Dan Harmon do cargo de showrunner. Talvez todos esses problemas podem ser relacionados ao simples fato de que a série sempre teve problemas de audiência, certo? O humor rápido, cheio de referencias (incluindo auto-referencias) e metalinguagem da série garantiram uma fanbase leal e um status especial na internet, mas simplesmente falharam em manter a atenção do publico comum de televisão. Community simplesmente não fazia dinheiro o suficiente para a NBC, e não valia a pena para a emissora lutar para manter a estabilidade do elenco e da equipe criativa (o que incluía lidar com a personalidade difícil de Dan Harmon e do ator Chevy Chase). Isso também significa, no entanto, que mesmo num mundo em que dinheiro não é a principal força que mantem o mundo da arte, Community ainda assim não seria salvo. Ter surgido 10 anos mais tarde nesse mesmo mundo que vivemos talvez teria permitido que Community atingisse seu potencial total, no entanto.

  Dinheiro é provavelmente o motivo mais comum para tais casos de potencial não alcançado. E de diversas formas... Evangelion teve vários problemas de orçamento em seu decorrer, incluindo (segundo especulações), uma punição por excessos em certas cenas considerando o horário em que era transmitido na TV. No decorrer da série houveram grandes quedas na qualidade de animação que chegaram a seu auge nos dois episódios finais (que também pelo jeito foram planejados apenas 3 meses antes de ir ao ar, o que não ajudou), que foram muito mal recebidos (apesar de que você aprende a gostar se assistir 3 ou 4 vezes.. ou 5, 6...). Um tempo depois com um orçamento amplo e tempo de preparo de sobra 2 novos episódios foram lançados combinados no filme "The End of Evangelion", que aí sim foi um grande sucesso. Acontece que esses dois episódios deveriam ter sido o final original da série, e não o foram porque custariam caro demais considerando o orçamento apertado e falta de tempo.

Vejam quanto movimento e energia!


  Algumas pessoas diriam que tanto Community quanto Evangelion foram beneficiados por alguns de seus problemas, claro. A constante ameaça de cancelamento pode ter ajudado os escritores de Community a ignorar definitivamente as expectativas do gênero, num raciocínio de "se teremos que sair, sairemos com estilo! Os problemas de orçamento forçaram Hideaki Anno a encontrar novas formas criativas de transmitir as ideias que precisava transmitir, o que pode ter sido essencial para produzir o impacto que Evangelion produziu. Mas isso são suposições sem sentido, tais séries poderiam muito bem ter sido muito melhores sem esses problemas, acho melhor não mexermos com as borboletas e seus efeitos. O fato é que mesmo que as vezes alguma obra se beneficie de ter que enfrentar questões que estão alem do controle do autor, o mais provável é que milhões são constantemente arruinadas por esse tipo de coisa.




 Esse é um caso triste. Hunter x Hunter (ou Hiatus x Hiatus), é geralmente visto como um dos melhores shounens de luta e é a unica daquelas séries de mangas inacabáveis que resiste ao escrutínio de leitores mais críticos. O problema é que, apesar de ter iniciado em março de 1998, HxH esta apenas em 355 capítulos, enquanto Naruto começou em setembro de 99 e já se encerrou faz mais de um ano com 700 capítulos (e aguardando spin off). O motivo de estar tão atrasado são os constantes hiatos que ocorrem desde 2006. Já que o autor Togashi tem apenas 50 anos, é provável que eventualmente ele consiga terminar a série, mas nesse meio tempo 2 animes já foram prejudicados, e muitos fãs já desistiram da série, tendo perdido a empolgação. Os motivos dos hiatos são ate compreensíveis: Togashi tem frequentes problemas de saúde e ele volta e meia cria férias para si próprio para poder jogar cada Dragon Quest recém lançado. A vida profissional puxada de um mangaka faz com que ambos esses motivos façam sentido. O problema é que claramente tem um fator de orgulho envolvido, o autor poderia diminuir seus dois problemas se permitisse que assistentes colaborassem com a arte (considerando que a arte dele não é boa, isso faria muito sentido), mas acha que tem que fazer tudo ele mesmo. Bom... o ultimo hiato acabou de terminar, quem sabe dura pelo menos o bastante para que o anime possa retornar?


Reconhecem esse mundo?



  Esse é o mundo de Naruto. Um mundo cujo potencial foi negado pela estória para a qual foi feito. Naruto é uma estória muito falha, mas decente em aspectos de motivações e construção de mundo. De fato, acredito que o autor Masashi Kishimoto é um criador de mundos muito melhor que um criador de estórias. Existem dois extremos na escrita (existem muitos "dois extremos" para diferentes aspectos da escrita, e muitos aspectos não duais, é claro), o extremo "Stephen King" é escrever muito rapidamente e quase sem planejar adiante, se você for bom como King é, o resultado vai ficar bom de qualquer forma, apesar de que é comum que os livros de King tenham finais decepcionantes para jornadas impressionantes. O outro extremo é George R. R. Martin, que escreve muito lentamente e planeja cada maldito detalhe para que tudo se conecte e faça sentido. Naruto deveria ter sido escrito mais ao estilo de Martin, mas em vez disso ficou em algum lugar no meio termo. Ter sido criado paralelamente à trama que deveria servir causou inconsistências e diminuiu a riqueza que o mundo de Naruto poderia ter. Novamente, se trata da rotina de um mangaka, que pede velocidade demais para que a trama e o mundo possam ser devidamente preparados.



I see what you did there, Nolan





  Claro, o Nolan admitiu que se inspirou em Paprika para fazer Inception, mas isso é um pouco de inspiração demais, certo? Tudo bem, Satoshi Kon deve estar habituado a filmes ocidentais se inspirando fortemente em seus trabalhos (Cisne Negro = Perfect Blue). Mas essas coisas não vem ao caso, o que vem ao caso é que ambos os filmes desperdiçam potencial de formas diferentes.
  Inception desperdiça a premissa de um mundo de sonhos que emprestou de Paprika... Em sua maioria é nada mais que um filme de ação comum com armas de fogo, com toda a questão de sonhos ficando em plano de fundo e mal sendo aproveitada (Olha que legal, o cara "sonhou" com uma arma maior... mas porque não um dragão ou um canhão de plasma ou braços elásticos?). Esse é um caso de simples incapacidade de pensar fora da caixa ou talvez de subestimar (ou se adequar justamente?) o publico, supondo que ninguém levaria o filme a sério se coisas malucas acontecessem constantemente na tela, mesmo que a premissa justifique.
  Paprika por outro lado usa as possibilidades de um mundo de sonhos constantemente, criando um lindo espetáculo áudio-visual que... não é bom o suficiente pra compensar os personagens desinteressantes e a trama pouco envolvente. Paprika não desperdiçou sua premissa, mas falhou em complementa-la. Os autores pensaram fora da caixa, mas simplesmente falharam em escrever uma boa estória, o que é normal, acontece muito e acontece com todos.



Bom... Isso foram só alguns exemplos. Pode parecer que foquei em animes, mas na verdade só fui comentando os que vieram a mente, e é justamente isso que eu espero que algum de vocês faça, se interessado. Que obra de arte de qualquer tipo tinha um obvio potencial que falhou em atingir? Não significa que é ruim, ou boa, que é melhor ou pior que outro, que você gosta ou não... As questões são "podia ter sido algo maior do que foi?", e "como?".


Créditos a Levi Gomes pela ajuda com a revisão.


Última edição por Basara em Qui 02 Jun 2016, 13:14, editado 3 vez(es) (Razão : De fato a construção de personagens em Naruto não é nem "decente")

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Re: Mini-Dissertações Sobre Potencial Não Alcançado Na Arte

Mensagem por Tarin em Ter 31 Maio 2016, 20:25

Como tu falou no primeiro parágrafo, basicamente toda obra tem um potencial incalcançado, mas acho que as que mais deixam essa sensação mais fortemente são as que tem aspectos incrivelmente bons, e defeitos realmente marcantes, a ponto de diminuir o impacto das partes boas.

Acho que um exemplo que eu consigo pensar é Secret of Mana, o RPG pra Super Nintendo. É um jogo ótimo, com um sistema de batalha interessante e diferente, e uma ambientação e trilha sonora fantásticas. Mas embora o jogo comece ótimo, chega um ponto em que a qualidade cai perceptivelmente. A metade final do jogo acaba parecendo uma série de missões sequenciais sem muita variedade, não avançando a história ou trazendo nada de interessante.

Parece que o jogo realmente teve um desenvolvimento conturbado e várias partes tiveram que ser cortadas por dificuldades com o hardware do SNES. Mas pelo menos conseguiram aprender com os erros, porque o próximo jogo da série, Seiken Densetsu 3, foi muito mais consistente e bem polido, embora menos original que o anterior.

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Re: Mini-Dissertações Sobre Potencial Não Alcançado Na Arte

Mensagem por Tomate em Sex 03 Jun 2016, 02:02

É muito difícil alcançar em algumas mídias o verdadeiro potencial, por isso o real potencial é sempre no próprio cérebro ou em palavras escritas (mais comumente lançadas em livros). Vimos poucos exemplos, mas o que vem mais rápido à minha cabeça é o universo de Martin; Martin parece que transportou tudo que estava em sua cabeça para os livros de uma forma magistral.

Já Naruto tem um problema: com o aumento número de personagens, os personagens antigos não tiveram aprofundamento; com o aumento de vilas, as vilas - desde que não seja a aldeia da Folha e Areia - não tiveram quase nenhum tipo de aprofundamento e foram apenas jogadas no enredo. O Naruto teve apenas êxito no que se diz em criar habilidades e sub-habilidades, nisso Naruto é incrível e indiscutivelmente perfeito.

Como dito acima, a mídia que uma obra é lançada, as vezes, pode prejudicar muito a intenção real do autor. Mas, as vezes, o autor tem certas "limitações imaginárias" e "excesso de realismo", é onde chegamos em Nolan. Nolan nunca extrapolaria para coisas incríveis e surreais, pois não faz o seu estilo e gosta muito - vide Inception - de coisas científicas e que podem ser concretas ou podem ser imaginadas pela física.

Outra obra que consigo imaginar: Harry Potter. Harry Potter tem um mundo interno maravilhoso, é tudo muito bem pensado mas não é bem executado. J. K. Rowling consegue deixar fragmentos por todas as partes do livro sobre o mundo bruxo, mas não consegue executar quase nenhum focando muito em Harry e não criando mais obras (e a que está por vir, vai focar mais na família e vida de Harry). Acho que é um pouco preocupante quando uma saga tem que girar apenas em torno de um personagem, parecendo que é o pedestal. Eu sempre tive vontade de ver a Rowling escrevendo sobre os que entram na Lufa-Lufa ou Corvinal, vendo que são casas secundárias e pouco descritas. Também fico impressionado como vilões são sempre muito, muito do mal.

Como dito acima: o melhor mundo pra um autor é aquele que está em sua cabeça, são difíceis os casos que ele consegue transpor tudo para a obra.
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Re: Mini-Dissertações Sobre Potencial Não Alcançado Na Arte

Mensagem por Thear em Sex 03 Jun 2016, 18:12

Levi Gomes escreveu:Acho que um exemplo que eu consigo pensar é Secret of Mana, o RPG pra Super Nintendo. É um jogo ótimo, com um sistema de batalha interessante e diferente, e uma ambientação  e trilha sonora fantásticas. Mas embora o jogo comece ótimo, chega um ponto em que a qualidade cai perceptivelmente. A metade final do jogo acaba parecendo uma série de missões sequenciais sem muita variedade, não avançando a história ou trazendo nada de interessante.

Parece que o jogo realmente teve um desenvolvimento conturbado e várias partes tiveram que ser cortadas por dificuldades com o hardware do SNES. Mas pelo menos conseguiram aprender com os erros, porque o próximo jogo da série, Seiken Densetsu 3, foi muito mais consistente e bem polido, embora menos original que o anterior.


Nossa! Eu nem ousei entrar no assunto dos games. Games são a principal vitima disso por terem tantos aspectos técnicos, de prazo, de orçamento, de tecnologia, é demais. Inúmeros de jogos indie que podiam ter sido melhores se tivessem orçamentos e equipes de AAA, inúmeros jogos AAA que podiam ter sido melhores se tivessem um minimo de coragem de se arriscar e inovar.

Tem simplesmente tanta coisa que pode e dá errado no planejamento desenvolvimento de um jogo que se eu fosse começar a listar jogos que se encaixariam nisso eu nunca pararia de pensar em outros. Tem também todo aquele fator de ser uma mídia jovem, e tal.


@Tomate escreveu:É muito difícil alcançar em algumas mídias o verdadeiro potencial, por isso o real potencial é sempre no próprio cérebro ou em palavras escritas (mais comumente lançadas em livros). Vimos poucos exemplos, mas o que vem mais rápido à minha cabeça é o universo de Martin; Martin parece que transportou tudo que estava em sua cabeça para os livros de uma forma magistral.

Martin é meticuloso ao extremo em cada detalhe de seu mundo e suas tramas. Consegue criar um mundo internamente consistente e quando poe em movimento tudo continua funcionando. Mas isso ao custo de uma demora imensa para lançar cada livro! Claro, isso não é nem perto de ser o mesmo problema que HxH tem, já que ninguém espera que livros sejam lançados consistentemente num período fixo. Pessoas morrerem sem saber o final de uma série de livros é normal, faz parte.



@Tomate escreveu:Outra obra que consigo imaginar: Harry Potter. Harry Potter tem um mundo interno maravilhoso, é tudo muito bem pensado mas não é bem executado. J. K. Rowling consegue deixar fragmentos por todas as partes do livro sobre o mundo bruxo, mas não consegue executar quase nenhum focando muito em Harry e não criando mais obras (e a que está por vir, vai focar mais na família e vida de Harry). Acho que é um pouco preocupante quando uma saga tem que girar apenas em torno de um personagem, parecendo que é o pedestal. Eu sempre tive vontade de ver a Rowling escrevendo sobre os que entram na Lufa-Lufa ou Corvinal, vendo que são casas secundárias e pouco descritas. Também fico impressionado como vilões são sempre muito, muito do mal.


Harry Potter é provavelmente o universo fictício com menos consistência interna que eu consigo imaginar, exceto talvez por certas coisas intencionalmente psicodélicas ou sem regras (como desenhos infantis antigos).

Harry Potter tem uma premissa inicial legal, mas praticamente qualquer aspecto da obra que tu parar pra analisar por alguns segundos vai parecer idiota. Obliviate não é uma maldição imperdoável; o sistema de Casas de Hogwarts é opressivo, gera muitos problemas e não parece ter nenhum benefício; os protagonistas são constantemente recompensados pelas autoridades por quebrar as regras; os vira-tempos... ah, não vou continuar essa espiral da loucura. Nada faz sentido em Harry Potter. Eu ainda vejo como uma iniciação decente e fácil à literatura, no entanto.

Mas por todas essas loucuras é que eu nem considerei falar de Harry Potter no tópico original. JK Rowling é tem uma boa escrita, mas para por aí. Ela é incapaz de criar um mundo e uma estória coerente, eu nem consigo imaginar quanto potencial HP realmente devido ao completo caos que essa obra é.

Seria divertido tentarmos aqui no fórum fazer uma revisão geral do universo de Harry Potter e tentar faze-lo coerente sem perder o aspecto de fascínio e surrealismo, no entanto. Um ótimo desafio!

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