Messianato?

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Messianato?

Mensagem por Ignatiy em Sab 27 Fev 2016, 23:24

Messianato?

Parte I - O homem que duvida

Spoiler:

"Certa Certa vez houve um homem
Comum, como um homem qualquer
Jogou pelada descalço
Cresceu e formou-se em ter fé

Mas nele havia algo estranho
Lembrava ter vivido outra vez
Em outros mundos distantes e assim acreditando se fez

E acreditanto em si mesmo
Tornou-se o mais sábio entre os seus
E o povo pedindo milagres
Chamava esse homem de Deus

Há quantas ilusões
Nas luzes do arrebol
Quantos segredos terá

E enquanto ele trabalhava
Na sua tarefa escolhida
A multidão se aglomerava
Perguntando o segredo da vida

E ele falou simplesmente
Destino é a gente que faz
Quem faz o destino é a gente
Na mente de quem for capaz


E vendo o povo confuso
Que terrível, cada vez mais lhe seguia
Fugiu pra floresta sozinho
Pra Deus perguntar pra onde ia

Há quantas ilusões
Nas luzes do arrebol
Quantos segredos terá

Mas foi sua própria voz que falou
Seja feita a sua vontade
Siga o seu próprio caminho
Pra ser feliz de verdade

E aquela voz foi ouvida
Por sobre morros e vales
Ante ao messias de fato
Que jamais quis ser adorado


Há quantas ilusões
Nas luzes do arrebol
Quantos segredos terá" - Messias Indeciso, Raul Seixas

Link para música


Imagine acordar em uma sala mal iluminada, cujas paredes não se vê e que possue um único foco de luz, concentrado no espaço em que você está deitado, como um holofote. Ao seu redor, no mínimo uma dezena de imponentes figuras foscas das quais o rosto não é visível - são apenas silhuetas. E todas dizem, em uníssono:

- Tu, que despertas, és meu filho, e eu te trouxe aqui para que me reconheças, me aceites, me obedeças e assim procedendo, proves o seu valor. É claro, eu sei que há vários seres por aqui, mas somente eu - eu! - sou verdadeiro, os demais são ilusões que tu tens por ser impuro - tua linhagem humana te condena. Se me identificar, provará que seu coração está sedento pela pureza, e assim terás o paraíso.  Se escolheres errado, jamais serás perdoado. E não duvides de mim, minha palavra é a verdadeira.

Assim posto, fica impossível inferir quem é o pai.

Agora imagine o contrário: você é um dos supostos pais, e alguém que você acredita ser seu filho está deitado na dita situação. O que fazer? Você, quem sabe, tentaria mostrar seu rosto, para que a possível prole visse que você é mais nítido que os demais. Já seria um bom começo, mas digamos que o filho não possa te enxergar, devido a luz. Entrento, como já foi relatado, ele pode te ouvir. Não só a você, mas como a todas as outras figuaras ali por perto. Todas essas figuras, após fazerem o pronunciamento introdutório, relataram breves descrições dos seus supostos paraísos e de como o filho deve se comportar para alcançá-los - requisito em comum: submissão total a ele e aos seus representantes. Eis que chega a sua vez de falar-lhe. O que você diria? Provavelmente seu instinto paterno gritasse tal qual gritou o instinto materno da personagem icônica do Dilema de Salomão:

Spoiler:

Segundo reza a história sagrada, uma das mulheres afirmava com veemência que a outra havia matado, por descuido, o próprio filho enquanto dormiam e, antes do alvorecer, teria efetuado a troca de seu filho morto pelo filho da relatante, fazendo-a pensar que o filho morto seria seu.

A outra mulher, a seu turno, delatou igual versão ao Rei Salomão, que de modo inusitado, propõe-se a dividir, literalmente, a criança em duas partes para entregá-las a cada uma das mulheres reivindicantes.

Feito isso, uma das mulheres interpela ao Rei Salomão que entregasse a criança a sua rival, conquanto a criança permanecesse viva.

Em face disso, o Rei Salomão sentenciou: “Daí a esta o menino vivo, e de maneira nenhuma o mateis, porque esta é sua mãe”.

Então você explica ao seu filho qual a sua convicção da verdade, mas ao invés de impor que ele creia em você, sugere:

- "Não se apresse em acreditar em nada, mesmo se estiver nas escrituras sagradas. Não se apresse em acreditar em nada só porque um professor famoso disse. Não acredite em nada apenas porque a maioria concordou que é verdade. Não acredite em mim. Você deveria testar qualquer coisa que as pessoas dizem através de sua própria experiência antes de aceitar ou rejeitar algo".

Sim, você não sabe se o rapaz é mesmo seu filho. Entretanto, teme que ele seja moldado pelos outros sujeitos. Não, essa atitude não garante que você seja o pai, mas é uma atitude que se poderia esperar do verdadeiro. A partir do momento em que o "filho" esteja confiante para analisar as histórias sem medo de ser condenado, ele pode abstrair o melhor - o que lhe for útil - de cada uma delas sem por isso ser subserviente. Mesmo que não encontre seu pai.

Agora você é novamente o filho. Você ouviu todos os depoimentos. Não sabe ainda quem é o pai, mas por empatia, você agora pode dizer quem não é o pai - aqueles que lhe fizeram ameaças incabíveis.

A citação é de Buda, mas também é de Sócrates, Russell, Sartre, Sagan etc!



Parte II - O mundo (imperfeito) dos homens

[...]



Off-topic: Sobre:
: Esse projeto pode convergir em um depoimento com mais nítido viés ateísta - sim, estou me contendo bastante, até porque seria difícil articular algo mais denso e ainda mais pessoal aqui, o que me levaria a recorrer a autores famosos e daria muito trabalho -, ou pode se restringir a reflexões filosóficas a cerca de um homem em busca de si mesmo. Quem sabe os dois. Não sei se o conteúdo está apropriado - creio que sim -, perdoem-me qualquer coisa, mas tenho pouco tempo para produção e por isso coloco esse tópico na área de Brainstorms.

Outra coisa, a música de Raul apontada no início foi inspirada por um livro que ainda não li. Também, se continuar o projeto, estarei "citando uma citação tornada famosa por estar em um livro cujo tema foi musicado por ele". Estou usando a empatia aqui, eis uma interpretação pessoal.

O texto saiu um pouco diferente do que eu tinha em mente quando sentei para escrevê-lo. Algumas projetos de tempos atrás vierem me demandar um espaço aqui, não estranhem a confusão.

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Re: Messianato?

Mensagem por Basara em Dom 28 Fev 2016, 00:28

Sim, a área é apropriada. E não se preocupe, tem muito pouco conteúdo que não é adequado para a Anomalia Zero. 

Gostei de texto, e da analogia usada. Lembrou-me o youtuber gringo DarkMatter2525, que já fez e continua fazendo muitas longas animações usando de analogias ou situações hipotéticas pra questionar ideias religiosas. Por vezes mergulhando profundamente na filosofia da coisa. Conhece-o?

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Re: Messianato?

Mensagem por Malkuth em Dom 28 Fev 2016, 01:10

"Seja feita a sua vontade
Siga o seu próprio caminho
Pra ser feliz de verdade"

Aí está a primeira lei de Thelema, "Do what thou wilt shall be the whole of the Law", do tio Crowley. Que aliás, se identifica na minha opinião com o teu texto, afinal, o próprio Aleister Crowley dizia para as pessoas não acreditarem no que ele dizia, e simplesmente partirem para o campo da experimentação e retirarem as suas próprias conclusões (desculpe, é quase impossível falar de Raul Seixas sem citar Crowley).

Raul Seixas na minha opinião foi isolado o melhor compositor brasileiro nesses últimos anos, há um grande conteúdo filosófico - que parte principalmente do orientalismo - e oculto - ele foi influenciado bastante pela O.T.O e pela Astrum Argentum - em suas letras, o tipo de coisa que a gente não vê mais hoje em dia. /:

Hm, deixa eu ver... irei esperar a próxima postagem pra tirar algumas conclusões sobre isso aqui. Aguardo.


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Re: Messianato?

Mensagem por Ignatiy em Ter 01 Mar 2016, 15:44

Parte II - O mundo (imperfeito) dos homens

Spoiler:

Longe de seguir a via natural, de baixo para cima, do inferior ao superior, e do relativamente simples ao mais
complicado; ao invés de admitir sabiamente, racionalmente, a transição progressiva e real do mundo
denominado inorgânico ao mundo orgânico, vegetal, animal, em seguida especialmente humano; da matéria ou
do ser químico à matéria ou ao ser vivo, e do ser vivo ao ser pensante, os idealistas, obsedados, cegos e
impulsionados pelo fantasma divino que herdaram da teologia, tomam a via absolutamente contrária. Eles vão
de cima para baixo, do superior ao inferior, do complicado ao simples. Eles começam por Deus, seja como
pessoa, seja como substância ou ideia divina, e o primeiro passo que dão é uma terrível queda das alturas
sublimes do eterno ideal na lama do mundo material: da perfeição absoluta na imperfeição absoluta; do
pensamento ao ser, ou ainda, do Ser Supremo ao Nada. Quando, como e por que o Ser divino, eterno, infinito, o
perfeito absoluto, provavelmente entediado de si mesmo, decidiu-se a esse salto mortal desesperado, eis o que
nenhum idealista, nem teólogo, nem metafísico, nem poeta, jamais soube compreender, nem explicar aos
profanos.
É evidente que esse terrível mistério é inexplicável, isto é, absurdo, e absurdo porque não se deixa explicar. É
evidente que alguém que dele necessite para sua felicidade, para sua vida, deve renunciar à sua razão e
retornar, caso seja possível, à fé ingênua, cega, estúpida; repetir com Tertuliano e com todos os crentes
sinceros estas palavras que resumem a própria quintessência da teologia: Credo quia absurdum [Creio porque é
absurdo] - Deus e Estado, Mikhail Bakunin

O narrador-personagem do livro de Dostoiévski, Memórias do Subsolo, engajou-se em certo momento em argumentar que o homem era essencialmente masoquista e ingrato no que tange a sua busca pelo conforto. Dizia ele que se algum dia a ciência encontrar um método matemático, uma teoria comportamental que levasse o homem à felicidade, esse prontamente trataria de burlá-la, enxotá-la, para que possa se vangloriar de seus caprichos. Ainda que a ciência somente catalogue a origem das vontades humanas e permita assim prever seu futuro com precisão, o ser humano há de contrariar sua própria vontade, como se fazê-lo fosse parte essencial de um fluxo natural das coisas: é inviável a ele lidar com uma felicidade restrita, tão pagã, tangível.

Spoiler:

Agora pergunto-lhes: o que se pode esperar do homem, sendo ele um ser dotado de
características tão estranhas? Pois bem, cubram-no de todos os bens que há na
Terra, mergulhem-no de cabeça na felicidade mais completa, de modo que
somente borbulhas subam à superfície; dêem-lhe tal bem-estar econômico, de
modo que não lhe reste nada mais a fazer, além de dormir, comer pães de mel e
tratar de garantir a continuação da história universal – pois os senhores verão que,
mesmo assim, ele, o homem, por pura ingratidão, por galhofa, há de fazer
besteira. Porá em risco até os pães de mel e desejará intencionalmente o absurdo
mais prejudicial, a coisa, do ponto de vista econômico, mais sem pé nem cabeça,
unicamente para adicionar a toda essa sensatez positiva seu elemento fantástico
prejudicial. Ele desejará conservar consigo precisamente seus sonhos fantásticos,
sua estupidez mais torpe, com a finalidade de afirmar para si mesmo (como se
isso fosse mesmo absolutamente imprescindível) que os homens continuam a ser
homens, e não teclas de piano, as quais, embora sejam tocadas pelas próprias
mãos das leis da natureza, estão ameaçadas de serem tocadas até chegar ao
ponto em que, além do calendário, não será possível desejar-se mais nada. - Memórias do Subsolo (ou Notas do Subsolo), Fiódor Dostoiévski

Usando as noções propostas por Sartre e Heidegger, essa proposta dostoieviskiana pode ser complementada. Segundo os pensadores existencialistas, o homem constrói sua existência por meio do Dasein - o ser para morte -, já que atribui sentido a sua vida ao projetar sua condição no futuro, em especial o fim da vitalidade. Ao se deparar com um cenário obscuro e muito complicado de compreender, o "absurdo gera mais absurdos". Por certos aspectos, podemos dizer que o comportamento descrito em Memórias do Subsolo é senão fruto da imaturidade.

Reforço essa posição citando a obra clássica - uma de minhas prediletas -, Cândido ou Otimismo, de Volteire. Nessa, vê se claramente o efeito que aprendi lendo Marcelo Gleiser: o homem tende a acreditar que o que é belo é verdadeiro. Deturpa-se a realidade com uma visão parcial em nome do que não passa de capricho! Volteire deixa isso nítido quando um personagem, inicialmente em uma vida muito boa, vai se prejudicando de forma exponencial e ainda assim mantém a noção de viver no "melhor dos mundos". O desfecho, o estado mais próximo da felicidade estável, só vem quando a personagem atinge a maturidade e desiste de seus caprichos e dessa ideia insustentável.

Mas então, o que seria essa maturidade que tanto cito? Repassando o ensinamento de Allan Watts:

"O sentido da vida é estar vivo. É tão claro, tão óbvio e tão simples. Mesmo assim, todo mundo não para de correr em pânico, como se fosse necessário conseguir alguma coisa além de si próprio."

Quem sabe se, quando a humanidade passar a refletir mais sobre isso, passaremos a não ser tão ingratos em relação a nós mesmos e aos outros.

Parte III - Considerações incipientes sobre a maturidade "espiritual"

OFF-topic:
Eu comecei esse texto discorrendo sobre a visão da personagem de Dostoiévski e estava prestes a apagar, pensando que não se encaixaria no que eu queria dizer, mas logo quando reabri o trabalho me dei conta do contrário, felizmente a tempo. Eu pensava em países que parecem ter felicidades estáveis, como os do norte da Europa, e por um momento me questionei sobre tal percepção, mas eis que lembro: eles são de certa forma maduros. O mesmo não se aplica aos EUA pela sua ambição desenfreada - também apoiada pela religião - que revela também ingratidão, especialmente para com os outros. Fiquei satisfeito com as conjecturas que consegui fazer aqui, espero que gostem.

Ah, agradeço os comentários de ambos! De fato, Basara, não conhecia formalmente o canal, apesar de crer já ter visto alguns vídeos. Ótima recomendação, aliás, realmente se assemelha a minha linha de pensamento a esse respeito.

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Re: Messianato?

Mensagem por Tarin em Qua 02 Mar 2016, 22:57

Pelo o que entendi, você quer dizer que o homem alcança o estado mais próximo à felicidade estável quando adquire essa maturidade de viver sem assumir uma razão/missão superior ou externa para sua existência?

Eu entendo seu ponto, mas se retirarmos qualquer valor superior à existência imediata do ser humano, qual motivação sobra para a vida? Se o sentido da vida é estar vivo, a ideia de viver me parece tão significativa quanto qualquer outra ação que tomamos para alcançar um objetivo. Qual o sentido de caminhar? Para estar caminhando. Mas pra que caminhar sem um destino a se chegar?

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Re: Messianato?

Mensagem por Basara em Qui 03 Mar 2016, 15:12

Eu devo dizer que, pelo estilo de escrita e escolha de palavras, eu tive dificuldades em entender esse ultimo texto. A impressão que tive é que fala sobre as pessoas tentarem procurar um sentido maior na vida, e que isso gera infelicidade. Mas não tenho certeza, esse estilo de escrita sempre me gera incerteza ao terminar de ler.

Dependendo do seu objetivo com o texto, isso é ou não um problema.
Se tu escreve isso por pura expressão ou capricho pessoal, sem nenhum objetivo envolvendo outras pessoas, isso não é um problema.
Se tu escreve isso para um publico-alvo específico que tenha referencias similares as suas (eu não li as obras de nenhum autor sequer dos que tu mencionou nesse tópico, obrigado por explicar as ideias deles, certas pessoas nem explicariam e esperariam que o leitor conhecesse), então também não é um problema. Conforme o nosso site cresce, com certeza surgirão mais pessoas que apreciem esse tipo de escrita e/ou tenham suas referencias.
Mas se tu espera transmitir uma mensagem a qualquer publico intelectual o suficiente para entender os conceitos envolvidos, então existe um problema. Tu acaba colocando uma barreira excepcional de interpretação de texto que eu, por exemplo, leitor desde criança, tenho dificuldades em entender e acabo não tendo certeza da ideia por trás do texto ao terminar de ler.

Anyway, como eu disse antes... Essa crítica é valida ou não dependendo de seu objetivo. Se tu considera que a critica é valida, não precisa abandonar o estilo, claro. Só recomendaria abranda-lo.

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Re: Messianato?

Mensagem por Ignatiy em Sex 04 Mar 2016, 21:20

Levi Gomes escreveu:Pelo o que entendi, você quer dizer que o homem alcança o estado mais próximo à felicidade estável quando adquire essa maturidade de viver sem assumir uma razão/missão superior ou externa para sua existência?

Eu entendo seu ponto, mas se retirarmos qualquer valor superior à existência imediata do ser humano, qual motivação sobra para a vida? Se o sentido da vida é estar vivo, a ideia de viver me parece tão significativa quanto qualquer outra ação que tomamos para alcançar um objetivo. Qual o sentido de caminhar? Para estar caminhando. Mas pra que caminhar sem um destino a se chegar?

Justo! Deixe-me analisar meu ponto, então:

"O sentido da vida é estar vivo. É tão claro, tão óbvio e tão simples. Mesmo assim, todo mundo não para de correr em pânico, como se fosse necessário conseguir alguma coisa além de si próprio."

Essa citação, é outro modo de escrever o que reivindiquei na parte I, "seja feita a vossa vontade, siga o seu próprio caminho, em busca da felicidade". Porque diferente de uma máquina, diferente de um instrumento ou servo, o ser humano é livre, e é mais harmônico pensar que o motivo de estarmos aqui é essencialmente "existir"; existir porque alguém/algo/nada/o acaso, enfim, um anônimo nos criou assim, não para servir a algum propósito, mas para que simplesmente perseguíssemos nossa felicidade. Então imagine que você tenha um filho. Agora se o seu filho te perguntar por que você o gerou, você provavelmente diria algo como "te gerei porque te amo, e quero que você seja feliz", esclarecendo que o alvo da sua ação de gerá-lo foi ele, não você, portanto um fim com finalidade em si mesmo. É claro, isso pode ser contra-argumentado ao ponderar que a existência do seu filho te deixa feliz, mas independente de finalidade, o dever do ser humano para com sua existência é ser o que ele é, ou seja, não precisamos perseguir a uma causa maior, porque qualquer que tenha sido o motivo dessa causa de nos criar, o que quer que façamos estaremos cumprindo o nosso propósito, porque nós somos a finalidade. Diferente de um carro, por exemplo, que quiçá deveria ser preocupar em se mover, o homem teria um objetivo mais semelhante ao de um animal no zoológico: ser ele mesmo.

Sim, eu entendo que a ideia de um criador remete a ideia de finalidade, mas posso tentar elucidar por que ainda assim creio na frase de Watts.  Mas antes deixe-me fazer uma crítica a sua ideia de significância. Eu geralmente associo a busca de um sentido maior à estética, porque parece insalubre a ideia de não termos próposito e estarmos aqui por qualquer razão vaga, mas se pararmos pra pensar, isso é a coisa mais explêndida de todas, porque nos permite sermos o "quadro branco" de nós mesmos. Pegando a ideia de caminhar, vamos inferir a possibilidade de ir aonde quiser, substituindo a de necessidade. É como a existência, você pode fazer o que quiser (de novo, "em busca da felicidade"). Agora aprimorando a metáfora, pense que você não pode parar de caminhar, lhe é incontrolável. A religião seria equivalente a te dizer "você não pode sair caminhando por onde quiser, o sentido/objetivo de você caminhar é unicamente rodear a caaba/cruzar o caminho de Santiago etc. porque essa é a ordem divina. ", talvez uma boa contra-proposta seria: se caminhar por onde quiser te faz feliz, caminhe por onde quiser, pois o sentido/objetivo de caminhar é estar caminhando - quem te deu esse dom, deu porque quer que você caminhe, porque sabe do quão valioso é caminhar -, ou seja, o objetivo (externo) tem fim  si mesmo, enquanto o objetivo (pessoal) é aproveitar ao máximo a caminhada.

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Re: Messianato?

Mensagem por Malkuth em Sab 05 Mar 2016, 01:48

"e é mais harmônico pensar que o motivo de estarmos aqui é essencialmente "existir"; existir porque alguém/algo/nada/o acaso"

"Eu geralmente associo a busca de um sentido maior à estética"

A ideia de que, tudo é obra do acaso é algo tão vazio quanto qualquer outro dogma imposto por qualquer outra religião/credo picareta por aí, cara, particularmente dizendo. Aliás, a liberdade do homem é também na minha opinião, uma simples falsa impressão - principalmente quando tu percebe do que se constitui o alicerce dos sistemas atuais, falsa democracia e tudo mais. Mas não pretendo me estender em relação a isso. Nem tampouco questionar o teu quase ceticismo.

Indico a leitura do Kybalion, foi um livro que abriu ainda mais o meu campo de visão em relação a umas outras coisas por aí.

Boa sorte.

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Re: Messianato?

Mensagem por Ignatiy em Dom 06 Mar 2016, 01:12

Primeiro, agradeço os comentários, galera! Isso é um brainstorm, portanto vossos contrapontos são bem úteis para que eu amadureça a ideia que aqui apresento.

Bom, Malkuth, é que essa noção do vazio proposta é teleológica. Não é resposta em si, mas a exclusão de respostas "distratoras". Eu uso muitas vezes o seguinte desafio: tente imaginar uma nova cor, diferente de qualquer uma disponível no paint. No máximo se consegue uma mistura disforme, mas não uma cor de fato. Com isso argumento que o ser humano é limitado na percepção da realidade. No entanto, não foi necessário compreender os quarks para que usássemos a luz elétrica, assim como a ausência da informação definitiva sobre a causa do big bang não impediu que a ciência tivesse tantos e tantos êxitos. Então deveríamos usar o que nos está mais concreto - no sentido de utilidade - para formarmos uma noção mais tangível de nosso sentido aqui.

Sobre a liberdade, achei justo! Inclusive concordo com sua posição, creio no poder da alienação e mesmo tenho raiva disso em certo sentido, mas apontei a liberdade como inerente a condição humana no sentido sartriano, onde "até a não escolha é uma escolha", como se, mesmo que o determinismo atue sobre nossa vontade, no fim ainda somos livres para tomar a escolha que quiser, só não queremos.

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Re: Messianato?

Mensagem por Malkuth em Dom 06 Mar 2016, 02:40

Entendo, tu usa esse "acaso" como modo de filtrar as informações, e possivelmente ignorar o que acredita ser ridículo ou como tu mesmo disse, distrativo, para com o tempo criar um quadro final. Ou possivelmente isso. Estou certo?

Já eu, se me permite dizer, penso que considerar a possibilidade de qualquer coisa é uma ideia simplesmente maravilhosa - é claro que falo de possibilidades, existem coisas que estão simplesmente erradas e não há discussão, por exemplo, Deus ou Deuses serem entidades físicas, quando na verdade são símbolos, "personificações" de qualidades humanas, arquétipos, veículos usados para mudanças de consciência e etc. O fato é que, o empirismo se limita ao físico e ao visível, e eu acho isso um desperdício de capacidades. Por exemplo, até um tempo atrás a ciência oficial dizia não existir a “aura” dos seres vivos citada pelos sensitivos, até que isso foi evidenciado por meios técnicos. O campo bioplasmático por sua vez, acabou sendo fotografado e foi preciso aceitar isso, mesmo que a ciência tenha contradito isso no passado e denominado de fantasiosas aquelas pessoas que afirmavam ver um halo em torno do corpo das pessoas. Foram captadas a pouco tempo ondas gravitacionais que sustentam ainda mais a teoria do tio Albert e muitas outras coisas. Entende o que eu quero dizer? Existem coisas que você simplesmente não pode reproduzir através de meios empíricos, não agora ou talvez nunca - não estou limitando a ciência, muito pelo contrário, o cientificismo é algo esplêndido e deve se enraizar ainda mais na escalada do ser humano, mas de forma saudável. O que eu percebo ultimamente é que há um certo fanatismo por ambas as partes religião/ciência, e acredito que isso não beneficia nenhum dos lados. Esse é o ouro dos alquimistas medievais, a ponte entre a tua fagulha divina, o teu self, com o mundo material e vice-versa.

Anyway, acho que me estendi bastante, foi mal. O que eu quero dizer é que, não é por que tu não vê, que não vai estar lá. O amor de uma mãe para com um filho não é algo palpável, tangível, é algo que simplesmente transcende o conhecimento limitado desses pequenininhos seres que habitam o pequeno planeta terra. É impossível descrever ou reproduzir, mas ridicularizá-lo ou simplesmente ignorá-lo não muda nada e no fim pode ser um grande erro.

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Re: Messianato?

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