Auto-Desafio: 60 Animes Em 2 Anos

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Auto-Desafio: 60 Animes Em 2 Anos

Mensagem por Thear em Sab 05 Mar 2016, 22:25

Relembrando a primeira mensagem :

Eu me considero um fã de animes. E de animação no geral. Considero que animações tem uma vantagem inerente ao Live Action. Mas nunca vi tantos animes. Muitos fãs por aí viram centenas ou pelo menos varias dezenas. Talvez notem que eu já disse o mesmo sobre filmes, séries, e tudo mais... Fazer o que? Meus gostos são bem dispersos entre varias coisas diferentes, então nunca fico muito tempo em uma unica mídia.

Mas agora é hora de mergulhar como nunca antes nos animes! Eu já vi muitos daqueles "Top X Animes de Todos os tempos", no youtube, e em vários casos pensei como seria seguir a lista e assistir todos. Bom, decidi fazer isso, e escolhi o Top 60 de ThatAnimeSnob (Rorico),  de 2014. Um sujeito que já assistiu cerca de 2 mil animes, e que é extremamente critico e exigente. Ele tem algumas tendencias que não gosto, como desvalorizar tramas nas quais nada de importante esta em jogo ou valorizar brucutus (personagens "machões", normalmente musculosos que resolvem tudo sozinhos, coisa dos anos 80). Ele também tende a desprezar o mainstream e os animes mais recentes. Pra mim isso é positivo, porque eu queria uma lista com vários animes menos conhecidos e/ou antigos. No geral, por ser tão critico, a lista dele me pareceu a com mais potencial de ser interessante de se assistir.

E meu objetivo é assistir tudo em 2 anos. Parece fácil pro pessoal que vê um anime por dia, ou por semana, mas eu tenho outros interesses, sabe? Faço varias coisas diferentes. Além disso, alguns desses são bem longos, o que não é o caso da maioria dos animes que lançam hoje em dia.


OOOPS. Drama de youtube e a hostilidade excessiva do criador do video de to 60 que estava aqui levaram o canal dele a ser deletado do youtube. Talvez volte um dia, mas por enquanto deixarei esse texto aqui. A lista de animes abaixo esta enumerada de acordo com o top dele,
anyway.




A lista dele não é convencional. Ele divide em vários pequenos Tops para cada gênero, e apenas os 10 últimos (Top 10), seguem o esquema tradicional desse tipo de lista. Eu não vou assistir na ordem do vídeo, e sim alternar entre cada sub-divisão da lista: uma comédia, um Slice of Life, um de ação, etc... Terminando com um do Top 10, e então voltando a comédia. Certos gêneros tem mais animes que outros, e vou garantir que um gênero não venha duas vezes seguidas (exceto talvez o Top 10), então a ordem vai ser errática. 

Alias, os nomes e definições dos gêneros dele são questionáveis, mas vou ignorar isso. 

A ordem completa a seguir, conforme assisto, postarei opiniões sobre cada anime nesse tópico, e vou editar essa mensagem para transformar o nome num link:

60 - Kenzen Robo Daimidaler - Comédia
55 - Usagi Drop - Slice of Life
52 - Final Fantasy Advent Children - Ação
41 - Wixoss - Psicológico
33 - Cowboy Bebop - Ficção Cientifica
17 - Kaiji - Manly
32 - Betterman - Ficção Cientifica
12 - Grave of the Fireflies - Drama de Guerra
51 - Redline - Ação
40 - Akira - Psicológico
31 - Noein: To Your Other Self - Ficção Cientifica
11 - Area 88 (OVA) - Drama de Guerra
30 - Digimon Tamers - Ficção Cientifica
10 - Serial Experiments Lain - Top 10
59 - Sayonara Zetsubou Sensei - Comédia
54 - House of Small Cubes - Slice of Life
50 - Shingeki no Bahamut - Ação
44 - Sailor Moon Crystal - Magical Girl
39 - Revolutionary Girl Utena - Psicologico
29 - Dennou Coil - Ficção Cientifica
09 - Kaiba - Top 10
28 - Brigadoon - Ficção Cientifica
08 - Ergo Proxy - Top 10
58 - Cromartie High School - Comédia
53 - Planetes - Slice of Life
49 - The Guyver: Bio-Booster Armor
43 - Full Moon Wo Sagashite - Magical Girl
38 - Mawaru Penguindrum - Psicológico
27 - Super Dimension Fortress Macross - Ficção Cientifica
07 - Haibane Renmei - Top 10
26 - Towards the Terra - Ficção Cientifica
06 - Ghost in the Shell - Top 10
57 - Detroit Metal City - Comédia
48 - Soul Eater - Ação
42 - Princess Tutu - Magical Girl
37 - Death Note - Psicológico
25 - Blue Gender - Ficção Cientifica
05 - Welcome to the N.H.K. - Top 10
24 - Zegapain - Ficção Cientifica
04 - Fullmetal Alchemist: Brotherhood - Top 10
47 - Hunter x Hunter(2011) - Ação
23 - Gunbuster - Ficção Cientifica
36 - Monster - Psicológico
22 - Tengen Toppa Gurren Lagann - Ficção Cientifica
16 - Bastard!! - Manly
03 - Neon Genesis Evangelion - Top 10
56 - Panty & Stocking With Garterbelt - Comédia
46 - Parasyte - Ação
35 - Millenium Actress - Psicológico
21 - Turn A Gundam - Ficção Cientifica
15 - Jojo's Bizarre Adventure - Manly
02 - The Tatami Galaxi - Top 10
20 - 8th MS Team - Ficção Cientifica
14 - Fist of The North Star - Manly
45 - Kill la Kill - Ação
34 - Shinsekai Yori - Psicológico
19 - Escaflowne - Ficção Cientifica
13 - Berserk - Manly
18 - Space Battleship Yamato 2199 - Ficção Cientifica
01 - Legend of the Galactic Heroes - Top 10


Última edição por Thear em Dom 22 Out 2017, 06:37, editado 32 vez(es)
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Re: Auto-Desafio: 60 Animes Em 2 Anos

Mensagem por Thear em Ter 21 Jun 2016, 00:19

40 - Akira
Autor: Katsuhiro Otomo
Estúdio: TMS Entertainment
Público Alvo: Seinen
Gêneros: Ação, aventura, horror, militar, ficção cientifica, sobrenatural.
Episódios: É um filme. De novo².
Sinopse  (fonte: MyAnimeList): É o ano 2019, trinta e um anos se passaram desde o começo da Terceira Guerra Mundial. Uma criança com poderes incríveis escapa da custodia de um projeto super-secreto e acidentalmente envolve uma gangue de motociclistas no projeto. Esse incidente ativa poderes psíquicos em um dos membros da gangue, Tetsuo, e ele é levado pelo exercito para passar por experimentos. Sua mente é alterada e esta agora no caminho da guerra, buscando vingança contra a sociedade que um dia o chamou de fraco.


Curiosidade: o manga de Akira de 1982 previu corretamente que Tokio vai sediar as olimpíadas de 2020. Magic!


Anyway, Akira é bom. A animação é muito boa e ainda se sustenta ate hoje, a ação ate que é boa, o mundo e a trama no geral são bem interessantes. Fiquei querendo uma versão mais longa e mais desenvolvida... E existe, o manga tem 6 volumes e o filme só cobre metade. Vou ler o manga todo eventualmente.

Eu realmente gosto da temática toda em torno de poderes psíquicos, e é divertido ver Tetsuo como basicamente a versão de poderes psíquicos do Hulk (se Tetsuo é o Hulk, o próprio Akira é o que?). O detalhe é que não haviam realmente motivos bons para o Tetsuo estar se comportando daquela maneira, tão furioso e vingativo. O filme poderia ter tentado justificar facilmente com "ele esta louco", que seria aceitável mas não tão interessante... Mas não fez isso, o filme deu a entender que ele esta "louco com poder" (que não é realmente insanidade, ta mais pra um de desativar de limites auto-impostos de comportamento), e que esta sendo tão violento pra provar para todos que não é fraco como todos sempre diziam que ele era... o problema é que isso meio que vem de lugar nenhum.

Claro, desde o começo ficou claro que Kaneda tinha uma certa relação de dominância sobre Tetsuo, mas ele também parecia ter essa dominância sobre toda a gangue, e não parecia abusar disso não enfatizar isso com frequência. Quando Tetsuo adquiriu seus poderes e começou a destruir coisas, o filme pareceu lembrar que tinha que justificar aquilo tudo e jogou uns flashbacks no meio... Flashbacks normalmente não são a melhor maneira de explorar um personagem (apesar de que podem ser uteis, claro), e mesmo esses flashbacks não mostram nenhum tipo de humilhação que justifique a furia de Tetsuo. Seria melhor só terem dito que ele ficou louco pela falta das pilulas e pronto, em vez de tentar justificar como algo a mais.

Mas Kaneda é um bom personagem, com toda a sua pose de motociclista durão, ao mesmo tempo que é realmente jovem e violência naqueles níveis e morte ainda são um choque pra ele. E tem toda aquela dedicação em perseguir Tetsuo, seja para resgata-lo ou para detê-lo.

Spoilers leves sobre as intenções e natureza das três crianças e do Coronel Shikishima, adiante:
Spoiler:
As três crianças e o Coronel são interessantes de acompanhar, também. Eles se importam bastante uns com os outros e tem o bem comum em mente, mesmo que no começo passem a impressão de serem o antagonista e suas três vitimas. Com certeza foram os personagens que mais gostei no filme.

E tem o próprio Akira, que da nome ao filme, que (pequeno spoiler adiante, selecione pra ver) é o responsável pelo estado atual desse mundo e que se torna cada vez mais importante quanto mais a trama avança. Culminando num final que ficou confuso por ser acelerado demais. De fato, a maior parte do conteúdo cortado (metade de uma série em manga de 2 mil paginas) na adaptação para o cinema se encaixaria logo antes do momentos finais do filme. Provavelmente teria sido melhor fazer dois filmes, mesmo, mas o orçamento que Akira recebeu já era descomunal para a época e claramente o objetivo era fazer um filme só.

Akira é certamente um dos animes mais importantes de todos os tempos,e  também um dos responsáveis pela popularização dessa mídia no ocidente. Vou deixando um video aqui, uma daquelas listas de 107 fatos da CartoonHangover:

https://www.youtube.com/watch?v=AqV7Ek5mb9I

E... acho que é só? Deve ser. A nota é 7/10. Com certeza um bom filme, que me prendeu a atenção o tempo todo, mas não chegou a me afetar muito, e os temas profundos que aborda não são nem tão profundos nem tão abordados. Hmm.. Parece que peguei o habito de tentar justificar os motivos de não ter dado uma nota maior, mesmo após uma nota boa... Vou evitar isso de agora em diante.

Trailer:


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Re: Auto-Desafio: 60 Animes Em 2 Anos

Mensagem por Thear em Seg 27 Jun 2016, 00:42

31 - Noein: To Your Other Self
Diretor: Kazuki Akane
Estúdio: Satelight
Público Alvo: Shonen
Gêneros: Aventura, drama, slice of life, ficção cientifica.
Episódios: 24
Sinopse  (fonte: MyAnimeList): No futuro próximo, uma batalha violenta se passa entre a dimensão La'cryma (protetores da humanidade), e a dimensão Shangri-La (que planejam destruir todo o espaço-tempo). Um grupo conhecido como Cavalaria Dragão é enviado pelo tempo e espaço, em busca da unica coisa que pode parar a invasão: o Torque do Dragão.
No presenta, a garota de 12 anos Haruka e seu melhor amigo Yuu estão contemplando fugir de casa, quando eles encontram um Cavaleiro Dragão chamado Karasu. Ele acredita que Haruka possui o Torque do Dragão e afirma ser Yuu, quinze anos no futuro...

Esperando assistir 5 animes por mês (considerando o dia 5 como final de um mes, por causa da data de inicio do desafio), eu consegui no primeiro, falhei no segundo e... Consegui no terceiro. Noein é o quinto anime que assisti no terceiro mês do desafio. A questão é que a meta é assistir 5 por mês, não postar sobre 5 por mês. Então sim, estou quase um mês atrasado no post sobre Noein.


Noein é legal. Algo que logo de cara o que chama atenção é o estilo artístico dos personagens criança. as proporções, tamanho e tal fazem bastante sentido pra idade que eles tem, o que é incomum em animes. Gostei bastante dos olhos,especialmente os olhos da protagonista, bem expressivos e chamativos (aqui). O anime também usa CGI que cai muito bem em certas movimentações da câmera, mas gera o efeito de uncanny valley quando aplicado as criaturas não-humanas presentes na historia... Mas isso também cai muito bem! Faz as criaturas parecerem mais alienigenas e ameaçadoras, sem parecer ridículo, e em certos momentos o anime parece aproveitar intencionalmente desse aspecto sinistro para criar cenas breves e perturbadores (eu sentia o impulso de desviar os olhos). O resto da arte toda é mediano, mas os aspectos bons já são o bastante.

Quanto à trama... é bem lenta, nos primeiros 10 ou 12 episódios. Mas depois fica muito interessante, ate fascinante, explorando bem conceitos de ficção cientifica. Me fez querer que fosse mais longo, mas não tinha mais tanta história pra contar mesmo.

O principal problema de Noein é que os dois personagens mais importantes, tirando a protagonista, são chatos pra caramba. Yuu e Karasu, ambos mencionados não sinopse. Parece que não existe uma versão interessante de Yuu em universo algum.

  Yuu tem problemas pessoais bem compreensíveis, considerando a situação dele... Mas ele parece lidar com isso sendo um babaca com os outros... o que por si só não tornaria o personagem um problema para a trama, mas o fato de que os demais personagens tratam como se isso não fosse tão ruim (especialmente Haruka), passa a ideia de que os próprios roteiristas esperavam que o publico aceite isso ou concordem que não ele não esta agindo tão errado. Claro, em certo momento o Isami questiona a situação, mas ainda assim foi muito pouco e breve. Essa situação fica ainda pior depois que ele resolve seus problemas iniciais (la pela metade da série), e o que impede isso de prejudicar mais o anime é o fato de que o foco nas demais crianças diminui e o foco em Haruka e na ficção cientifica aumentam. Yuu é incapaz de distinguir entre amigos e inimigos, e o anime espera que a audiência entenda porque diabos Haruka gosta dele.

  Karasu não atrapalha no mesmo nível, mas simplesmente porque ele tem muito pouca personalidade. Ele esta sempre sério e só tem uma ou duas ideias quicando em sua cabeça ao longo da série inteira. Haruka também gosta dele e o anime também espera que o publico goste. Pelo menos ele não é um babaca.

 O grande vilão também é um problema. Não estou falando da pirueta bizarra que ele usa em uma certa cena de luta, e que arranca completamente a imagem de entidade mistica imponente que ele tem. Mas do background dele mesmo, que mostra os motivos dele se tornar o que se tornou, mas não os meios que ele usou para isso após obter esses motivos. No fim, ele acaba sendo só mais um personagem obcecado com a protagonista e com nada mais nada cabeça... tem três assim no anime, excesso.

Mas ei! Outros personagens salvam. Haruka é divertida, simpática. É interessante, apesar de irrealista, o fato de que ela não demonstra medo em nenhuma situação da série toda, que eu lembre... mas também não fica escancarando e gritando sobre o quão corajosa é, ela simplesmente continua normal. Isso acaba sendo exagerado, claro... Seria bom se ela tivesse algumas outras falhas alem de gostar tanto de Yuu e Karasu por motivo nenhum (ok, ambos se esforçaram pra defende-la, mas não era apenas gratidão da parte dela, ao mesmo tempo que não era exatamente algo romântico).  
  Eu ate gostei dos dramas entre as crianças quando não envolvia Yuu. Isami, Ai e Miho são todos divertidos, Tobi também é interessante. E Atori provavelmente é meu favorito da série. Foi legal o quanto ele se transformou ao longo da série, apesar de que o pontapé inicial pra esse processo foi conveniente demais. Essas coisas tornaram um pouco mais desagradável quando, ao final, alguns personagens acabaram com destinos não revelados, muitos animes fazem isso e eu nunca gosto.

Exceto por uma das ultimas batalhas, nada se destaca nas cenas de ação. Mas não é nada particularmente chato também.


Erm... Algo mais a dizer? Isso ficou surpreendentemente longo. não achei que teria tanto a dizer. Acho que foi o anime que mais me apeguei aos personagens e ate agora, e isso ate me causou aquele vácuo por algumas horas após terminar. Mas no fim, acaba sendo mais um 7/10. Teria sido facilmente um 8 se não fossem alguns personagens chatos, e nem é difícil pra mim imaginar uma versão alternativa dessa historia que mereceria um 9, pois certas cenas realmente me deixaram fascinado e puseram a mente pra funcionar. Mas não foi o caso, que pena. 7 ainda é bom, vale lembrar que eu considero "5/10" mediano.

Pequeno comentário extra: A geografia da cidade onde a estória se passa é bem unica comparada a outros animes. Acho que não tem aquele rio com aquela ponte que todos os animes tem.
Edit com outro comentário extra: Não levem a sério as explicações sobre física quântica e coisas assim do anime, ate eu sei que são interpretações intencionalmente erradas da ciência real.

Inicialmente eu não liguei muito pra abertura, mas acabei aprendendo a gostar. Uma ou duas vezes esse som de sirenes no começo me confundiu, pois eu não notei que estava vindo da TV.



Última edição por Basara em Seg 27 Jun 2016, 01:00, editado 1 vez(es) (Razão : mais um comentário)

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Re: Auto-Desafio: 60 Animes Em 2 Anos

Mensagem por Thear em Seg 25 Jul 2016, 05:13

11 - Area 88 (OVA) - Drama de Guerra
Diretor: Hisayuki Toriumi
Escritor: Akiyoshi Sakai
Estúdio: Pierrot
Público Alvo: Shonen
Gêneros: Militar, drama
Episódios: 3 episódios de cerca de uma hora e 5 minutos cada (mais fácil achar em duas partes que ainda contem o todo)
Sinopse  (fonte: MyAnimeList):  Shin Kazama é enganado e forçado a pilotar pelo país remoto de Aslan, e só pode escapar do inferno da guerra juntando dinheiro ao derrubar aviões inimigos ou morrer tentando. Ao longo da série, Shin deve lidar com as consequências de matar e amigos morrendo ao seu redor enquanto ele tenta manter o foco em se libertar desse pesadelo. 

Uau! Quanto atraso. Area 88 foi o primeiro anime da cota DO MÊS PASSADO. Que eu falhei em cumprir, só assisti 2 de 5. Vou tentar me recuperar nos próximos dias. 

Segundo e ultimo anime da categoria "Drama de guerra" na lista dos 60.

Area 88 tem uma história simples, e vocês sabem o que isso significa: Não tem tanto o que dizer. Ate que é um drama bem interessante, e eu fui bem mais afetado pela situação na qual Shin se encontrava comparado ao quanto Grave of the Fireflies me afetou. Consigo imaginar bem mais facilmente o quão horrível é a sensação do protagonista tendo que lidar com aquilo tudo. 

Dito isso, os personagens são todos simples e chatos. O interesse romântico do protagonista é super genérico, o rival que o enganou é genérico, todos os outros personagens são genéricos. Pra ser justo, é uma obra bem antiga, num tempo que talvez esses clichês não tivessem ainda sido martelados na cabeça da publico incessantemente. Ainda assim, personagens interessantes são um requisito, com ou sem clichê, e não acho que uma obra possa ser 100% desculpada por usar personagens tão básicos, não importando a época. 

Outra coisa que me incomodou é que o anime a partir da segunda parte repete muito a ideia de que se você mata pessoas com frequência no campo de batalha, vai eventualmente ficar viciado nisso e nunca conseguirá voltar a uma vida normal. Claro que síndrome de estresse pós-traumático existe, veteranos de combate passam por muita coisa e tem problemas de se adaptar... Mas eu duvido que na maioria dos casos isso signifique "quero voltar pra guerra pra me sentir normal de novo", isso soa ridículo pra mim. Estou interpretando errado a síndrome? Eu não estou dizendo que tais casos são impossíveis, apenas que não são o padrão, como os personagens do anime acreditam e o enredo enfatiza. 

Esse fator e uma pequena série de desencontros casuais que geralmente não incomodariam ninguém em tempos pré-smartphone (como no período do OVA), acabam levando a um final frustrante, decepcionante. Ao menos foi com esses fatores que o anime justificou: o manga justifica melhor e vai bem alem do que os OVAs mostram. 

Agora... sobre a animação... É decente pra época, nada especial, eu acho, mas não sou especialista. Estou apenas considerando que Akira e Grave of the Fireflies saíram apenas 3 anos depois e são muito mais bonitos. Talvez alguma nova tecnologia se espalhou nesses 3 anos, ou talvez a animação de Area 88 seja mediana mesmo. 

Ok, agora algo positivo: o ritmo é bom e os desafios que surgiam para Shin e os pilotos da Area 88 eram realmente interessantes. Por incrível que pareça eu gostei das cenas de combate entre caças, o que é inédito pra mim: batalhas aéreas em filmes de guerra já me pareciam chatas quando eu era criança, e imaginei que pareceria bem mais agora. Mas foram decentes, devidamente tensas e criativas, e não muito longas, não eram o foco do anime, e realmente não deveriam ser. 

Outro ponto positivo é... Francamente, não sei. Eu na verdade ainda achei um anime acima da média, apesar de ter criticado muito mais que elogiado. Acho que o drama sendo interessante e as batalhas relativamente boas bastaram o bastante pra compensar em parte os defeitos que citei, mesmo que não bastem pra me fazer continuar lembrando muito desse anime no futuro. Nada memorável. Nota 6/10.


Acreditem, melhor trailer que consegui achar. O próprio OVA  em suas duas partes se encontra legendado em inges no youtube, pelo menos. 


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Re: Auto-Desafio: 60 Animes Em 2 Anos

Mensagem por Thear em Dom 07 Ago 2016, 01:36

30 - Digimon Tamers
Diretor: Yukio Kaizawa
Escritor: Chiaki J. Konaka
Estúdio: Toei Animation
Público Alvo: Shonen
Gêneros: Aventura, comédia, drama, fantasia.
Episódios: 51 + 2 filmes curtos
Sinopse (fonte: TV Tropes)(longa, e olha que cortei metade): Matsuda Takato é um garoto comum que é grande fã da franquia Digimon e do jogo de cartas (CCG) associado. Um dia, uma estranha carta azul transforma seu leitor num Digivice, que por sua vez trás a vida um Digimon criado pelo próprio Takato: Guilmon. Mas ter um dinossauro vermelho que cospe fogo como bicho de estimação é apenas o começo dos problemas de Takato: as barreiras entre o Mundo Digital e o Mundo Humano estão começando a se desfazer, e  Digimons hostis estão aparecendo no mundo real para causar destruição.

Momantai!

Digimon Tamers talvez seja o menos lembrado por pessoas de minha idade dentre as quatro primeiras temporadas (que foram lançadas anualmente de 1999 à 2002) de Digimon. Mas entre os fãs mais assíduos que de fato acompanham a franquia (dentre os quais me incluo, ate certo ponto), Tamers compete com a temporada original (Adventure) pelo titulo de melhor série da franquia.  Eu sou um dos que concorda que Tamers é superior.
Imagino que é menos lembrada por ter quebrado as expectativas que as crianças tinham na época: foi a primeira temporada da franquia que abandonou a cronologia original estabelecida por Adventure 1 e 2 (ok, existem conexões, mas são impossíveis de perceber pra quem não conhece os jogos da franquia); também abandonou a sensação de aventura que os dois Adventure tinham, teve um ritmo bem mais lento na primeira metade, e alem de tudo incluiu temáticas mais sérias e pesadas que não devem ter interessado as crianças que assistiam. De fato, é de longe a mais sombria das séries de Digimon, ao ponto de que existiu a discussão sobre ser talvez inadequada para crianças.

Digimon Tamers é as vezes chamado de "Serial Experiments Lain para crianças" (o fato de contar com o mesmo escritor ajuda). Além de contar com os dramas familiares que já eram típicos de outras temporadas de Digimon, Tamers também mergulha um personagem em completa letargia depressiva a partir de certo ponto, o que passa a ser parte do foco da série ate o seu final, junto com os esforços desesperados de alguns outros personagens em resgata-lo e a ameaça ininterruptível de uma entidade destrutiva apática ao estilo Lovecraft. Ie... Eu não diria que é sombrio demais a ponto de talvez perturbar ou traumatizar crianças, mas que é sombrio ao ponto de que seja um desperdício que isso tenha sido um anime focado num publico alvo tão jovem. Com essa COR voltarei a essa linha de pensamento mais adiante.

Como é normal em animes voltados a crianças ou pré-adolescentes, a falta de comprometimento com a qualidade atrapalha muito a obra. Provavelmente mais da parte de produtores de alto nível e executivos que dos artistas em si, claro. Estou falando de obvia animação barata, e de ter o dobro do número de episódios que deveria ter.
O anime não tem conteúdo o bastante pra 51 episódios, maldição! Leva ate a metade pra começar a ficar bom, e finalmente se destaca nos últimos 10 ou 15 episódios.  Os 10 primeiros episódios são horríveis, com pouco conteúdo importante e drama bobo entre Takato e Guilmon. Há uma grande melhora já no 11º (há outro salto de qualidade do 40º pro 41º, é bizarro), mas ainda é arrastado e o sistema de "monstro da semana" que é tradicional da franquia, não funciona nessa temporada em específico. Por que? Porque as demais temporadas (exceto Data Squad, a 5ª), se passam desde o começo no mundo digital, com as crianças se aventurando de um lugar a outro, o que torna fácil justificar "monstro da semana". Tamers tem o grupo de inimigos "Devas" surgindo e atacando os protagonistas um de cada vez, mesmo depois de vários deles terem morrido lutando com os heróis. WTF? O que é isso, Power Rangers? Quem diabos não aguardaria um bom momento pra atacar em grande número numa situação dessas?
Ah, tem também uma organização misteriosa de humanos que é incompetente em enfrentar tanto os digimons invasores quanto os heróis. Eles se tornam mais uteis e interessantes no arco final da série, mas inicialmente não são nada alem de um incomodo que não acrescenta nada interessante. É triste quanta bobagem tiveram que adicionar pra tentar preencher 51 episódios. 26 episódios teriam bastado.

Mas ei! Tamers tem desenvolvimento de personagens real, isso é incomum em qualquer tipo de shonen! Também tem bom drama; exceto pelos problemas iniciais envolvendo Takato e Guilmon, o resto é bem realista e fácil de se identificar. Eu geralmente não ligo muito pra drama familiar, mas não tem tantas opções considerando a idade dos protagonistas, e mais pro final as coisas ficam bem mais intensas que isso, apesar de que ainda relacionado. Tem também um herói trágico envolvido, que inicialmente é um rebelde inconveniente mas pouco relevante, mas muda de papel diversas vezes: frustrado e buscando proposito, corrupção e loucura, e busca por redenção. Outro ponto positivo são as cenas de batalha, mas só nos episódios finais. No geral elas são básicas e entediantes. Hmm... O anime também é bem sucedido em ser engraçado e adorável em certos momentos, especialmente com Culumon e Terriermon.

Agora que já falei do mais negativo e do mais positivo, aqui vai o mais estranho: Porque raios o anime da tanta importância e foco para aquela professora? A série mostra ela com frequência durante o primeiro arco e ate faz algum estudo da personalidade e conflitos pessoais dela, e aí ela desaparece ate um dos episódios finais, e nunca faz nada relevante. É o tipo de coisa que me deixa muito curioso... O que raios levou os roteiristas a darem tanta atenção a uma personagem que obviamente não importava? Era pra ser engraçado? Mas era ate mais trágico que engraçado... Nunca saberei.


E quanto a parte de ser sombrio demais pra crianças e tal? Bom, eu já disse que não concordo. O ocidente parece não ter ideia nenhuma de faixa etária e publico-alvo, é um padrão histórico já. Empresas, autoridades e pais sempre subestimam a capacidade das crianças de lidar com certos conteúdos e o tipo de conteúdo que querem. Mas crianças conseguem aguentar mais complexidade e um espectro emocional maior, não é a toa que as que são mais privadas de conteúdo destinado a uma faixa etária maior pelos pais frequentemente tentam achar meios de obter esse conteúdo, em vez de ficar satisfeitas com o que quer que alguém tenha decidido que é adequado a idade delas. Não estou sugerindo que não existe conteúdo que seja excessivo pra crianças, que possa perturba-las, estou sugerindo que a maioria das pessoas parece ter uma ideia muito errada de que conteúdo é desejado e adequado pra cada idade. A percepção não esta alinhada à realidade.
Já perceberam que personagens de cartoons ocidentais tem um espectro de emoções tão limitado? Todas as emoções são caricaturadas, simples, e se resumem ao punhado de emoções mais genéricas que todos sabem nomear e que são personagens em Inside Out... + Surpresa, as 6 emoções básicas de Paul Ekman, na verdade. Tudo simples, limitado, com fins humorísticos. Ate mesmo cartoons mais sérios, como os de ação baseados em super heróis ou coisa do tipo. Só nos últimos anos o espectro emocional dos cartoons infantis ocidentais esta se expandindo (Adventure Time, Steven Universe, etc. Sem falar de Avatar, que esta mais pra um anime ocidental), com personagens tendo que lidar com problemas que não podem ser resolvidos apenas com chutes e socos ou com uma piada.
Os desenhos nos quais encontrávamos essa complexidade e maturidade um pouco maior não eram os ocidentais, mas os animes. Mesmo que Dragon Ball e Naruto nem cheguem perto de ser obras "adultas", eles tem sangue, desespero, lagrimas, morte. Mesmo algumas ainda mais infantis ainda tem maior complexidade, coisas como Beyblade ou Yugioh (que, alias, também tinha morte, mas foi substituído por "banido para o Reino das Sombras", no ocidente). Apenas os mais infantis, como Pokémon, demonstram maior simplicidade emocional, apesar de ainda ter violência frequente.
Mesmo se desconsiderarmos a enorme diversidade de estilos e ideias que trazem, o aspecto emocional dos animes já é algo único para audiências ocidentais. Algo que não costumam ver em outros "desenhos". Não imagino que ponto negativo possa haver em mostrar às crianças como as pessoas podem ser complicadas, que emoções podem apresentar, e porque, e como talvez lidem ou não com isso. Antes de Data Squad, todas as temporadas de Digimon tinham uma estética que podia ser confundida com a de animes majoritariamente infantis como Bayblade ou ate Pokémon, mas sempre teve em seu conteúdo um conteúdo emocional mais profundo que outros, e Digimon Tamers em especifico vai mais um nível acima. Tamers não é demais pra crianças, elas aguentam.


... Mas talvez, mudando agora de assunto, ser destinado a um publico mais infantil é de menos para Digimon Tamers. É o escritor responsável por Lain! É é bastante obvio no decorrer do anime todo o quão melhor poderia ter sido se não se preocupassem em apelar pro publico que vai querer comprar os brinquedos licenciados. A ação poderia ter sido mais intensa, o drama teria um foco maior, e o vilão final poderia ter sido incrível e genuinamente assustador. Somado a um orçamento maior e menos episódios, Tamers poderia ter feito da franquia Digimon algo muito maior que "aquela copia da Pokémon que eu gostava quando criança", que é como a franquia é vista pela maioria das pessoas.

Mas essa não é a realidade. Nota 6/10, eu poderia dar algo muito maior se meus parâmetros fossem apenas animes voltados a essa faixa-etária, talvez ate um 9, mas não é o caso.

E estou me prolongando aqui. Desculpe se esse post talvez tenha entrado numa tangente excessiva, eu realmente me importo com o assunto e também estou procurando maneiras de melhorar o conteúdo dessa série, então esse post em específico foi meio experimental. Espero que não tenha ficado muito chato.

Aqui vai a abertura original, que é a melhor entre todas as aberturas de Digimon. Mas também vou adicionar a abertura nacional, que é considerada uma das melhores versões dubladas de aberturas de animes. Mas ainda é inevitavelmente simples e boba em sua letra comparada à original.
Lembrando que Wada Koji, responsável pelas aberturas e por partes da trilha sonora da franquia Digimon, morreu em 29 de janeiro desse ano, 2016.

Edit: Ah! Esqueci de falar dos dois filmes! O primeiro se chama Battle of Adventurers se cria uma nova conexão (pequena) com o universo de Adventure e 02. Se quiser assistir, veja-o logo após cada um dos 3 digimons principais tiver atingido sua forma perfeita/ultimate/kanzentai pela primeira vez, durante arco dos Devas. O filme é horrível.
O segundo é Runaway Locomon, que se passa depois do final de Tamers, e contradiz parcialmente a situação ao final do anime. Apresenta um conceito muito presente durante Digimon Frontier (a temporada seguinte à Tamers). E também é horrível.
Nenhum dos dois vale a pena ser visto a menos que tu faça muita questão de conhecer a obra toda.


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Re: Auto-Desafio: 60 Animes Em 2 Anos

Mensagem por Thear em Qua 12 Out 2016, 04:47

10 - Serial Experiments Lain
Diretor: Ryutaro Nakamura
Escritor: Chiaki J. Konaka (Sim! O mesmo cara que escreveu o anime anterior, Digimon Tamers)
Estúdio: Triangle Staff
Ano: 1998
Público Alvo: Seinen
Gêneros: Drama, mistério, psicológico, sobrenatural, ficção cientifica.
Episódios: 13
Sinopse(fonte: MyAnimeList): Iwakura Lain, uma garota introvertida de catorze anos, é uma das muitas garotas de sua escola a receber um email perturbador da colega de classe Yomoda Chisa - a mesma Chisa que recentemente cometeu suicídio. Lain não tem nem o desejo em a experiencia para lidar sequer com tecnologia basica; no entanto, quando a tecnófoba abre o email, é levada diretamente à Wired, um mundo virtual de redes de comunicação semelhante ao que conhecemos como a internet. A vida de Lain é virada de cabeça pra baixo conforme ela começa a encontrar mensagens crípticas uma após a outra. Homens de preto estranhos começam a aparecer onde quer que ela vá, fazendo perguntas e de alguma forma sabendo mais sobre ela do que ela própria sabe. Com as barreiras entre realidade e ciberespaço rapidamente se rompendo, Lain é confrontado por eventos mais bizarros e surreais nos quais identidade, consciência e percepção são conceitos que recebem novos significados.

Present day... Present time! Hahahahahaha!


É intimidante falar sobre Lain. Tão intimidante que é parte do motivo de eu estar TÃO atrasado nos posts no momento. O outro motivo é procrastinação, claro... Talvez ainda o principal. Mas é intimidante sim, esse anime realmente me pôs numa situação em que eu tive que me esforçar muito pra decidir o que falar a respeito, e ate esse momento no qual estou escrevendo, eu não realmente sei. Especialmente considerando que, a partir do post anterior (sobre Digimon Tamers), eu havia decidido tentar subir o nível e fazer textos mais aprofundados e tentando abordar alguma discussão maior levantada de alguma forma pelo anime. E logo em seguida eu tenho que lidar com esse mindfuck que é Serial Experiments Lain!

Vamos começar devagar então, pela unica parte fácil, a parte audiovisual: Lain é um anime lindo. É um anime com orçamento baixo, mas em nenhum momento isso me passou pela cabeça durante toda a série, mesmo que em retrospectiva pareça obvio. O estilo escolhido pra cortar gastos na produção encaixou como uma luva na obra, acrescentando muito ao invés de prejudicar. A apresentação as vezes distorcida do mundo nos ajuda a ver as coisas como a protagonista vê, os momentos silenciosos e a trilha sonora simples adicionam a tensão e ao mistério quando não tem realmente nada acontecendo na tela, como um filme de terror de alto nível. Desde o primeiro minuto de Serial Experiments, antes que qualquer coisa aconteça, já fica obvio que tem algo de muito diferente e... sinistro, nesse anime.

Agora vamos a parte difícil, todo o resto.
Primeiro eu quero falar de protagonista... Eu amo Lain.. Ela agora é um de meus personagens favoritos de qualquer ficção... Eu estou atualmente usando ela como minha imagem de perfil aqui no site, até! Não é um simples apreço por uma personagem muito bem feita... Estou falando de, praticamente, afeto à personagem. Lain é no inicio da série tão inadequada para o mundo ao seu redor que não parece ter nenhum interesse pessoal alem ficar largada na cama vestindo uma roupa de urso, e então entra em contato com a Wired, e assim cria uma conexão com seu outro eu, a Lain da Wired. Lain rapidamente se aprofunda na exploração da wired de maneira excêntrica, transformando aos poucos seu quarto em algo semelhante a um laboratório de ficção cientifica, com tantos computadores e outros dispositivos eletrônicos que precisa alagar permanentemente o quarto para manter o resfriamento. Lain sofre pra conciliar sua vida recém nascida na wired, um mundo que domina totalmente, com sua também jovem vida social, sustentada quase que exclusivamente por sua relação com a melhor amiga, Alice. Acima de tudo isso tem que lidar com as interferências de sua contra-parte digital, a "Lain da Wired", que começa a interferir em sua vida, chegando a atrair para Lain a atenção (por vezes violenta), de grupos interessados especificamente na Lain da Wired. Mas ela É a Lain da Wired, não? Bom, por muito do anime não fica claro se sim ou não, mas fica claro que a Lain física não sabe. Pela maior parte da série vemos Lain simultaneamente em confusão, aflição e... apatia? Enquanto tenta entender o mundo real, a Wired, como eles se relacionam, se algum deve ter prioridade sobre o o outro, e qual, e qual o papel dela nisso, e quem mais esta envolvido? Então, nos episódios finais (sem spoilers, don't worry), podemos vê-la em seu real potencial, mas também forçada a lidar com as consequências do uso de tal potencial. Ela é uma... criatura diferente, que não pode se encaixar, e muito do anime é sobre isso.

Mas quem sou eu pra dizer sobre o que o anime é? Quero encerrar a parte sobre a personagem adicionando outro motivo pelo qual me afeiçoei tanto a ela, e que também serve pra iniciar a próxima parte desse texto.

Lain é um mistério. Não A Lain, mas "Serial Experiments Lain".  E eu me dediquei muito a entender esse mistério enquanto a assistia e a estuda-lo após isso, buscando mais pela internet. O anime é fascinante, e a garota Lain é o rosto (e nome) desse mistério, então acho que em grande parte associei a essa figura o fascínio que a obra toda me gerou... E não parece injusto, o anime é realmente muito centrado nela.
O anime começa extremamente críptico, não faz questão de explicar nada com facilidade pra audiência, apesar de que a maior parte do que se precisa saber esta ali. La pela metade ele fica mais aberto, e ate tem cenas inteiras de "documentários", pra ajudar a audiência, mas CUIDADO COM ELES. Um dos documentários em especial, parece ter sido intencionalmente criado pra distrair a audiência, tendo uma relação muito pequena com a trama, mas fingindo ser muito mais importante que isso...
... No geral, é possível entender a a maioria da trama de Lain na primeira vez que se assiste, se prestar muita atenção. Eu consegui... E depois mergulhei num redemoinho de videos, posts em fóruns e sites antigos internet afora com analises, teorias e interpretações de Lain, pois eu sabia que não tinha compreendido o bastante. Sim, de fato eu falhei em entender alguns pontos relativamente importantes da trama, mas no fim vários detalhes não podem ser realmente compreendidos, e devem ser interpretados. Os autores do anime admitiram isso, muito da série é intencionalmente deixado aberto à interpretação. Lain não é como Evangelion: uma trama superficialmente simples com diversas camadas e centenas de pequenos detalhes e que pode ser completamente esmiuçada, analisada e discutida pelos fãs ate que um consenso seja alcançado sobre a explicação de cada personagem, simbolo, metáfora, e pedaço da trama. Lain é uma trama superficialmente complexa com duas ou três camadas, cujos elementos mais importantes podem ser compreendidos e explicados pelos fãs, mas também com vários pontos aparentemente importantes que não tem uma explicação correta, e nem precisam ter uma para funcionar com a trama. Isso fez algum sentido? Eu sinceramente não sei... Talvez eu apenas esteja tentando inventar qualquer bobagem pra justificar todo o esforço que tive em entender isso tudo. Há!

Não, não. É um fato que é um anime em grande parte interpretativo. Mas também é um fato que eu não o absorvi o bastante pra poder falar dele. Ainda bem que considero esses posts como "impressões" e não "analises". Se fosse uma analise, eu jamais postaria antes de assistir Lain varias vezes ate ter algo mais concreto pra comentar a respeito. Eu vou assistir Lain de novo no futuro, sem duvida. Mas provavelmente será depois de terminar esse desafio, não tenho pressa. Serial Experiments Lain esta além dos meus limites pra fazer uma boa argumentação a respeito tendo assistido uma unica vez. Eu decidi escrever a respeito mesmo me sentindo tão inadequado para tal porque... 1: Faz parte das regras que estipulei no começo do desafio. 2: Achei que teria algum valor pra da uma ideia de minha experiencia com o anime de qualquer forma. 3: Porque eu acho que acaba gerando sim uma discussão valida, apesar de que não vou muito longe nela.

A discussão vem do fato de que eu normalmente não gostaria de uma obra fictícia que deixasse vários elementos em aberto. Especialmente se tratando de ficção cientifica. Eu acho frustrante a experiencia de montar um quebra cabeça que uma obra de arte lhe oferece, para ao final perceber que o quebra cabeça não tem solução, ou a solução não faz sentido. Se uma série quer ser surrealista, vá em frente e faça a festa com isso, não tem problema se não passar a impressão em algum momento que aquele surreal tem explicação, quando na verdade não tem, ou a explicação depende de uma interpretação ou outra.
Mas de Lain eu gosto. Porque o quebra cabeça me ajudou a me colocar ao lado de Lain, tentando compreender e lidar com a situação toda... E ao final, ela com certeza entende muito mais do que aconteceu do que qualquer expectador, e não tem problema, porque Lain é realmente uma criatura diferente, que não se encaixa, e não somos como ela. E porque em nenhum momento em que estive queimando o cérebro e desmontando a internet procurando entender melhor essa loucura toda eu me senti frustrado... o anime todo é agradável, e tão bem feito e claramente inteligente que nunca me pareceu ser pretensioso. O anime me fez refletir muito, exercitou o cérebro e me inspirou pra futuras ficções minhas, e assim cumpriu seu papel como arte. Valeu cada segundo.

E... já não sei o que dizer. Já me impressiono que consegui enrolar ate aqui! Acho melhor encerrar logo. Serial Experiments Lain é um 9/10. Existe alguma chance de cair para 8, mas não decidirei enquanto não assistir de novo, o que deve demorar muito.

Francamente... Estou muito satisfeito de deixar esse anime pra trás. Eu não estava preparado pra falar dele, ainda sou novato nesses textos sobre animes. Quando for um veterano acho que poderei fazer muito melhor. Espero.

A abertura, que eu acho excelente.



Última edição por Thear em Qua 19 Jul 2017, 22:01, editado 1 vez(es)

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Re: Auto-Desafio: 60 Animes Em 2 Anos

Mensagem por Tarin em Qua 12 Out 2016, 16:11

Ah, o primeiro do top 10, então. Parece que realmente faz jus à categoria(foi a maior nota até agora, não foi?). A premissa parece interessante, é esteticamente bem bonito mesmo, e essa camada de complexidade que potencialmente tem por trás da história tambem parece bem animadora.

Vou assistir a ele logo, aí vou ver se tenho algumas ideias pra gente conversar sobre os possíveis significados e mensagens escondidas, hehe.


Última edição por Tarin em Qui 13 Out 2016, 11:45, editado 1 vez(es) (Razão : sp)

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Re: Auto-Desafio: 60 Animes Em 2 Anos

Mensagem por Thear em Qui 13 Out 2016, 02:38

Sim! É a maior nota ate agora. Mesmo que eu talvez ainda tenha gostado mais de Usagi Drop, eu tenho a impressão de que Lain me afetou muito mais e merece uma nota ainda mais alta por isso.

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Re: Auto-Desafio: 60 Animes Em 2 Anos

Mensagem por Thear em Ter 18 Out 2016, 12:14

59 - Sayonara, Zetsubou Sensei
Diretor: Akiyuki Shinbo
Escritor: Kenichi Kanemaki
Estúdio: Shaft
Manga: Koji Kumeta
Ano: 2007
Público Alvo: Shounen
Gêneros: Comédia, paródia, escolar.
Episódios: Original - 12. Zoku Sayonara, Zetsubou Sensei - 13. Goku Sayonara, Zetsubou Sensei - 3. Zan Sayonara, Zetsubou Sensei - 13. Zan Sayonara, Zetsubou Sensei Bangaichi - 3. Total - 44.
Sinopse (fonte: MyAnimeList): Itoshiki Nozomu é um professor de ensino médio tão pessimista que mesmo o menor dos infortúnios pode leva-lo a um grande desespero; algumas dessas "catástrofes" ate o levam a tentativas de suicídio. Sayonara Zetsubou Sensei é uma comédia slice-of-life satírica que cobre vários aspectos da vida e cultura japonesa atraves dos olhos de Nozomu e suas interações com seus estudantes: Komori Kiri, uma hikikomori que se recusa a deixar a escola; Kobushi Abiru, uma garota misteriosa que frequentemente chega à escola com ferimentos sérios e inexplicados; a super-otimista Fuura Kafuuka, o completo oposto de Nozomu; e muitas outras garotas incomuns, todas tão excêntricas quanto seu professor.


Zetsuboushita! A natureza repetitiva desse anime me deixou em desespero!

Nah, não foi tão ruim. No geral eu ate gostei de Sayonara Zetsubou Sensei, apesar de que não posso negar que podia ter sido muito melhor, pelo menos para o meu gosto quanto a comédia. 

Apesar de ter tanto foco em humor negro (quase todos os personagens tem algum tipo de condição psiquiátrica séria, que é feita em piada na série), esse anime é no geral bem leve de assistir... "lighthearted". É talvez um dos poucos casos em que eu acho que talvez uma série pudesse ter sido realmente melhor se eu não tivesse maratonado... Ou não? Talvez não, eu cansei do humor da série após umas duas temporada (a terceira temporada deu uma melhorada de volta, mas nunca voltei a me divertir como na primeira metade da primeira), então talvez eu simplesmente perdesse o interesse em ir atrás dos novos episódios se tivesse acompanhado essa série conforme fosse lançada (e se não fizesse parte de um desafio auto-imposto). 

Acho que preciso esclarecer um pouco melhor como anime funciona antes de continuar. A maioria dos episódios adapta 2 capítulos do manga... isso faz com que frequentemente as duas metades do episódio não tenham nada ou quase nada a ver uma com a outra. Literalmente a trama toda muda no meio. 
Isso não importa muito porque o anime não se interessa em mostrar uma história a longo prazo. Tanto é que frequentemente as adaptações do manga pelo anime nem estão numa ordem continua... tu pode ver um episódio do anime que na primeira metade é uma adaptação do capitulo 134 do manga, e depois adapta o capitulo 97. Sayonara tem realmente como objetivo ser uma série de curtas isolados, com pouca continuidade, e apenas utilizando dos mesmos personagens e piadas recorrentes. 

Piadas recorrentes talvez não seja o termo... Piadas REPETIDAS TALVEZ INFERNO. Logo na primeira temporada (depois de apresentar a maioria dos personagens mais importantes) a série cria um padrão e quase nunca o abandona, e nem o distorce com frequência. Alguma situação qualquer faz com que alguma das alunas de Zetsubou-Sensei faça alguma observação qualquer sobre cultura, vida social, ou coisas cotidianas, e em seguida o professor e outros personagens começam a lançar diversos exemplos que apoiam, discordam ou expandem sobre essa observação. É nesse ponto que o anime esta frequentemente comentando e satirizando elementos da cultura japonesa (apesar de que as vezes sai dessa área). Não deixa de ser interessante para aprender mais sobre a cultura japonesa, e talvez seja bem mais engraçado pra quem já a conhece melhor, mas logo isso me cansou.  O fator da surpresa é um dos principais elementos do humor, uma dos principais motivos por trás de toda a funcionalidade do riso, no ser humano, e ao repetir com tanta frequencia o mesmo padrão, "Sayonara, Zetsubou Sensei" joga a criatividade pela janela e se permite ser comparada pela minha pessoa por algo como ZORRA TOTAL. Claro, não vou exagerar aqui... em termos de inteligencia e humor esse anime esta varias escalas acima de Zorra Total, mas o fato é que ambos compartilham a mesma característica como principal erro: repetitividade. 

Os melhores episódios são quase sempre os que apresentam novos personagens. Porque são os episódios que adicionam à continuidade do anime, criam situações novas, piadas novas. Por isso gostei da primeira temporada bem mais que das outras; ela tem muitas apresentações de novos personagens, enquanto nas seguintes isso se torna cada vez menos frequente. Adoraria se houvesse um foco maior na continuidade... ate porque, eu fui atrás dos ultimos capitulos do manga depois de ver o anime (o anime não chega ate o fim do manga) e lá esta um dos plot twists mais incríveis que já vi... que foi discretamente sugerido ao longo da série e nas aberturas do anime, e que teria sido 10 vezes mais incrível se a trama a longo prazo tivesse sido mais valorizada ao longo da série. Os episódios também são melhores quando focam mais nas situações pelas quais os personagens estão passando, em vez de usa-las apenas como trampolim pra facilitar ao autor ficar fazendo todas as suas observaçõezinhas sobre o mundo e o Japão, sem o minimo de sutileza. 

Alias, sutileza... Sayonara, Zetsubou Sensei falha miseravelmente na ideia de "show, don't tell". A ideia de que alguma ideia, elemento ou revelação de uma ficção deva ser mostrada à audiência através de eventos, imagens, etc... Em vez de simplesmente ser dita ou explicada pelos personagens. O anime frequentemente fala "Ei, esse aspecto sobre a cultura japonesa é engraçado, não? Já reparou? Não é engraçado? Ria!" (parafraseando cinicamente), em vez de criar uma situação que ilustre e chame atenção para o tal aspecto e permitir à audiência perceber por si só do que se trata... mesmo quando cria direito tal situação, é frequente que algum personagem simplesmente explique o comentário social da coisa logo em seguida. 


Caramba! Estou esculachando o anime.. vou dar nota 3, eu acho... NÃO! Sayonara, Zetsubou Sensei não é tão ruim assim. Eu ate gostei. A divisão da série em pequenas situações isoladas, sem nenhum arco maior, acaba tornando a muito pouco memoravel, então eu tenho lutar um pouco pra não considerar exclusivamente as impressões a longo prazo que ficaram em mim (quase nenhuma), e lembrar um pouco das partes boas que me interessaram enquanto assistia. Então aqui vão elas:

- Até existem algumas boas piadas sutis. Normalmente são coisas recorrentes e relacionadas a personalidade ou o cotidiano de alguma das personagens, em vez de relacionadas as situações principais dos episódios...  Existem pequenas dicas de que a estudante Kitsu Chiri é comunista, por exemplo, o que faz sentido com a personagem dela: obsessiva-compulsiva, que acha que tudo deve estar organizado; equilibrado. 
- Para o terror do criadores de legendas, existem piadas por escrito pra todo lado no anime. Inúmeras por episódio. Eu não acho isso tão bom quanto piadas visuais mais discretas, mas ainda diria que esses detalhes acrescentam sem remover. Mas não deixam de existir algumas boas piadas visuais, das quais as minhas favoritas são o  rabo de cavalo de Ai, que sempre se mexe quando ela fala ou sente certas emoções, e a stalker Matoi, que esta muito frequentemente presente, bem perto de Zetsubou-Sensei. 
-  Eu gosto das referencias (normalmente a outros animes), e a maioria delas não é super obvia. 
- Eu gosto das personagens. Claro, todas tem apenas uma característica a principio, mas isso não é um grande problema em comédia, apesar de que é sempre melhor que se ampliem com o tempo (algumas, como Chiri, chegaram a mudar). No geral eram divertidas, engraçadas. Seria otimo se tivessem sido mais aproveitadas como personagens, não só como ferramentas superficiais do autor.
- Eu gosto do visual, é cômico, encaixa bem. O estúdio Shaft é famoso pela arte. 
- E essa arte Shaft se destaca nas aberturas que...

Caramba! As aberturas. Sayonara, Zetsubou Sensei tem algumas das melhores aberturas que já vi em animes. E acho que as melhores dessa lista. Eu ate agosto mais da musica da abertura de Lain, mas o aspecto visual das aberturas de Sayonara é excepcional também. As aberturas são provavelmente a unica característica do anime que eu classificaria como memorável em qualidade. Em duas ou três das temporadas (não lembro bem agora), as aberturas inicialmente são estilizadas como se tivessem um baixo orçamento, mas depois são normais. "Normais". 
A segunda e a terceira temporada tem mini-séries de OVAs associadas que reutilizam a abertura principal da temporada, mas tem novos visuais, muito bons. E no terceiro episódio da segunda mini-série ("Zan Sayonara, Zetsubou Sensei Bangaichi"), a abertura é estendida, com a musica completa. Quando vi esse episódio e percebi que a abertura estava continuando alem do normal e ficando ainda mais interessante... foi com certeza o momento mais memorável da maratona desse anime. O que é simultaneamente um grande elogio e uma critica significativa à Sayonara, Zetsubou Sensei. 


Bom... Acho que disse o que tinha pra dizer. Nota 6/10. As partes que gostei e o clima leve ligeiramente superam meu desgosto pelo humor repetitivo e frequentemente obvio da série. Mas é uma comédia... super subjetivo, e esse anime é um dos mais populares do gênero... Então talvez vocês gostem, adorem, e tudo mais. Valeu a pena assistir, nem que só pelas aberturas. 

Eu vou por a versão do OVA(Goku Sayonara, Zetsubou Sensei) da abertura principal da segunda temporada aqui, já que as das séries principais são difíceis de achar no youtube. Mesmo que essa não seja a versão que mais gosto dessa abertura.


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Re: Auto-Desafio: 60 Animes Em 2 Anos

Mensagem por Thear em Qua 19 Out 2016, 14:42

54 - House of Small Cubes
Diretor: Kunio Katô
Escritor: Kenya Hirata
Estúdio: Oh! Production
Ano: 2008
Gêneros: Drama.
Episódios: Um só.
Sinopse: É tão curto que qualquer sinopse atrapalharia. 


Esse vai ser muito curto. Porque House of Small Cubes é um curta! Tem 12 minutos. 

E é uma ótima experiencia, bem criativo em seu cenário, e devo dizer que me afetou bastante pessoalmente, pois trás a mente várias ideias sobre a mortalidade, a lenta degeneração e fim da vida de um individuo. Tenho vários problemas em aceitar isso. Não apenas a morte em si, mas o fato de que inevitavelmente o individuo e tudo que fez ou pelo que passou será esquecido. Entropia em ação, a inimiga final da humanidade. Eu vi duas vezes para o desafio, aproveitando que é tão curto, e nas duas vezes me afetou bastante (mas não a ponto de mudar o dia todo).

Gostei da trilha sonora simples também, a musica fica na cabeça e não incomoda muito. A arte é bonita até, mas não meu estilo favorito... A arte, é a partir disso que posso expandir a conversa, na verdade!

Vejam o vídeo ali embaixo. Isso é um anime? Não parece um anime. Mas esta nessa lista de animes. Esta no MyAnimeList. Eu diria que se encaixa em uma das três definições mais comuns de anime que circulam pela internet.

- Anime é um termo japonês para animação. Se aplica a qualquer animação, independente de estilo e origem. É a definição original da palavra, mas quase não é usada assim fora do Japão.
- Animações feitas principalmente para o publico japonês e lançadas inicialmente no Japão. Essa é a definição mais usada no ocidente. 
- O estilo visual característico desenvolvido ao longo das décadas pelas animações da definição anterior. Existem grandes variações entre animes, mas normalmente da pra identificar imediatamente quando um se encaixa. Animações ocidentais influenciadas por essas animações japonesas também contam, e animações japonesas que seguem um estilo fora disso não contam.  

Essa terceira é a que eu apoio e costumo usar. Dessa forma, "Avatar: A Lenda de Aang" e "RWBY" são animes. Mas House of Small Cubes não é, e nem se encaixa na segunda característica também, mesmo sendo feita no Japão por japoneses. Porque afinal, é um curta de animação, num estilo completamente isolado, como esses curtas costumam ser, e não feito para o mesmo publico para o qual os animes indiscutíveis são (esses curtas normalmente são feitos pra festivais, coisas assim). 
Já que eu já mencionei que a terceira definição é a que apoio, então eu diria que não, House of Small Cubes não é um anime. É um curta de animação, o que não é demérito. Mas esta na lista, então assisti anyway, e gostei de ter visto.

Acho que não tenho mais nada a dizer... Já falei o bastante pra um curta, acho. Alias... eu falei mais sobre esse curta do que sobre o primeiro anime desse desafio (contei palavras no Word), o que é uma boa dica sobre o quão mais desenvolvidos esses posts tem ficado. Nota 8/10.

Vou por o curta inteiro aqui mesmo, por que não?

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Re: Auto-Desafio: 60 Animes Em 2 Anos

Mensagem por Thear em Qua 26 Out 2016, 00:35

50 - Shingeki no Bahamut: Genesis
Diretor: Keiichi Sato
Escritor: Keiichi Hasegawa
Estúdio: MAPPA
Ano: 2014
Publico alvo: Shounen
Gêneros: Ação, aventura, fantasia.
Episódios: 12. Por enquanto.
Sinopse: Milhares de anos atrás, o dragão ancião Bahamut causou destruição pelas terras de Mistarcia, um mundo onde tanto deuses quanto demônios vivem entre os humanos. Trabalhando juntos para prevenir a destruição do mundo, as deidades rivais por pouco conseguiram selar Bahamut, concordando em dividir a chave entre eles para garantir que o dragão permaneceria para sempre aprisionado. 
Com o mundo a salvo da destruição de Bahamut, os negócios seguem normalmente para caçadores de recompensa como Favaro Leone. Vivendo um estilo de vida tranquilo e auto-serviço, o amoral Favaro trabalha é perseguido por outro caçador de recompensas chamado Kaisar Lidfard, um homem honrado que jura vingança contra Favaro. No entanto, a vida sem preocupações de Favaro é jogado ao caos quando ele conhece Amira, uma mulher misteriosa que possui metade da chave para a frágil paz mundial.

Ok, esse é difícil. E me causou um atraso de alguns dias após vários posts seguidos aqui no desafio. Mas o motivo é oposto de Lain: Shingeki no Bahamut é muito simples. Simples demais. É difícil pensar no que falar sobre um anime tão simples. Eu ate esqueci algumas coisas sobre a trama já, de tão malditamente simples. 

Bom, vou começar falando das intenções do anime. Fora do obra, o objetivo é servir de publicidade para o CCG para mobile Shingeki no Bahamut. O anime adota uma tática diferente de outros animes baseados em CCGs, como Yu-gi-oh! ou Wixoss. Não se passa num mundo onde o mesmo jogo existe, mas se mistura com o sobrenatural. Em vez disso se passa no mundo de origem das criaturas e personagens do jogo (eu assistiria um anime assim sobre Yu-Gi-Oh!, alias). Não existe nenhuma menção ou indicio da existência do jogo no mundo do anime. E se existisse seria bem difícil justificar... considerando ser um mundo da alta-fantasia medieval e tudo mais. Ficaram interessados em jogar? Que pena, o jogo nunca foi bem sucedido fora do Japão e os servidores ocidentais já fecharam. 
A intenção do anime dentro da obra é da à audiência uma experiencia de aventura, parecida com a de uma campanha de RPG de mesa, tipo D&D ou outros. Um grupo de aventureiros se forma nos primeiros episódios, inicialmente cumprindo umas missões menores nas quais estão interessados, mas com o tempo se envolvendo numa trama de consequências globais, na qual terão que enfrentar demônios, lidar com reinos e com divindades, tudo levando a uma batalha final colossal e épica. 

E é épico mesmo. O ritmo da série e a escalada das situações são bons. Os inimigos enfrentados vão se tornando mais impressionantes gradualmente, e quase imediatamente são mais poderosos que os heróis, mas os heróis são como bons jogadores de RPG, sabendo resolver as coisas na base da destreza, artimanhas, esperteza. Céus, tem uma criatura capaz de devastar o mundo no final, e os heróis não receberam nenhum "power up" no decorrer da trama, então é bom que eles sejam espertos mesmo, pra resolver isso. 
A ausência do power up é essencial pra manter esse clima de aventura no qual o anime foca tanto. Se os personagens fossem ficando mais fortes e em algum momento fossem capazes de fincar o pé e derrotar seus inimigos simplesmente na força bruta, a coisa toda ficaria mais lenta, menos... desesperada. Já que os personagens estão quase o tempo todo em desvantagem, eles estão constantemente em movimento (não só na trama como um todo, mas em cada batalha), e o movimento é parte do necessário pra gerar a sensação de aventura. 

A estética é bem bonita, e  também feita pra contribuir ao máximo a ideia de um mundo "épico". Gosto bastante do design dos personagens. A coisa toda esta associada àquela concepção mais moderna de anjos e demônios, presente na maioria dos animes que os utilizam, mas também bem frequentes em alta fantasia ocidental, tipo Diablo 3. A arte é de boa qualidade, mas a CGI varia entre decente e bizarra. Especialmente bizarra nos dois episódios finais. 

Na pratica, o que mais atrapalha o anime é que a trama toda e os personagens são simples demais. Isso torna muito mais fácil criar aquela atmosfera de aventura que comentei antes, mas em compensação torna o anime muito pouco memorável. Apesar disso não é previsível demais (exceto o primeiro episódio, no qual talvez seja possível prever o final de todas as cenas pouco depois que elas começam, no segundo isso já para), ainda é decentemente interessante. Quanto aos personagens, os dois caçadores de recompensa são genéricos pra caramba e um porre, a mulher demoníaca Amira é pelo menos engraçada as vezes, e a necromante sarcástica em corpo de criança, Rita, é a unica que realmente se destaca. Fora esse grupo principal, todo o resto é tão básico e superficial que nem lembro os nomes deles... Mas lembro os designs! Porque os visuais são realmente legais. 

E... é isso. No fim é inevitável que esse texto siga o padrão dos meus posts pré-Digimon Tamers, porque é difícil falar muito sobre um anime assim. Talvez de pra dizer que se destaca por ser um bom anime de alta fantasia medieval, como o autor da lista de 60 animes insinua, mas eu não tenho os parâmetros pra fazer esse argumento ainda. É uma boa aventura, anyway, e acho que é digno de um 7/10. Tem uma segunda temporada por vir que eu provavelmente terei que assistir, por conta do desafio. 


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Re: Auto-Desafio: 60 Animes Em 2 Anos

Mensagem por Thear em Qui 22 Dez 2016, 02:06

44 - Sailor Moon Crystal - Magical Girl
Diretor: Munehisa Sakai; Chiaki Kon
Escritor: Yuji Kobayashi
Estúdio: Toei Animation
Manga: Naoko Takeuchi
Ano: 2014
Publico Alvo: Shoujo
Gêneros: Magical girl.
Episódios: 39. Por enquanto.
Sinopse (fonte: MyAnimeList): Apesar de um pouco desajeitada e facilmente levada às lagrimas, Tsukino Usagi é uma tipica garota de 14 anos nos últimos anos do ensino fundamental. No entanto, tudo isso muda quando um encontro com Luna, uma misteriosa gata preta falante em cuja testa esta a marca da lua crescente, resulta no anima conferindo um broche magico à garota. Agora Usagi pode se transformar em Sailor Moon, uma garota magica em uniforme de marinheiro que protege o amor e a paz!

A altura desse anime, a nota de Usagi Drop sobe de 8 para 9.

Oukey! Eu enrolei muito, mas é hora de fazer isso de uma vez por todas. Vamos falar de Sailor Moon Crystal!! 

A principal dificuldade que tive em começar esse post foi o fato de que... não tem muito o que dizer, ao mesmo tempo que é um anime tão importante. A adaptação original pra anime de Sailor Moon foi uma das séries mais importantes de sua época (92-97), e a franquia como um todo mudou drasticamente o conceito de "magical girl", no que se refere a gêneros de anime. O termo passou a, quase sempre, se referir a super heroínas com roupas bonitinhas que tem toda uma sequencia de transformação longa e brilhante, e então enfrentam o mal. Magical girl passou a ser o principal gênero de ação voltado ao publico jovem feminino, e com protagonistas femininas. O conceito como um todo representa um avanço em termos de representatividade das mulheres na mídia e nos tipos de obras disponíveis às garotas. Sailor Moon com certeza tem seu lugar na história dos animes e mereceu seu respeito.

Maaaasss... Não se enganem, isso foi nos anos 90. Para os tempos atuais Sailor Moon já esta obsoleto.  E a nova adaptação, Sailor Moon Crystal (que foi o que eu assisti), sofre com isso. Também suspeito que o fato de ser uma adaptação mais fiel do manga (menor filler), expõe o quão vazia a trama e os personagens são. E alem disso tem a arte, que nas duas primeiras temporadas é excessivamente computadorizada, fazendo as personagens parecerem robôs de madeira, incapazes de movimentos fluidos ou naturais. Na terceira isso é corrigido com a mudança de diretor, e a animação passa a ser aceitável. 

Wait, wait, wait. O que eu disse mesmo? Obsoleto?  Arte pode ser obsoleta? Bom, nunca completamente. Sempre vai haver algo de único no conteúdo de uma obra, ou no conjunto do que a compõe. Mas é possível que se torne majoritariamente obsoleta quando suas principais inovações passam a ser lugar-comum entre obras posteriores, ou obras posteriores tenham avançado ainda mais nos mesmos aspectos. Sailor Moon apresenta garotas que se transformar em super heroínas e lutam contra o mal, em vez de ficar chorando e aguardando ser salvas... Mas personagens femininas em papeis ativos assim já é perfeitamente normal em animes atuais, e vale lembrar que mesmo Sailor Moon ainda apresentava vários elementos de conto-de-fadas ao estilo Disney clássico que já não são muito apreciados hoje em dia. A protagonista ainda é salva pelo seu príncipe encantado com alguma frequência... alias, existe um príncipe encantado, a protagonista é secretamente uma princesa magica de um reino utópico (ou pela menos a vida da família real é utópica, esses contos de fadas nunca mencionam o povo comum desses reinos maravilhosos). Mesmo o aspecto central da obra - garotas que se transformam magicamente em super heroínas vestidas de maneira fru-fru - já foi drasticamente expandido (tanto em quantidade [essas são todas da mesma franquia de anime] quanto em complexidade) desde a estréia de Sailor Moon... Introduzir novas ideias a uma mídia artística é apreciado, mas se tal inovação não estiver combinada com uma alta qualidade de escrita e/ou bem abordada o suficiente, a obra não vai demorar a ficar obsoleta. 

Eu também falei algo sobre filler, não?  Sim. Sailor Moon Crystal tem atualmente 39 episódios, e já cobriu 3 das 5 sagas que compõe o manga (Ie, vou ter que voltar a esse post no futuro pra cobrir as ultimas duas temporadas). O anime original dos anos 90 levou 127 episódios pra cobrir as mesmas sagas, e continuou ate o maldito episódio 200!! Agora, eu vou entrar em especulação aqui, então tratem como especulação, não como opinião concreta bem baseada... Eu assistia o original quando criança, passava no Cartoon Network. Acho que eu nem tinha 6 anos, então não lembro quase nada. Mas eu apostaria que o filler melhorou a obra original, o que permitiu fazer o sucesso que fez. Todo esse conteúdo extra ajudaria a compensar a ausência de aprofundamento de personagens e desenvolvimento das relações entre eles (as heroínas se tratam como melhores amigas após se conhecerem por 1 ou 2 episódios, Sailor Moon Crystal não tem praticamente nenhuma pausa na trama para mostrar mais do elenco). Numa série tão extremamente superficial como Sailor Moon, episódios a mais ajudariam a audiência a se importar com as personagens e a trama, mesmo sendo filler (filler? será essa a palavra?). 

Filler quase sempre é negativo... mas não é necessariamente negativo, e pra fazer vocês aceitarem essa ideia, preciso fazer uma diferenciação. Filler é quando conteúdo não-essencial é adicionado a uma estória. Esse conteúdo pode ser pulado sem prejudicar sua experiencia com o total da obra. Não-Canônico é conteúdo adicionado à uma adaptação que não existe na obra original (ou seja, não faz parte do cânone da obra original). Existe filler canônico (ou seja, conteúdo que faz parte da obra original, mas não adiciona nada essencial ao total); e, por estranho que soe, existe conteúdo não-canônico que não é filler (ou seja, não existe na obra original, mas adiciona algo valioso ao total da adaptação). Se obra original fracassa seriamente em explorar seus personagens, trama, ou mundo (especialmente os personagens, o resto é mais dispensável), e tal obra tiver espaço em seu decorrer para tal (ou seja, se for formada de várias grandes sagas, como Dragon Ball ou Cavaleiros do Zodiaco, em vez de uma unica gigantesca, como Naruto), conteúdo não-canônico pode ser adicionado para compensar as fraquezas da obra original. E ao meu ver, em tal caso, tal conteúdo pode ser isento da definição de filler. 

Ok, ok. Eu saí muito do tema só pra especular sobre como não-cânone pode ter beneficiado a adaptação original de Sailor Moon para anime, e como a ausência de tal pode ter prejudicado a adaptação. Vamos voltar ao assunto agora: Sailor Moon Crystal é simplista, previsível, e não tem nenhum respeito por seus personagens. Das 5 Sailors principais, apenas a protagonista não é derrotada instantaneamente em todas as suas lutas depois de sua primeira transformação... Em vez disso a babaca fica assistindo suas melhores amigas apanharem ou sendo sequestradas, e depois é que decide fazer alguma coisa e derrota o inimigo num golpe só. As 3 sagas tem estruturas bem similares umas as outras, tornando-as entediantes já a partir da segunda... 
...Sailor Venus por alguma razão era uma Sailor (Sailor V)antes das outras todas, inclusive a protagonista, mas isso nunca é explicado e é completamente jogado no canto e esquecido, em vez de explorado para aprofundar a personagem. Quando pensei que a história de Sailor Venus como Sailor V teria alguma relevância foi o momento que mais fiquei empolgado com o anime inteiro... mas já no episódio seguinte ficou claro que isso não teria relevancia alguma e a tão experiente e poderosa Sailor Venus apanhou igualmente às outras, e teve que ser resgatada pela Sailor Moon. 

Seriamente, não tem muito que eu possa dizer de positivo sobre essa série toda. Exceto que foi tão importante e revolucionou um gênero de animes... e que é leve e simples o bastante pra não ser uma tortura de assistir, mesmo sendo tão fraca. Nota 3/10 para as duas primeiras temporadas. 4/10 para a terceira. 3/10 no total. Naturalmente revisitarei a cada nova temporada nos próximos 2 anos.  

A abertura é boa ate, mas já da pra ver a animação bizarra em algumas partes, não? Naquele pedaço inicial elas parecem tão magras que poderiam quebrar a qualquer momento. 

Ainda acho fraca comparada à abertura do anime original. Vale lembrar também que a abertura nacional do anime original  tem também uma boa reputação.


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Re: Auto-Desafio: 60 Animes Em 2 Anos

Mensagem por Tarin em Qui 22 Dez 2016, 18:46

Acho que ter "fillers" numa série assim pode ser algo positivo, mesmo... Acho que muito da irritação dos fillers é tu saber que é um filler. Ou seja, que não vai ter nenhuma consequência relevante pra história. Mas se tiver desenvolvimento de personagens, o filler se justifica, de certa forma. Desde que os eventos do filler sejam reconhecidos e não esquecidos imediatamente quando a série volta pro conteúdo adaptado.

A abertura parece tão generica em comparação com a original, lol. Eu gostava de Sailor Moon quando era pequeno, mas hoje em dia já não lembro tanto. Sakura Card Captors era o meu "desenho" preferido na época, ahaha.

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Re: Auto-Desafio: 60 Animes Em 2 Anos

Mensagem por Thear em Dom 19 Mar 2017, 04:24

39 - Revolutionary Girl Utena
Diretor: Ikuhara Kunihiko
Escritor: Enokido Yoji
Estúdio: J.C.Staff
Manga: Saito Chiho
Ano: 1997
Publico Alvo: Shoujo
Gêneros: Drama, fantasia, psicológico.
Episódios: 39.
Sinopse (fonte: MyAnimeList): Depois de conhecer um príncipe viajante que a consolou depois da morte de seus pais, Tenjou Utena jurou se tornar (como um) um príncipe ela mesma. O príncipe deixou Utena apenas com um anel com um estranho ornamento de uma rosa e com a promessa de que ela o encontraria novamente um dia. 
Anos depois, Utena frequenta a Academia Ootori, onde ela é envolvida em um jogo perigoso. Duelistas com aneis como o de Utena competem por um prêmio unico: a Noiva da Rosa, Himemiya Anthy, e seus misteriosos poderes. Quando Utena ganha Anthy num duelo, ela percebe que se for para libertar Anthy e descobrir os segredos por trás da Academia Ootori, ela tem apenas uma opção: revolucionar o mundo.
Revolutionary Girl Utena mistura imagens e ideias surrealistas com alegorias e metáforas complexas para criar uma história de amadurecimento com temes incluindo idealismo, ilusões, vida adulta, e identidade.

É interessante que Revolutionary Girl Utena tenha seguido Sailor Moon no meu desafio. Ambos animes shoujo muito importantes dos anos 90. Utena também tem uma forte (e em minha opinião, não merecida), reputação pró-LGBT. Utena de fato é ousado na questão dos papéis dos gêneros na sociedade, com sua protagonista querendo ser um "príncipe" que protege e resgata mulheres e se veste com roupas mais masculinas, e de fato apresenta uma personagem lésbica, mas que não é uma das protagonistas, e o tema nem é explorado a fundo. Claro, Anthy tem o titulo de "noiva da rosa", e passa a ser a "noiva" de Utena logo no primeiro episódio, mas isso é um titulo simbólico, nem tem nada a ver com casamento no significado comum da palavra. 

Ok. Mas o que eu acho de Utena no geral? A primeira coisa que vem a mente é que Utena se destaca muito em alvo que o anime anterior certamente peca: desenvolvimento de personagem. Utena tem episódios inteiros dedicados a aprofundar e mostrar a evolução de um personagem, ate mesmo alguns que parecem irrelevantes recebem bastante atenção e o anime é muito bom em fazer a audiência se importar com tais personagens. Essa capacidade é com certeza o ponto mais forte do anime, mas é parcialmente arruinada pelo fato de que as mudanças vistas nos personagens ao final de cada episódio quase nunca permanecem nos episódios seguintes. Deprimente, não? Apesar de que essa falta de progresso esta conectada ao tema central da série, mas não vou entrar em detalhes sobre isso pra evitar spoilers.

Revolutionary Girl Utena é em grande parte metafórico, e vai ficando cada vez mais metafórico conforme a série avança, ate o ponto em que remove completamente os pés do chão e fica incompreensível se você não perceber que não esta sendo literal. Eu com certeza demorei demais pra perceber... E seriamente fiquei decepcionado quando percebi. Eu acho valida e ate positiva a presença de metáforas e simbolismos em estórias, mas UTENA NÃO FAZ SENTIDO POR SI SÓ, no fim as metáforas são essenciais pra compreender qualquer coisa, e isso não faz muito meu estilo. Serial Experiments Lain é um quebra-cabeças a ser desvendado, e no final você não tem certeza se conseguiu o resultado certo, ou talvez só tenha conseguido uma das possíveis soluções, mas Utena não pode ser solucionado como um quebra cabeça... ou só pode ser solucionado se você aceitar que a imagem final não será algo compreensível como um castelo francês ou um campo de tulipas, mas sim algo desse tipo, que é esquisito mas que no fim faz sentido. No geral não tenho muito a dizer sobre isso tudo... A ausência de uma explicação concreta para os mistérios da série me incomodam bastante, mas imagino que certas pessoas não teriam nenhum problema com isso. 

Eu ainda gosto do surrealismo da série no geral... as sequencias musicais que se repetem feito rituais antes de cada duelo, empolgantes das primeiras vezes, irritantes depois de um tempo, e eventualmente se tornam confortáveis de acompanhar... Os episódios filler de comédia as vezes completamente absurdos; e especialmente aqueles teatros de sombras que aparecem em quase todo episódio, são engraçados e por vezes dão dicas sobre eventos que estão por vir em episódios futuros ou sobre a trama. 

Eu realmente gostei de Utena no geral... a ocasional monotonia, a natureza repetitiva da trama e PRINCIPALMENTE o fato de que a explicação para os principais mistérios da trama começa com "é metafórico"; são os aspectos que prejudicam meu apreço pela série no fim. Eu ainda acho que o modo que o anime trata dos conflitos pessoais de seus personagens e o surrealismo da série são exemplares e uma boa referencia pra qualquer outra série, no entanto. Foi muito difícil decidir, e no fim ainda me incomoda um pouco dar uma nota tão "baixa", mas dou um 7/10 para Revolutionary Girl Utena. 

A abertura de Utena é uma das minhas favoritas do desafio ate agora. 


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Re: Auto-Desafio: 60 Animes Em 2 Anos

Mensagem por Thear em Seg 17 Jul 2017, 21:46

29 - Dennou Coil
Diretor: Iso Mitsuodo Yoji
Estúdio: Madhouse
Ano: 2007
Publico Alvo: Hmm.. Não sei. Shonen?
Gêneros: Aventura, comédia, drama, mistério, ficção cientifica. 
Episódios: 26
Sinopse (fonte: MyAnimeList): Onze anos depois da introdução de óculos e visores de realidade aumentada conectados à internet, Okonogi Yuuko se muda com sua familia para Daikoku City, o centro tecnológico do emergente mundo meio-virtual. Yuuko se junta à "agencia de investigação" de sua avó, composta de crianças equipadas com ferramentas virtuais e poderosas "metatags". Ela rapidamente cruza caminhos com Amasawa Yuuko, uma hacker especialista do ambiente virtual, a medida que Amasawa busca desvendar o mistério de um virus de computador que emerge de espaço corrompido inacessível. 

Ie, Ie. Vamos pular toda a lenga lenga de "nossa, a quando tempo que não escrevo nesse desafio". Eu sei que estou atrasado, e sei que qualquer post criado após grandes hiatos sai prejudicados. Dane-se, tenho que recomeçar em algum momento.

Acho que a primeira coisa que me vem à mente dizer sobre Dennou Coil é que é ficção cientifica genuína. Verdade, Coil não tenta tanto explicar as tecnologias que apresenta, mas todas elas são bem plausíveis e provavelmente estarão disponíveis no mundo real em poucas decadas. E ainda assim, são tecnologias que nenhuma outra obra de ficção que eu conheça tenha tentado explorar. Ficção cientifica geralmente não lida muito com realidade aumentada, mas há muito potencial nisso. Dennou Coil apresenta conceitos bastante interessantes, como a ideia de que todo o mundo real teria que ser considerado e inserido a um grande sistema de realidade aumentada para gerar o máximo de imersão, e que áreas desatualizadas ou corrompidas poderiam causar problemas em um mundo tão dependente de desse tipo de tecnologia... Não só isso: virus de realidade virtual (aquele insano virus-barba de um dos episódios filler foi uma das coisas mais estranhas que já vi num anime, o que não é falar pouco (com direito a guerra nuclear e tudo), pets de realidade aumentada, e várias outras coisas. Dennou Coil merece sérios créditos por ter me feito especular e filosofar sobre tecnologias futuristas, enquanto a maior parte das obras de ficção cientifica simplesmente repete conceitos já muito explorados por obras anteriores. 

Realidade aumentada é sem duvida a revolução tecnológica mais subestimada pela ficção cientifica. As ideias de ter acesso a grandes quantidades de informação sobre tudo que se vê (identificar uma planta só de olhar pra ela), de poder interagir com o mundo de maneira muito mais complexa e surreal (olhar para grafite numa parede e ver a arte se mover ), ou de interagir com pessoas a meio mundo de distancia como se estivessem do seu lado (ao estilo Sense8), são tentadoras! E mesmo que Dennou Coil foque num aspecto mais infantil disso tudo, ainda é o bastante pra trazer o assunto a tona. Eu com certeza fui inspirado em minhas próprias ideias de ficção cientifica por esse anime. 

Mas mesmo assim, no geral, Dennou Coil não é grande coisa. A trama tem uns elementos de suspense (e ate horror), interessantes, mas é contida pelo fato de que é claramente feita pra ser child-friendly. Não consegui gostar de nenhum dos personagens, também, e de vários ativamente desgostei. A arte também parece ter uma obsessão por tonalidades de bege que é bastante enjoativa. A série vai melhorando nos últimos episódios, mas nunca chega a se tornar memorável, mesmo que tenha influenciado permanentemente minhas noções de sci-fi... Pera, me influenciou permanentemente, mas não é memorável? É... Difícil explicar. Pode-se dizer que Dennou Coil utiliza ideias e conceitos que eu gostaria de ver mais ou usar no futuro, mas que não faz nada interessante com eles em termos de trama ou personagens. 

No fim, acho que Dennou Coil é um 6/10. Ganha pontos o suficiente gerando reflexão para se manter acima da média. Divirtam-se agora com essa abertura mega-genérica:

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Re: Auto-Desafio: 60 Animes Em 2 Anos

Mensagem por Thear em Qua 02 Ago 2017, 21:22

09 - Kaiba
Diretor: Yuasa Masaaki
Estúdio: Madhouse
Ano: 2008
Publico Alvo: Seinen, acho, pois é bem adulto no conteúdo.
Gêneros: Aventura, mistério, romance, ficção cientifica.
Episódios: 12
Sinopse (fonte: MyAnimeList): Agora é possível armazenar dados de memória, de forma que a morte de seu corpo não é realmente "morte". Conforme memórias são armazenadas em bancos de dados, elas podem ser transferidas para novos corpos. Por causa da chamado "troca de memória" que agora ocorre, é possível roubar memórias e altera-las ilegalmente. Um dia, um homem acorda em um quarto em ruínas. Seu nome é Kaiba. Ele não tem memórias, mas ele tem um pingente com a foto de uma mulher desconhecida. 


Ok, vamos começar pelo obvio: em termos visuais, Kaiba é excelente. Um visual cartunesco e único, animação bastante fluida, e que torna a série super "leve" de assistir, mesmo com todo o conteúdo pesado e tenso de uma distopia. 

Ie, bem isso, distopia. Kaiba é visualmente adorável, mas é uma aventura por um mundo horrível, no qual a maioria das vidas não tem nenhum valor e umas poucas tem muito. Basicamente trabalha com o conceito distópico de que tecnologias que permitam imortalidade acabariam se tornando exclusivas aos ricos e poderosas, e subsequentemente abusadas pelos mesmos. Quase qualquer personagem do anime tem uma vida horrível ou passa por algum evento super deprimente. Also... Kaiba tem uma das cenas de sexo mais bizarras e perturbadoras que já vi em ficção, com efeito acentuado pelo tal visual cartunesco. Então... não subestimem o anime pelo visual. 

E isso acaba levando a um dos pontos principais desse texto. Kaiba executa bem uma das minhas maneiras favoritas de retratar uma tragédia em ficção: casualmente. Em uma questão de segundos, uma reviravolta ocorre e um personagem é executado de maneira rápida e indolor, e a série não se prolonga nisso nem faz questão de incentivar o drama do momento (as vezes o faz, mas por fazer pouco potencializa os momentos em que o faz)... A vida de alguém simplesmente é apagada num instante... E todas as memórias e emoções dessa pessoa vão junto, se ela não for um dos privilegiados... O fato da série não insistir tanto em esfregar essas tragédias na cara da audiência ajuda a destacar a "insignificância" desses personagens no mundo em que vivem. E isso me afeta muito. 

Eu tenho um sério conflito com a mortalidade humana: considero-a inaceitável e um desafio que precisamos superar no futuro, e perseguir a tecnologia para tal... E considero ainda mais inaceitável a "segunda morte", o momento em que alguém é esquecido e toda a sua influência no mundo, por menor que seja, deixa de ser percebida por qualquer pessoa. Kaiba se passa em um mundo em que a morte foi, pela maior parte, superada, inclusive a segunda morte (ser esquecido), mas isso acaba sendo usado como ferramente para acentuar a desigualdade social, e assim privar parte da população de tais possibilidades. Eu considero quase impossível que o mundo real possa seguir esse rumo quando a humanidade tiver acesso a imortalidade (sim, com certeza teremos isso eventualmente), mas estórias distópicas devem ser valorizadas por seu potencial de ensaiar cenários indesejáveis; mesmo que sua mera existência e popularidade sejam evidências de que nossa civilização esta atenta e tem um minimo de intenção de ser cautelosa quanto às potenciais crises mostradas em ficção distópica.

Anyway... saindo de toda essa questão sobre tragédia e distopias... Kaiba não é la tão deprimente. Só estou chamando atenção aos contrastes que é capaz de demonstrar e que seu visual inocente consegue esconder temas pesadas se você não refletir sobre o que esta ocorrendo na tela. Fora desses quesitos Kaiba ainda é uma ficção de aventura divertida e muito criativa, tanto em conceitos quanto em visuais. É o tipo de mundo fictício sobre o qual eu gostaria de saber mais a respeito, apesar de que a trama principal se encerra de maneira bem redonda, sem muito espaço e nenhuma necessidade real de continuações ou spin-offs. 

Kaiba chamou minha atenção desde os primeiros frames que vi no video de top 60 que motivou esse desafio, e não decepcionou. Não é nenhuma obra-prima, mas merece um 8/10.

Outra abertura excelente, alias. Muito agradável aos ouvidos. 



Última edição por Thear em Dom 13 Ago 2017, 05:25, editado 1 vez(es)

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Re: Auto-Desafio: 60 Animes Em 2 Anos

Mensagem por Thear em Dom 06 Ago 2017, 18:53

28 - Brigadoon: Marin to Melan
Diretor: Yonetani Yoshitomo (o mesmo de "Betterman")
Estúdio: Sunrise
Ano: 2000
Publico Alvo: Shonen
Gêneros: Aventura, comédia, drama, mecha.
Episódios: 26
Sinopse (fonte: MyAnimeList): No Japão de 1969, Marin é uma tipica estudante com muita disposição e uma família adotiva amorosa. A vida dela muda drasticamente quando uma miragem misteriosa aparece no céu de toda a Terra. Androides assassinos chamados Monomakia surgem na Terra vindos da formação nos céus chamada Brigadoon, e começam a caçar a pequena Marin. Enquanto foge, ela descobre uma garrafa azul num templo, e da garrafa vem um protetor, um alienígena pistoleiro-espadachim chamado Melan. Juntos eles devem salvar a Terra e lidar com crises familiares, preconceito na escola e a policia, e desvendar o passado de Marin e a missão não explicada de Melan, assim como aprender a confiar um no outro. 


Brigadoon é bastante... Único. Vários outros animes dessa lista também são, mas esse merece um destaque por isso. Na verdade eu já assisti faz vários meses a altura desse texto, então a memória já não esta tão clara na mente... mas posso dizer que o anime na maior parte do tempo me passava uma impressão de conteúdo bem... fresco, inédito. Brigadoon consegue apresentar várias emoções e gêneros diferentes em seu decorrer, e faz quase tudo bem feito. Exceto ação... a ação é medíocre... E eu não vejo porque alguém consideraria isso ficção cientifica, mas ok... e a série tem alguns personagens americanos que são bem esquisitos e estereotipados, um pouco daquele bom e velho racismo japonês, acho... Mas no geral achei muito boa. 

Nenhum dos personagens por si só se destaca muito, mas juntos funcionam muito bem. A série tem uns momentos de fan-service (panty shots e tal), mas as vezes também passa impressão de ser bem madura quanto a nudez e etc. Tem um relacionamento mais ou menos romântico que talvez passe certo desconforto na audiência, mas na verdade é ate bonitinho e aceitável se tu considerar mais que a aparência dos personagens envolvidos, e considerar a natureza deles como seres conscientes. O conflito final da série é resolvido numa deus ex machina gigantesco, o que sempre me da um gosto ruim na boca... mas ao mesmo tempo quando o anime terminou eu estava bastante satisfeito, e não frustrado. Japoneses valorizam muito a jornada em vez da destinação, e isso tem seus pontos positivos, mas geralmente leva a finais ruins... Mas esse não foi tão ruim, apesar da resolução do climax.

Quando eu comecei a escrever esse texto eu certamente não esperava que fosse se tornar o que se tornou: Um monte de "isso é ruim, mas...". Tenho sérias dificuldades em explicar as qualidades ou defeitos de Brigadoon, agora que notei isso. O anime esta cheio de falhas, mas nenhuma consegue comprometer as qualidades que as acompanham, e a qualidade do todo. Acho que, no fim, o que permite isso é a principal qualidade de Brigadoon: É excelente em manipular suas emoções. Se o anime quer que tu se sinta alegre, vai ser alegre... se quer que sinta triste, vai se sentir triste (e consegue ficar muito deprimente de vez em quando sim). Esse fator me permitiu relevar os defeitos em cada aspecto e ver o anime como algo maior que a soma de todas as suas partes. 

É surpreendente pra mim o quão desconhecido esse anime é. Tem animação/arte boa para a época, parecendo algo de 2008 por aí, não de 2000, e esse fator geralmente atrai atenção por si só. Talvez seja realmente esquisito demais em sua combinação de ideias e gêneros? Não sei dizer. Eu realmente adorei como esse desafio me permite conhecer tantos animes... tanto clássicos cult como Kaiba quanto animes realmente desconhecidos mas ainda assim muito bons, como é o caso de Brigadoon. O mundo esta provavelmente cheio de obras de arte que eu gostaria muito quando conhecesse, mas provavelmente nunca conhecerei... Ainda bem que vivemos na era da internet, que facilita tanto encontrar essas coisas. 

Acho que fica por isso, mesmo. Não tenho mais tanto a dizer sobre Brigadoon. Acho que posso dizer que merece um 7/10, e que também tem uma boa abertura. 


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Re: Auto-Desafio: 60 Animes Em 2 Anos

Mensagem por Thear em Dom 13 Ago 2017, 05:23

08 - Ergo Proxy
Diretor: Murase Shuko
Estúdio: Manglobe
Ano: 2006
Publico Alvo: Seinen
Gêneros: Ficção cientifica, mistério, psicológico. 
Episódios: 23
Sinopse (fonte: MyAnimeList): Dentro da cidade quarentenada de Romdo vive a ultima civilização humana sobrevivente na Terra. Milhares de anos atrás, uma catástrofe ecológica global condenou o planeta; agora, a vida fora de redomas como a de Romdo é virtualmente impossível. Para acelerar a recuperação da humanidade, foram criados "AutoReivs", androides que ajudam as pessoas em suas tarefas diarias. No entanto, AutoReivs recentemente começaram a contrair uma enigmática doença chamada "Virus Cogito", que lhes confere auto-consciência.  Re-I Mayer, neta do governante de Romdo, é designada a investigar esse fenômeno junto de seu parceiro AutoReiv Iggy. Mas o que começa como uma investigação de rotina rapidamente se desenrola em uma grande conspiração, conforme Re-I é confrontada pelos pecados mais sombrios da humanidade. 

Ergo Proxy é outro daqueles fenômenos cult entre fãs de anime. Considerado uma masterpiece por alguns, e terrivelmente pretensioso por outros. É um dos que eu estava mais curioso para assistir, nesse desafio. 
Ate boa parte ele realmente passou-me uma impressão de ser pretensioso. Acho que de fato é, um pouco... Tem as características típicas: Excesso de tons de preto/escuros, personagens sérios demais, que poupam palavras demais, uso ocasional de latim, tentativa de fazer seus temas parecerem mais complexos e profundos do que realmente são, um monte de referencias a obras de filósofos e tal... Mas no decorrer minha opinião foi além disso. Apesar de ser contaminado com certa "edginess", Ergo Proxy apresenta um mundo fictício ainda mais fascinante e com mais potencial que Kaiba, e o pouco que usa desse potencial já me gerou mais vontade de filosofar que Kaiba em todo seu decorrer ou qualquer anime da lista ate agora.

Claro, Lain ainda é de longe o anime que mais queimou meus neurônios, e Utena também gerou mais esforço, mas nesses casos era questão de tentar entender o que estava acontecendo na trama, não de tentar filosofar e pensar hipoteticamente sobre as situações e civilizações mostradas na trama. Nisso Ergo Proxy vence. Acho que vou ter que descrever um pouco mais minhas impressões da série em seu decorrer, apesar de que tenho evitado isso nos ultimos textos já que estão sendo escritos muito depois de eu ter assistido o anime.

Ok. Mais pro começo, primeiros 10 ou 12 episódios, eu estava achando o anime bem chatinho. Protagonista chata (Rei-L/Real), e Vincent também. Pino divertida e tal, pontos para a Pino, claro. 
Mas logo a série vira uma "road-trip", com um grupo de personagens numa longa viagem, no decorrer da qual eles encontram várias cidades abandonadas (outras nem tanto). Nesse momento que o anime brilha... Não apenas todos os personagens se tornam mais interessantes e agradáveis quando participam desse aventura juntos, mas cada local/cidade por onde eles passam poderia por si só ser o cenário de uma estória de ficção cientifica, provavelmente distópica. Excelente worldbuilding da parte de Ergo Proxy. Eu aceitaria um spin-off que mostrasse muito mais desse mundo, sem duvida... Ate mesmo do absurdo episódio de game-show que foi utilizado para condensar uma explicação para a maior parte da história daquele mundo eu gostei. Um spin-off ou sequência seriam bem vindos... mas falo mais disso depois de falar do final.

O final é condensado nos últimos 2 episódios, talvez 3. É um bom final, com 2 grandes acertos e uma grande falha ("falha", não "erro"). 
O primeiro acerto é que soluciona muito bem a "trama menor", que é o foco de todo o anime. Qualquer ponta que tenha sido solta a partir do primeiro segundo da série esta devidamente amarrada. 
O segundo acerto se relaciona ao primeiro, mas é algo mais. Eu já mencionei nos textos anteriores como Utena foi frustrante pra mim, sendo um quebra-cabeças sem solução, devido à natureza (ao meu ver) excessivamente metafórica da trama. E como Lain me deixou obcecado em busca de uma solução também, e me satisfiz em entender quais são as interpretações possíveis, mesmo sem obter uma resposta exata. Ergo Proxy, no entanto, é um quebra-cabeças 100% solucionável, e os mistérios que sobram são mais uma questão de curiosidade do que de entender a trama. Tive alguma dificuldade confesso, acho que devido ao que já mencionei antes sobre o anime tentar soar muito profundo e tal, mas ao final eu podia dizer que havia entendido tudo que estava acontecendo e isso me deixou animadissimo para a continuação!


Wait... Eu disse "continuação"? É um anime de 2006, não? São realmente só 23 episódios. WTF?! 
Não me entendam errado, Ergo Proxy funciona do jeito que esta, seus 23 episódios fecham direitinho a trama e da pra considerar que tudo que precisava ser resolvido foi resolvido, e que uma continuação talvez forçasse uma mudança de estilo ou gêneros. Mas o fato é que Ergo Proxy se encerra perfeitamente preparado para uma continuação, com enorme potencial! Considerando que já se passaram mais de 10 anos, é obvio que essa continuação nunca virá. Ergo Proxy não é uma estória incompleta, mas com certeza desperdiça muito potencial. 

Hoje em dia existe muito o debate sobre sequências serem necessárias ou não, muita gente considerando que elas as vezes "arruínam" a obra original (o que eu não acho possível, mas ok), mas nesse caso claramente cabe uma sequência. Eu disse que o anime 3 parágrafos atrás que o anime soluciona totalmente a "trama menor" na qual é focado. Isso porque a trama no qual o anime é focado é realmente apenas uma longa preparação para os eventos que se iniciam nos últimos segundos do último episódio. Pode ate se dizer que o a série inteira de ERGO PROXY É UM PRÓLOGO para uma estória maior. E essa maior nunca veremos. Dammit!

E é isso então. Ergo Proxy é uma ótima fonte de inspiração pra um grande fã de sci-fi como eu, e é ótimo a partir da metade, por aí. E eu realmente não posso penalizar o anime por não ir alem do que se propõe a ir... No fim é o fato de que a primeira metade é meio fraquinha que me leva a dar apenas um 7/10. Boas chances de eu assistir de novo no futuro, no entanto.

Aproveitem uma das músicas de abertura mais genéricas  e sem graça que já vi.


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Re: Auto-Desafio: 60 Animes Em 2 Anos

Mensagem por Thear em Dom 13 Ago 2017, 20:03

58 - Cromartie High School
Diretor: Sakurai Hiroaki
Estúdio: Production I.G
Ano: 2003
Publico Alvo: Shonen
Gêneros: Comédia, escolar. 
Episódios: 26 (12 minutos cada)
Sinopse (fonte: MyAnimeList): Kamiyama Takashi é o tipico estudante tranquilo de ensino médio - educado, despreocupado e pacifista, com um QI ligeiramente acima da média. Mas será que o estudante mediano de ensino médio realmente se matricularia na infame Cromartie High School, conhecida como um local de proliferação para os delinquentes mais durões que existem? 
Aparentemente sim, então isso é exatamente o que Takashi faz, apesar de que por motivos que ele prefere não comentar. No entanto, uma coisa é certa: ele nunca terá um dia entediante novamente. A como poderia, agora que ele esta cercado de punks de cabelo moicano, robôs desprezíveis e... gorilas? E aquele era o Freddie Mercury em um cavalo no corredor? Acompanhe Takashi conforme ele dedica sua nova vida de ensino médio a melhorar a reputação de sua escola, enquanto seus colegas de classe parecem estar decididos a causar destruição. 



Esse vai ser curto. Não apenas porque é um anime de 26 episódios com 12 minutos cada (10, praticamente, considerando abertura e tudo mais), mas também porque muito do que eu tenho a dizer sobre esse eu já mencionei sobre Sayonara Zetsubou Sensei.

Cromartie High School é ainda mais repetitivo em suas piadas que Zetsubou, e seu humor é muito mais aleatório e sem nexo. O anime faz qualquer bobagem que de na telha que pareça minimamente engraçado, como por exemplo fazer gracinhas com a animação (provavelmente erros de animação que foram intencionalmente deixados no produto final). Cromartie parece se orgulhar de ser feito com pouquíssimo esforço, e isso é quase admirável. 
Também não tem quase nenhuma continuidade após apresentar os personagens ou repetir piadas comuns da série. 

A maioria das piadas é bastante estupida e sem graça, mas ainda assim as vezes consegue ser bastante engraçado, e um ou outro episódio acertam em cheio em todo o seu decorrer(o episódio no qual os personagens não conseguem lembrar o nome de uma música, por exemplo). De alguma forma Cromartie conseguiu me fazer rir mais que Zetsubou Sensei, apesar que se comparar apenas com a primeira temporada, SZS ainda é mais engraçado. Alem disso, SZS ainda era interessante quando não era engraçado, devido a todo o seu conteúdo satírico cheio de opiniões e informações sobre a cultura japonesa. Quando não é engraçado, Cromartie é agressivamente entediante ou ate meio irritante. Não é normal eu ficar comparando um anime a outro pelo texto todo, mas eu tenho pouca referencia para animes focados em comédia, então acho mais fácil descrever o que penso desse falando de SZS. 

Francamente... Eu não tenho mais nada a dizer. É um anime curto e extremamente simples, que me fez rir em uns momentos mas nada memorável e não vai fazer nenhuma falta na minha vida se eu nunca ouvir falar novamente. Talvez tenha sido o único anime da lista ate agora que não me deu inspiração para nenhuma ideia nova nem me fez pensar a respeito de qualquer assunto diferente. É bastante... irrelevante. 

Claro... não foi feito pra ser relevante. 4/10. 


Cromartie High School Opening from das fv on Vimeo.


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Re: Auto-Desafio: 60 Animes Em 2 Anos

Mensagem por Thear em Ter 29 Ago 2017, 19:35

53 - Planetes
Autor: Yukimura Makoto
Diretor: Taniguchi Gorô
Estúdio: Sunrise
Ano: 2003
Publico Alvo: Seinen
Gêneros: Drama, romance, ficção cientifica, espacial.
Episódios: 26
Sinopse (fonte: MyAnimeList): Em 2075, viagem espacial não é mais apenas um sonho, mas uma realidade cotidiana para a humanidade. Avanços em ciência e tecnologia levaram à colonização da Lua, a comercialização do espaço, e a formação de grandes corporações espaciais. Tanabe Ai, uma mulher otimista com interesses no cosmos, se junta à Technora Corporation como membra da seção Debris, um departamento dedicado à remoção de lixo espacial perigoso entre as órbitas da Terra e da Lua. Planetes é uma série de ficção não-convencional que retrata a vastidão do espaço como plano de fundo para as vidas pessoais de pessoas comuns - pessoas que podem ter nascido na Terra, mas cujas esperanças e sonhos se direcionam às estrelas.


Planetes é mais um exemplo de ficção cientifica genuína nesse desafio. Não faz um grande esforço para divagar sobre potenciais futuras tecnologias, mas faz um esforço para considerar potenciais efeitos de eventos econômicos ou sociais relacionados aos avanços da exploração espacial. O fato de ser uma ficção cientifica slice of life possibilita um aprofundo muito na maior nas vidas hipotéticas dos indivíduos dessa civilização de décadas adiante. 

No começo Planetes me passou a má impressão, com a protagonista parecendo irritante e o... o outro protagonista (por falta de descrição melhor), sendo mal humorado. Mas dentro de três episódios essa impressão passou, e passei a ver todos os personagens com melhores olhos, e ao final já estava gostando muito da protagonista. Não apenas ela, eu no geral fiquei com uma impressão positiva de todos os personagens do grupo principal, mesmo que alguns fossem meio cliche. Tanto é que... bom... spoilers adiante, mais ou menos. Não vou dizer o que acontece ou não, mas de um recurso narrativo que a série usa, que quase qualquer ficção usa.

Spoilers:
Quase qualquer ficção talvez use o velho truque de fazer parecer que um personagem pode morrer, ou VAI morrer, ou morreu, é um dos recursos narrativos mais comuns de todos, sendo frequente que apareça muitas vezes em cada obra. Planetes não é exceção... mas em uma das ocasiões que faz isso eu senti a tensão da ameaça por parte da série, como nunca senti em nenhuma outra obra. Esse tipo de ameaça por parte de uma obra quase nunca me afeta nem um pouco... já imagino que não vai morrer, e se o personagem morrer, aí sim sou afetado (ou não, ainda, depende da obra), mas Planetes foi a primeira fez que já na ameaça de matar um personagem fique muito perturbado, considerando o contexto e o quanto gostava da personagem... Só isso,
achei valido mencionar que a série conseguiu me afetar algo que quase nenhuma obra jamais me afetou antes. Clap clap.

A princípio a série também pareceu bastante episódica pra mim... mas sei que é comum que animes comecem com vários episódios filler para familiarizar a audiência, e depois sigam para um plot principal. Planetes pareceu seguir o mesmo rumo, com uma trama maior surgindo logo antes da segunda metade, se não me engano... Mas essa trama principal, e a evolução perceptível dos personagens me fez ver que o anime não tem filler. Nenhum episódio foi dispensável para a experiencia, tendo cada um estabelecido algo que seria importante posteriormente para a trama ou para um personagem.

Tanto nos não-fillers quanto na trama principal, Planetes aborda vários temas interessantes. Desemprego em outros planetas, as dificuldades das primeiras pessoas nascidas fora da Terra, terrorismo espacial, entre outras coisas. Tudo já podendo facilmente ser encontrado em obras  em cenários contemporâneos, mas adaptados a uma realidade de 60 anos adiante, esses temas são "refrescados" e possibilitam mais reflexão e divagação, o que é sempre um plus pra mim.

Acho que Planetes tem um dos finais que mais me agradaram em todo o desafio ate agora... Apesar de contar com um personagem fazendo uma escolha que eu jamais faria, eu posso entender o lado dele, e a postura dele e dos demais envolvidos é com certeza valiosa.

No geral o anime me desagradou em poucos pontos após passar o incomodo inicial... É obvio que a total falta de interesse da série em tentar imaginar avanços tecnológicos que não estejam relacionados a exploração espacial me incomodou, já que esse tipo de coisa quebra a imersão. Mas fica claro que é uma decisão consciente de evitar riscos e focar em certos pontos principais, considerando quão precisa e detalhado Planetes é, cientifica e tecnologicamente. O "outro protagonista", que já mencionei antes, nunca se torna alguém agradável aos meus olhos, também... Mas é só isso. Não consigo pensar em outras coisas... apesar de que a qualidade e detalhamento desse texto estão seriamente prejudicados considerando o atraso entre o momento que vi o anime e o momento que escrevo o texto. Infelizmente Planetes é outro dano colateral causado pelo meu atraso e falta de organização com o desafio, e não conseguirei descrever a obra à altura.

O que posso fazer é só dar uma ideia do quanto gostei, e é o que estou fazendo, mesmo.
Planetes é um slice of life de ficção cientifica sobre lixeiros espaciais (literalmente), e sucede em todas as partes dessa descrição. É ótimo no slice of life, mostrando o cotidiano de um grupo de personagens que compõe uma divisão numa empresa, e conseguindo fazer aquilo parecer autentico. É ótimo na ficção cientifica, ao lidar com os temas complexos trazidos a tona nessa sociedade futurista. E é ótimo no "lixeiros espaciais", ao retratar a importância dessa função, ressaltar a importância dela e ao mesmo tempo destacar a diferença de tratamento que esses astronautas recebem em comparação aos "astronautas de verdade". Pretty good. O anime não impressiona em todos os aspectos, mas o considero acima da média em todos e excelente num número suficiente deles.
9/10.

Nessa abertura, a música não chama tanta atenção, mas as imagens sim.. Muitas referências as história da astronomia e a exploração espacial. Acho que ressalta que, apesar de que os personagens da série são garis entre os astronautas, eles ainda estão fortemente envolvidos nos avanços da humanidade espaço afora.


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Re: Auto-Desafio: 60 Animes Em 2 Anos

Mensagem por Thear em Qua 30 Ago 2017, 19:29

49 - The Guyver: Bio-booster Armor
Manga: Takaya Yoshiki
Diretor: Ishiguro Koichi, Otani Masahiro, Hashimoto Naoto
Estúdio: Animate Film
Ano: 1989
Publico Alvo: Shonen
Gêneros: Ação, horror, super poderes.
Episódios: 12
Sinopse (fonte: MyAnimeList): Shou e seu amigo, Tetsurou, encontram por acaso na floresta um estranho mecanismo, a Unidade Guyver. Ele se incorporá à Shou e o transforma num soldado alienígena, Guyver. A missão de Shou é proteger a Unidade Guyver da corporação japonesa conhecida como Chronos. Ela esta atrás da Guyver e outras duas unidades similares. Para capturar o objeto, são enviados monstros conhecidos como Zoanoids. Então ninguém esta a salvo na vida de Shou; nem mesmo ele próprio.

Ie.... Esse foi terrível. Ainda bem que era curto. Era originalmente um manga, e de alguma forma conseguiu TRÊS adaptações ao longo dos anos. Uma em 86, uma em 89 (essa que constava no desafio), e uma ainda em 2006. Inacreditável... Vai ser um caso parecido com Cromartia High School, eu não tenho muito a dizer sobre esse anime.

Guyver é entediante, extremamente genérico e lotado de clichês. Talvez de pra perdoar ate certo ponto por ser uma obra antiga, mas não totalmente, não é como se a criatividade fosse uma invenção recente. A trama é algo básico com monstros da semana, com o detalhe que os monstros são menos interessantes que os de Power Rangers. O herói é igualmente básico, e todo o design de personagens é horrível, talvez por limitações de animação da época, claro... mas acho que seria bondade demais retirar totalmente a culpa dos criadores.

Guyver parece algo escrito por um menino de 11 anos... não algum tipo de prodígio, mas sim um menino mediano de 11 anos que decidiu escrever uma estória de ação para um trabalho escolar ou algo do tipo. Com direito a uma daquelas cenas clássicas de fanservice, na qual a donzela em perigo é atingida por golpes cortantes e milagrosamente apenas as roupas dela são dilaceradas e caem do corpo, e ela permanece inteira. Pff...

Guyver é insipido, e após Cromartie, é o segundo anime da lista que senti que não me acrescentou nada em nenhum sentido. Mesmo Betterman e Kaiji eram decentemente criativos e me inspiraram em um sentido ou outro. A diferença é que, apesar de entediante, Guyver é genérico demais pra ser especialmente irritante, e não é tão longo (afinal, é uma adaptação incompleta... pff) , por isso acaba não sendo tão torturante tolerar a série ate o final.

Isso é tudo que consigo pensar em dizer sobre esse anime. Agora que escrevi o texto, posso esquece-lo a vontade, forever. 3/10. Ainda é melhor que Kaiji.

Abertura. Nada a comentar também.


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Re: Auto-Desafio: 60 Animes Em 2 Anos

Mensagem por Thear em Sex 08 Set 2017, 20:38

43 - Full Moon Wo Sagashite
Manga: Tanemura Arina
Diretor: Kato Toshiyuki
Estúdio: Studio Deen
Ano: 2002
Publico Alvo: Shoujo
Gêneros: Música, comédia, sobrenatural, drama, romance.
Episódios: 52
Sinopse (fonte: MyAnimeList): Dois anos atrás, o melhor amigo de Mitsuki, Eichi Sakurai, se mudou para a America antes que ela pudesse confessar seus sentimentos por ele. Apesar de não poder contacta-lo, eles fizeram a promessa de realizarem seus respectivos sonhos: Mitsuki quer se tornar uma cantora profissional, e Eichi um astrônomo. Ela espera que um dia sua musica o alcance através do mundo com o brilho de uma Lua cheia.
Mas tem um porém: Mitsuki sofre de câncer na gargante, o que torna a voz dela fraca e cantar doloroso. Sua avó, que odeia musica, insiste que Mitsuki passe por uma cirurgia para remover o câncer, mas a menina recusa devido ao risco de perder sua voz. Um dia, dois shinigami - Meroko e Takuto -  aparecem para lhe dizer que ela tem apenas mais um ano para viver. Essa súbita revelação leva Mitsuki à decidir agir, e com a ajuda dos shinigami tentar se tornar uma cantora profissional no ano que lhe resta.

Full Moon começa com uma premissa interessante, mas rapidamente decepciona, e ate melhora um pouco no final, mas nunca fica realmente interessante.
Ie, eu fiz isso, resumi direto minhas impressões na primeira linha. Me processem.

Anyway. É uma série com 52 episódios, cheia de filler, cheia de personagens desinteressantes (gostei de Meroko, no entanto), e genéricos (aquele médico especialmente). Pela maior parte de sua duração, a protagonista Mitsuki esta obcecada com a paixonite de infancia dela, o Eichi. Mas passa uma parte enorme da série e nenhum sinal dele aparecer, o que faz com que reste apenas uma boa maneira de resolver a situação em relação a ele (que não vou dizer qual é, já que ela de fato acontece, felizmente). Isso já me gerou um grande atrito com a série, eu realmente não queria ficar ouvindo ela reclamar sobre EichiEichiEichi, e o fato de que Takuto manifestava a mesma irritação que eu não alivia coisa nenhuma, o anime não vai se safar de minhas criticas manifestando-as também. Oras...
Anyway, isso eventualmente é resolvido, e aí restam uns últimos episódios que de fato gostei, mas que não salvam a série.

Mitsuki queria se tornar uma pop star mundialmente famosa em um único ano (antes de morrer de cancer) para ter uma chance de alcançar sua crush infantil. Então, durante a maior parte da série temos que tentar levar a sério essa crush infantil, quando seria muito mais interessante se o foco fosse realmente no fato de ela querer ser uma cantora, e ponto final. Novamente, essa critica é levantada por Takuto (que por vezes parece ter a função de vocalizar todas as críticas da audiência sobre o enredo de Full Moon), e determinadamente rebatida por Mitsuki, mas no fim é uma crítica legitima, é o que o anime esta realmente fazendo: focar na paixonite da garota em vez de focar no suposto sonho que ela quer alcançar antes de morrer.

Talvez porque o anime não tenha condições de focar no aspecto musical. A animação não é nada demais, e a grande cantora Full Moon (alter-ego da protagonista), não canta mais que 3 ou 4 músicas diferentes ao longo da série inteira. E músicas bem básicas... What the hell? Isso não é pra ser um anime sobre uma pretendente à pop idol? Ficaram repetindo as músicas Myself e Eternal Snow interminavelmente por 50 episódios, que ideia absurda!

O único aspecto técnico que acaba me satisfazendo é a dublagem da protagonista... Normalmente se esperaria uma voz de loli, ou bem infantil, mas Mitsuki tem uma voz... diferente, pra um anime, e bem agradável. Talvez por que fizeram questão de contratar alguma cantora de um tipo específico como dubladora? Não sei, mas gostei da voz dela ao natural.

O anime perdeu a oportunidade de focar no aspecto musical que cabia em seu enredo. Podia ter explorado muito mais o funcionamento da industria de pop idols japonesa (que, em 2002, já devia ter vários aspectos da linha de produção que é hoje), podia ter apresentado várias musicas únicas diferentes, talvez explorado diferentes gêneros próximos ao que Full Moon canta, e apresentado diversas outras idols ou grupos de músicos que Full Moon conheceria e com os quais talvez cantaria. O anime podia ter mostrado aspectos negativos dessa industria, e então por esses aspectos em conflito com o fato de que Mitsuki realmente queria ser uma cantora desse tipo de qualquer forma. Em vez disso o anime faz exatamente o que seria esperado e o que a maioria dos animes sempre faz de qualquer forma: glorificar essa tal industria, com os únicos defeitos sendo uns poucos indivíduos artistas invejosos aqui e ali... Ok, eu entendo, é um shoujo bastante infantil, feito para meninas bem jovens, mas é novamente aquilo: sou contra subestimar crianças, e sou contra estupidificar as coisas para elas.

Hmm... Interessante que o texto tenha focado tanto nisso, já que não fiquei pensando muito nisso enquanto eu assistia. Francamente, não dava pra pensar em muita coisa enquanto eu assistia... são 52 episódios de uma criança cantando as mesmas duas músicas sem parar, afinal. Eu provavelmente estou sendo injusto e pegando pesado demais com o anime, pra ser honesto... Hmm... Não, não estou. É bem meia boca mesmo. 4/10.

ALGUÉM ME EXPLICA POR QUE A MÚSICA DE ABERTURA É DRASTICAMENTE MELHOR DO QUE AS QUE ELA CANTA NO DECORRER DO ANIME?


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Re: Auto-Desafio: 60 Animes Em 2 Anos

Mensagem por Thear em Seg 11 Set 2017, 23:03

38 - Mawaru Penguindrum
Diretor: Ikuhara Kunihiko (o mesmo de Revolutionary Girl Utena)
Estúdio: Brain's Base
Ano: 2011
Publico Alvo: Seinen
Gêneros: Mistério, comédia, psicológico, drama.
Episódios: 24
Sinopse (fonte: MyAnimeList): Os país da família Takakura se foram, os gêmeos Kanba e Shouma vivem sozinhos com a sua amada irmã mais nova, Himari, cuja saúde fraca não poderia piorar mais. No dia que Himari recebe permissão para sair do hospital temporariamente, seus irmãos a levam ao aquário para comemorar, onde Himari colapsa subitamente. no entanto, Himari é inexplicavelmente revivida por um chapéu de pinguim da loja de souvenirs do aquário.
Com sua recuperação milagrosa vem um preço: uma nova entidade em seu corpo, cuja condição para mante-la a salvo de seu destino é enviar os garotos numa insana caçada pelo misterioso "Penguin Drum". Em sua busca, os garotos tem que seguir pistas que levam de seus próprios passados chocantes ate as vidas de outros que também buscam o Penguin Drum para realizar seus desejos.


OK. Primeiro uns comentários sobre prazos e meu ritmo de posts aqui no desafio. Esta obvio que estou mega-atrasado. Fim do ano passado comecei num emprego bastante estressante que me fez desacelerar em todos os meus projetos pessoais, e ate ignorar o desafio por meses. Agora estou numa função diferente e agradavel, e consegui no ultimo mes voltar bastante a ativa. Mas agora o prazo esta super atrasado, especialmente considerando que os animes mais longos da lista ainda estão por vir. É praticamente impossível completar o desafio no prazo... Mas eu ainda vou tentar. E vou tentar manter o ritmo dos textos correto de agora em diante. Mawaru Penguindrum é o ultimo texto atrasado... Ou seja, o ultimo texto de um anime que eu vi meses atrás, e portanto o ultimo texto para o qual eu tenho essa desculpa.. eheh. A partir do próximo (Macross), todos os textos terão vindo de experiencias relativamente recentes, espero que isso me ajude a escreve-los bem melhor.


Agora, começando de fato com Mawaru Penguindrum... É outro anime muito difícil. É do mesmo criador de Revolutionary Girl Utena e isso logo se torna perceptível. Assim como Utena, Penguindrum eventualmente se transforma numa tempestade de simbolismos e metáforas que não faz nenhuma questão de ser compreendida por qualquer um. É outro anime que seria ideal assistir múltiplas vezes parece entender o máximo possível, alem de talvez pesquisar analises e discussões na internet. Já que eu não tenho tempo (tenho que continuar o desafio!) e não gostei tanto do anime anyway, eu apenas pesquisei na internet as tais analises e discussões. Acho que eu pude entender boa parte, mas no geral me confundiu bem mais que Utena. 

Tal como Utena, é impossível entender Penguindrum como uma narrativa comum. As metáforas vão aos poucos tomando conta e substituindo a trama "normal" da estória. Eu já disse no vídeo de Utena que isso não me agrada. Que eu gosto quando metáforas e simbolismos acrescentam à narrativa, em vez de substituí-la. Mas nem por isso eu deixei de gostar de Utena, lembram? O mesmo se aplica a Penguindrum.

De fato, no começo o anime me intrigou muito e também achei muito divertido. Ate a metade por aí gostei bastante de tudo que envolvia Oginome Ringo (na real, continuei gostando bastante dela ate o final, certamente a melhor personagem do anime... não que ela seja super original, mas o resto era bem genérico). Alguns momentos hilários, e a arte fenomenal.

A casa dos protagonistas é fenomenal, um cenário muito rico e detalhado, para o qual eu podia ficar olhando sem parar procurando mais detalhes. O design dos personagens também é muito bonito. Mas o fato é que Penguindrum provavelmente foi uma produção de baixo orçamento. Ate a visualmente rica casa dos protagonistas deixa isso claro (na maior parte do tempo é um desenho estático, como um papel de parede, por mais bonito que seja), mas o mais obvio é o fato de que nenhum outro cenário do anime é tão bonito (exceto pela sequencia de transformação em CG), e boa parte da série esta lotada de "gracejos" minimalistas. Usar um monte de... dessas coisas no lugar de pedestres, por exemplo. Na real, todos os recursos que a série usa para poupar esforços de animação funcionam muito bem e acabam dando um charme à coisa toda, não estou reclamando, apenas apontando como evidencia para o fato de que provavelmente é uma produção mais barata. 

Alias... Aquela sequencia de transformação provavelmente é a melhor que já vi em qualquer anime. Adorava toda vez que começava, por mais longa que fosse. É também um dos melhores usos de animação 3D que já vi em animes. Aqui o único vídeo decente que achei dela na internet, apesar de ser uma variante da sequencia, não exatamente a padrão que ocorria na maioria dos casos. Imagino que o martelo do copyright tenha eliminado a maioria dos videos dessa sequencia. Seizon senryaku!!
Essa sequencia é um exemplo de "ritual" da série, tal como as pequenas animações da banda Double H, que começam como instruções de segurança no metro, e depois vão se tornando referencias a trama ou dicas de eventos futuros, similar aos teatros de sombras em Utena. Os pinguíns que acompanham os personagens também referenciam a trama e quase paródias dos personagens. Eu gostava dessa metalinguagem em Utena e ainda gosto em Penguindrum. 

Ainda assim, quase tudo que tenho a favor desse anime é superficial. Não engulo bem a questão das metáforas, e a personalidade básica das personagens. Especialmente qualquer um que não fosse do núcleo principal (os três irmãos e a Ringo). E Penguindrum comete um erro bem oposto a Utena, alias... Em Revolutionary Girl Utena, era comum que personagens tivessem episódios excelentes dedicados a exploração e desenvolvimento de personagem (uma das melhores séries que já vi nisso), mas no episódio seguinte o desenvolvimento do personagem era quase sempre esquecido, anulado. Isso meio que fazia parte do tema principal da coisa toda, mas ainda era difícil de engolir... A série mostrava desenvolvimento e depois ignorava o desenvolvimento. Penguindrum faz o oposto, os personagens mudam significativamente de um episódio pro outro sem muita explicação, sem mostrar o desenvolvimento. O desenvolvimento era permanente, mas não podemos vê-lo acontecendo, como que mágica. 

No fim, Penguindrum é divertido e agradável, mas bastante vazio, por mais que tente esconder temas sérios debaixo de sua pequena pilha de metáforas. Todo esse esforço no mistério e simbolismo acabam distraindo tanto da trama dos três irmãos quanto dos comentários sobre sociedade e cultura que o anime faz. Eu quase poderia chamar de pretensioso, mas acho que essa palavra é quase sempre injusta, e seria injusta quanto a essa obra também. No geral acho que são apenas decisões de estilo de escrita e narrativa que simplesmente não combinam comigo, mas que o autor parece adorar. Bom pra ele, que se divirta fazendo isso. 6/10. 

A abertura também, não existe no youtube. 


Mawaru Penguindrum OP from Zubie7a on Vimeo.


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"A Lista":

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Re: Auto-Desafio: 60 Animes Em 2 Anos

Mensagem por Thear Ontem à(s) 06:36

27 - Super Dimension Fortress Macross
Diretor: Ishiguro Noboru
Estúdio: Studio NueTatsunoko ProductionArtland
Ano: 1982
Publico Alvo: Shonen
Gêneros: Ação, mecha, militar, música, romance, ficção cientifica, espacial.
Episódios: 36
Sinopse (fonte: MyAnimeList): Depois que uma misteriosa nave de batalha cai na Terra, a humanidade percebe que não esta sozinha. Temendo uma potencial ameaça do espaço, o mundo deixa de lado seu nacionalismo, interesses conflitantes, e diferenças culturais, se unificando sob a bandeira das Nações UNidas. As recem formadas forças da ONU decidem reutilizar a nave alienígena, nomeando-a SDF-1 Macross. Infelizmente, no dia de sua primeira viagem, uma frota de naves de batalha pertencente a uma raça de aliens conhecida como Zentradi ataca a Terra, e a Macross, agindo por conta própria, dispara contra o esquadrão inimigo, iniciando uma guerra interestelar.
Numa tentativa de escapar, a Macross tenta saltar para a orbita da Lua, mas a nave - assim como a cidade na qual ela se encontrava - é transportada para o espaço distante. Envolvidos na bagunça estão Ichijou Hikaru, um piloto-acrobata, e a aspirante a idol Lynn Minmay. Juntos, ao lado da oficial da ponte de comando Hayase Misa, eles experimentam uma jornada épica abundante em luto e drama enquanto começam sua jornada de volta à Terra, enfrentando as crueldades da guerra ao longo do caminho.


Ok! Super Dimension Fortress Macross, um dos muitos animes com temática espacial dos anos 70 e 80. É um anime bastante importante e influente, já que iniciou a franquia Super Dimension... e a franquia Macross... e a franquia Robotech, no ocidente apenas. WTF!! 

Mas eu só preciso falar de Super Dimension Fortress Macross, o resto é irrelevante. E a primeira coisa que tenho a dizer é que é bem chatinho, especialmente na primeira metade... Muitos animes tem esse mal habito de ser uma porcaria por boa parte de sua duração, não? Se eu não fosse obrigado a terminar por causa do desafio, teria abandonado Macross sem duvida... Não que fique de fato bom na segunda metade, fica apenas melhor... e só fica melhor porque o ritmo acelera e as coisas ficam mais intensas, não pela qualidade.

Qual o problema, afinal? O protagonista e o enredo. Macross é um anime que definitivamente tentou ser criativo, e mesmo hoje existem animes muito menos originais que Macross, mas parece que executou mal tudo que tentou.

Uma parte importante do enredo é o fato de que os alienígenas inimigos, os Zentradi, são praticamente humanos, mas tem um grande choque cultural ao encontrar cultura terrestre. Homens e mulheres juntos, beijos, sexo, crianças, musica, tudo isso deixa eles horrorizados (e fascinados)... E por causa disso a humanidade consegue usar uma pop idol como "arma" contra os Zentradi. É um conceito interessante e tudo mais, mas assistindo é inevitável achar tudo isso ridículo. Talvez seja possível executar esse conceito muito bem, mas Macross não faz isso, as reações dos Zentradi são estupidas e a trama continuamente força situações nas quais essas reações ocorrem. A impressão que dá é que pegaram uma garotinha que cresceu assistindo filmes da Barbie e puseram ela pra escrever uma space opera focada numa guerra entre espécies.

Junto disso tem um triangulo amoroso envolvendo o personagem principal, a pop idol e uma oficial militar de alta patente. Já vi gente comentando que esse é um raro caso em que um triangulo amoroso funciona e é interessante para a trama, mas eu discordo. Sim, pela parte da idol e da militar o triangulo é interessante, e da pra se identificar e se importar com as duas... Mas o fato é que o triangulo só ocorre porque, como é bem comum em animes, o protagonista é incrivelmente tapado e completamente incapaz de ler as emoções alheias ou prestar atenção no que fala.

Todos os outros personagens são entediantes, e as cenas de combate são repetitivas, provavelmente sendo possível cortar episódios inteiros sem remover nada relevante. Mas... pelo menos o anime faz um esforço real com as músicas da Pop Idol. Ela tem várias músicas diferentes, e apesar de eu não gostar de nenhuma, todas elas são únicas o bastante pra que eu possa acreditar que é uma cantora tão popular quanto ela é no anime. Curioso que esse anime tenha vindo logo em seguida de Full Moon, alias, que era muito mais focado em pop idols mas fez muito menos esforço no aspecto musical.

No geral é isso, pouco a dizer. A animação e arte é o de se esperar para a época, o anime é criativo em seus conceitos centrais mas acaba sendo entediante e difícil de levar a sério. 5/10, talvez? Ie, vai ser isso mesmo.

Alias, antes da abertura, não tem como eu não parar pra explicar o que exatamente são as três franquias que mencionei no começo. Leiam se quiser, ou pulem. Vamos por partes:

Macross:
- Sem contar spin-offs e versões alternativas, a primeira (originalmente) sequencia foi Super Dimension Fortress Macross II: Lovers Again (1992), mas logo foi exilado da cronologia oficial e transformado em parte de uma realidade paralela, sem conexões à série principal. 
- Aí surgiu a série de OVAs Macross Plus (1994), que se passa 30 anos após a original e é oficialmente parte da cronologia, mas não 
- Também em 1994 surgiu Macross 7, que tem uma conexão muito mais direta com a trama da série original do que Macross Plus, que apenas se passa no mesmo mundo. Se passa 35 anos após a série original. Macross 7 tem um ou outro filme próprio e episódios especiais também. 
- Em 2002 foi lançada outra minissérie de OVAs, chamada Macross Zero. Essa é uma prequência que se passa um ano antes da série original.
- Macross Frontier (2008), também é uma sequencia reconhecida da série original, e se passa 10 anos após Macross 7. 
- Em 2015 foi lançada Macross Delta, se passando 8 anos após Macross Frontier. É a iteração mais recente da franquia. 
- Considerem que nem incluí aqui, mas certos filmes, light novels, mangas e video games são considerados canonicos à cronologia principal de Macross. 

Super Dimension:
- Super Dimension Century Orguss (1983). Não tem NENHUMA relação com Macross, exceto pelo cenário parecido (espaço, jatos, mechas, etc).
- Super Dimension Cavalry Southern Cross (1984). Não tem NENHUMA relação com Macross ou Orguss, exceto pelo cenário. Mas vai ser relevante quando eu falar de Robotech, logo abaixo. 
- Super Dimension Century Orguss 02 (1993). Uma mini-série de OVA que serve como sequencia para Orguss, mas se passa 200 anos depois. 
- Tem 2 ou 3 jogos também. Como podem ver, "Super Dimension" era essencialmente uma marca para relacionar a um certo tipo de anime que os criadores queriam fazer na época. Orguss, Southern Cross e Macross são séries totalmente diferentes. 

Robotech:
- Nessa é que a coisa fica insana. Macross recebeu um tratamento similar ao que a franquia Super Sentai recebe no ocidente (é editada, cenas são adicionadas e é transformada em "Power Rangers"). 
- Robotech (1985)foi um anime "criado" a partir de edições de cenas e roteiro dos animes "Super Dimension Fortress Macross", "Super Dimension Cavalry Southern Cross" e "Genesis Climber MOSPEADA" (que nem mesmo é parte da franquia Super Dimension!!). Isso foi feito para que pudesse ser lançado com mais episódios no ocidente. As três séries foram editadas de maneira a parecerem se passar em diferentes períodos no mesmo universo, com temas em comum às três. 
- Robotech: O Filme (1986), surgiu da edição de Southern Cross novamente, combinado a uma série de OVAs chamada Megazone 23 (que também não tem nada a ver com nenhuma das outras todas que já mencionei).
- Robotech II: The Sentinels (1988), foi uma tentativa de continuação para a série Robotech. Foi cancelada após 3 episódios serem produzidos, e eles foram então adaptados a um filme. 
- Robotech: The Shadow Chronicles (2006), é um filme que continua diretamente a série original (Robotech).
- Robotech: Love Live Alive (2013), é outro filme, que por sua vez é uma sequência de Shadow Chronicles. 
- Iep... uma gigantesca bagunça. Se quiser ver o resultado desse caos, Robotech esta na Netflix. Macross não esta. Só Robotech.


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