Pesadelo

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Pesadelo

Mensagem por Tomate em Qua 17 Fev 2016, 04:19

Olá, leitor. Abaixo segue o número de capítulos, basta clicar e irá direto ao capítulo (obrigado, tecnologia!):

Capítulo 1
Capítulo 2
Capítulo 3

Boa leitura.

1- Pequena Garota


A noite era escura, ah era sim! Mas era apenas parte de seu véu que atravessava os postes da cidade que não conseguiam iluminar sua caminhada.

O Pesadelo caminhava vagarosamente por cada casa, cada casa um medo, uma angústia e uma tristeza. Se alimentava daquilo e como era delicioso. Se fosse palpável lamberia os dedos com tudo aquilo.

Não era difícil causar medo, apenas com um estalar de dedos - e um assopro - levava gritos e suor ao travesseiro. Gritos que pareciam ópera e suor que se assemelhavam a mais pura das águas.

Cruzou mais uma rua, e viu uma casa pequena, antiga e velha. Sentiu uma alma lá dentro, tão poderosa que adoraria devorar; dedos foram estralados e esperava escutar os gritos da pequena alma logo depois. Nada, nem um grito. Talvez um grilo, mas grito nada. Seus dedos a puro osso se encontraram novamente e nada.

"Mas que criaturinha impertinente!" duas palmadas secas se sucederam e agora dois grilos.

Pesadelo ficou curioso, aquilo nunca tinha acontecido e não o aborrecia, mas o deixava feliz por ter encontrado alguém tão poderoso! Alguém que pudesse dialogar tão sabiamente que, com certeza, cruzariam séculos.

Adentrou naquela casa de tijolos expostos e tão pequena que não achou que caberia. Apenas dois cômodos e foi direto ao quarto onde emanava aquela energia. Podia sentir aquela energia antes mesmo de entrar ao quarto. E lá estava ela, eminente, poderosa e...

Pequena. Minúscula. Mal conseguia enxerga-la dali. Seu irreverente véu se transformou em apenas uma pequena capa e o seu tamanho, que quase tomava aquele quarto todo, foi diminuído. Se sentia uma formiga, ou menor.

A criança se remexeu e acordou. Olhou para o Pesadelo como se fosse o tolo do Papai Noel, Coelhinho da Páscoa ou mais um daquelas criaturas insolentes. E um sorriso como se o seu nome fosse Esperança.

"Oi, moço." disse a menininha, esfregando os olhos e bocejando "Espero que não esteja procurando o papai, porque ele ta no trabaio"

"Hã... A senhorita não devia ter se levantado. Já estou de saída, volte aos seus sonhos"

Seus pés andaram pelo chão gelado do quarto, quando abriu a porta sentiu um puxão em suas costas. Achou que tinha se enroscado em algo. Que nada. Era apenas uma pirraçada. A pequena peste segurava sua capa com um de seus pés.

"Moço, eu não te mostrei o Caca. Vem ca ver"

Antes mesmo de recusar, ou dizer qualquer negação, a criança puxou a sua capa com força o suficiente para ter que ir até sua cama onde ficava um bicho de pelúcia pequeno e roxo. Tinha os dois olhos compostos por botoes de camisa.

"É apenas um brinquedo inútil, criatura. Me deixe ir."

"Não fale assim do Caca! Ele é muito especial e a mamãe disse que ele é mágico. Se a mamãe disse, ta dito, bobão!"

Aquela vozinha dava arrepios e o irritava profundamente. Antes dele retrucar qualquer coisa, a criança jogou a pelúcia em cima dele com delicadeza. Ficou em pé na cama, e os dentes brancos pularam entre sua pequena boca.

"Podemos brincar como a mamãe ensinou! Você e o Caca são piratas e eu sou a polícia do mar!"

"Não exis..." preferiu não retrucar contra aquela criaturinha insolente "Não brincarei de algo tão patético"

A criança parecia que não ligava, apenas pegou um pedaço de galho embaixo de sua cama e como se fosse o ursinho de pelúcia.

"Parado aí, piratas! Onde acham que vão? Isadora, a policial dos Sete Mares chegou!"

Achava todo aquele teatro patético, muito patético. Quando decidiu sair do quarto sentiu uma pontada dolorida nas suas costas. Não sentia dor a tanto tempo que não sabia como reagir, e então saiu um rugido alto e estrondoso como de um leão. Não sabia de onde vinha tanta ira mas quando se virou, lá estava a criança com o pedaço de pau com um sorriso desafiador.

"Onde pensa que vai, ladrão dos mares? Nosso duelo ainda não terminou!" ela deu duas estocadas no ar que foi obrigado a se esquivar

"Saia daqui, peste!" e então ele fez o graveto voar até a criança, que se esquivou com duas cambalhotas na cama e a idiotinha esfregou a testa como se tivesse soado. "Insolência contra mim!"

"Pare de falar bulhufas, pirata e venha para um duelo justo!"

E então, Pesadelo fez surgir entre seus dedos outro galho. Já que era duelo que aquela criança queria, seria duelo que ela teria. A atacou ferozmente, com dentes estalando de raiva para cada risada alta que aquela criança dava, se divertia como se o duelo fosse uma brincadeira (e não era?).

Seus dedos fizeram um movimento como se estivesse tirando um véu de uma mulher no altar e o quarto se transformou em um navio pirata em meio ao mar.

A noite era iluminada pelas tochas dos duelos dos piratas embaixo deles contra os almirantes da Costa. Caca se tornou em realmente um monstro roxo e grande que batalhava contra 5 homens.

"Uau! Agora sou uma policial dos mares  de verdade!" analisava sua própria vestimenta que tinha mudado e a sua espada que agora era de verdade e não de madeira fina "Agora ninguém pode me impedir de derrotar você, pirata rabugento!"

"Veremos, garota!"

Horas a fio se passaram. A criança ria a cada defesa e o temido Pesadelo era apenas um pirata destemido. Até que o golpe do pirata atingiu a menininha...

Tudo sumiu, as imagens sumiram e o graveto espetava a sua pequena barriga. A criança fazia uma carinha de espanto e medo.

"Mamãe nunca tinha ganhado de mim. Você é o máximo, Rabugento!"

"Me chamo..." viu que não adiantaria explicar para ela qual era seu verdadeiro nome

"Você poderia me ensinar os seus truques. Eu seria a melhor policial dos mares que vive em terra firme que existe!"

"Não peça a mim, não tenho tempo para isso. Sou uma criatura respeitada! Eu amendronto pessoas e não as ensino a batalhar!"

"Mas moço... Ce gosta de falar bulhufas hein?" disse bufando enquanto se sentava na cama

"Peça pra sua mãe ou seu pai, humana."

E então, pela primeira vez, não tinha riso ou sorriso. Apenas um silêncio profundo e preciso.

"Papai não tem tempo porque ele só trabaia, trabaia e trabaia. E a mamãe..." novamente aquele silêncio que dava medo até mesmo nele "O papai disse que a mamãe não pode mais ser pirata porque ela aprendeu a voar"

A criatura sentiu algo inexplicável vindo de dentro dele, algo...

"Não chora não, Rabugento. Você ganhou o duelo, devia estar feliz" e, mais uma vez, antes que ele tivesse reação a criança chegou perto de seu rosto seco e fino e enxugou as gotículas de água, que ele não sabia o que eram.

E o seu corpo tomou vida e envolveu a criança entre suas mãos ósseas e a apertou em seu peito. A criança retribuiu o abraço, com um sorriso no rosto assim como abraçava um travesseiro macio e não um véu negro.

"Rabugento, é melhor irmos dormir. Amanhã de manhã tem aqueles desenhos legais e não vou perder nenhum deles. Boa noite." pegou seu bichinho e se virou na cama.

Pesadelo estava saindo. Esperou alguma coisa pisar em sua capa ou espetar suas costas, nada aconteceu. Enquanto fechava a porta, escutou a voz fina e irritante.

"Rabugento! Rabugento! Podemos duelar amanha?"

Não deu resposta. Fechou a porta e voou para a longa noite. Não mais com sua irreverente capa ou longas pernas. Viajaria com seu enorme barco de madeira entre as nuvens.


Última edição por Tomate em Qua 24 Maio 2017, 21:00, editado 6 vez(es) (Razão : Mudanças gerais.)
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Re: Pesadelo

Mensagem por Lain em Qua 17 Fev 2016, 13:21

Certo. Isso foi interessante. Vou querer saber mais sobre Pesadelo, futuramente. 

Costumo sempre gostar de relações amigáveis entre um personagem inocente e um perverso. A relação entre Valeria Richards e o Doutor Destino era basicamente a unica coisa que eu gostava nas revistas do Quarteto Fantástico.

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Re: Pesadelo

Mensagem por Tarin em Qui 18 Fev 2016, 01:51

Eu achei bem bonitinho e gostei da interação da menina com o Pesadelo tambem, hehe. É um texto bem fantástico e tem um estilo interessante no contraste do jeito surreal de descrever as cenas com o diálogo casual entre as personagens.

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Re: Pesadelo

Mensagem por Zé Joelho em Seg 22 Fev 2016, 21:54

Tomate, cumpadi, gostei muito.

Pesadelo me lembra a ideia do "Bicho Papão" em "A Origem dos Guardiões", não só pelos poderes, mas também como vestimentas. Tem essa pegada que Basara comentou do Perverso e do Inocente que há em "Greench" e um pouco também de "As Terríveis Aventuras de Bily e Mandy" em menor escala.

Não sei do que consiste o projeto, mas adoraria ler mais sobre o personagem "Pesadelo" e outras metáforas do tipo como você brincou com "Esperança". A única ressalva que tenho é mínima: separar melhor pensamentos de falas.

Continue com o ótimo trabalho.

Beijo no Joelho
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Re: Pesadelo

Mensagem por Tomate em Seg 22 Fev 2016, 22:06

@Zé Joelho escreveu:Tomate, cumpadi, gostei muito.

Pesadelo me lembra a ideia do "Bicho Papão" em "A Origem dos Guardiões", não só pelos poderes, mas também como vestimentas. Tem essa pegada que Basara comentou do Perverso e do Inocente que há em "Greench" e um pouco também de "As Terríveis Aventuras de Bily e Mandy" em menor escala.

Não sei do que consiste o projeto, mas adoraria ler mais sobre o personagem "Pesadelo" e outras metáforas do tipo como você brincou com "Esperança". A única ressalva que tenho é mínima: separar melhor pensamentos de falas.

Continue com o ótimo trabalho.

Beijo no Joelho

Obrigado, amigo Joelho. A ideia original de Pesadelo veio realmente do personagem, mas os poderes talvez se distinguam um pouco. Ele é um ser bem mais poderoso que todos aqueles no filme, já que é alimentado por pesadelo (e consegue causa-los) e o personagem da animação precisava dos pesadelos. Aliás, é uma ótima animação.

Continuarei com o projeto sim, e em breve postarei mais sobre.
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Capítulo 2

Mensagem por Tomate em Ter 15 Mar 2016, 23:52

Sorrindo sempre


O chão era vivo e os seres pó.

A noite ainda não havia terminado e, pelo cantar dos demônios e anjos, ainda estava longe de terminar. Haviam muitas pessoas dormindo - algumas, naquele tempo difícil, não acordaram jamais - e Pesadelo ainda tinha muitas casas para visitar. O seu navio cruzava as nuvens com fluidez.

Cada casa que passava por cima, deixava ali gritos noturnos, suor e medo. Alguns gritos faziam ter medo de si mesmo, e também o deixavam mais forte. Nunca mais forte que aqueles que enfrentavam seus medos enquanto dormiam.

"Sobrevivência..." foi o que pensou enquanto mexia no cabo da sua espada de pirata. "Faço isso pela sobrevivência nesse mundo de mortos"

O barco travou uma vez. Pesadelo quase caiu. Aquela noite estava estranha, estava sentindo sensações humanas como enjoo e susto. Se afastou daqueles sentimentos com o seu urro que, provavelmente, teria acordado o jovem da casa abaixo se não estivesse sonhando com a sua adorável garota.

- Quem ousa interromper minha calma navegação? Apareça, alma insolente!

- Hey! Acalme-se pirata - um brilho angelical e puro apareceu. E desse brilho, uma pequena forma com asas e que tinha um bater de asas incompreensível até para ele. Sabia quem era...

- Sorriso... Sorriso.... Havia dito para você há 300 anos atrás que não interrompesse meus trabalhos. É tão tola ao achar que pode me desafiar ou apenas surda?

- Apenas vim ver este seu novo barco que me pareceu lindíssimo de longe. Parecia-me até que sorria de longe, dentro dessa tua al... Tua roupagem preta.

Estava, como sempre estivera, com um sorriso estridente. Aquele sorriso que puro em que detestava em qualquer ser, principalmente no dela. A vontade de poupa-la era menor do que a de extingui-la, como deveria ter feito séculos atrás.

- O seu chefe não vai sentir sua falta. Não haverá motivos para sorrir quando o pó assumir for mais alto que o mar. - Agora quem estava sorrindo era ele, e sua espada saia da bainha com um calor de sete infernos.

O sorriso saiu de sua face e a criança-anjo estava amedrontada, quase que um pavor e sofrimento. Não havia reparado antes, mas o rosto dela o lembrava da pequena pirata. Guardou a espada e se desfez do riso.

- Não teria sacado a espada se não tivesse sido insolente comigo. Insolência são para fracos, não para anjos. O que quer, Sorriso?

Estava ajoelhada, agora olhava para cima. Antes, aquele pavor entraria em sua boca como o doce mais saboroso em todas as terras; desta vez, o doce era amargo. A pequena criatura se levantou e se pôs a voar, desta vez mais sonolenta e cabisbaixa.

- Estou fraca. Meus poderes estão enfraquecendo e...

Tinha medo de olhar pra cima o pobre anjo. As lágrimas saiam de seu rosto, caiam e perfuravam as nuvens como se fossem uma pesada chuva. O gato que estava em seu telhado se assustou e correu. Não vira na televisão nenhuma notícia de chuva, apenas de calamidades, mas nenhuma chuva.

- E o que quer que eu faça a respeito? Caso desespero e medo, não revigoro poderes.

- Mas podíamos fazer menos pessoas ter pesadelos e colocar mais sonhos! Que maravilhoso seria, Pesadelo! Ótima ideia.

- Estupidez seria caso me tornasse fraco para revigora-la.

- Ajudais ao próximo e terás uma vaga em nosso paraíso, senhor...

E então, um riso estridente e revigorante saiu da criatura noturna. O gato ficou ainda mais assustado enquanto corria no telhado "e agora trovões?  Oh, apocalipse, chegue cedo, mas não em má hora.", pensou o pobre gato.

- Devo assumir que tem o potencial incrível para gargalhadas e piadas. Entrar no céu? Isso é patético. É fazer o caminho reverso.

- O caminho reverso é possível, senhor Pesadelo. Me ajude e tenho certeza que meu Senhor ajudará... 90% de certeza... Talvez 20... Bem, a Esperança vaga por aí mais forte que nunca, é o que dizem.

- Tomarei forma de um ser angelical, sendo que posso ser quase um Deus? Nao me zombe.

- Os seus poderes caberiam muito bem ao nosso exército, senhor.... Em tempos difíceis e a Dança das Asas se aproximando, depois de milênios e mais milênios, seria bem recompensado e tenho certeza disso.

Pesadelo analisou a pequena forma, novamente. Não mentia e passava confiança. O seu rostinho de menina o lembrava daquela criança que o fizera ser quase mortal. Sentiu ódio daquela criatura a sua frente. E se ela me fizer sentir o gosto da mortalidade novamente? A esmagarei como um inseto pisa no outro.

Mas viu que aquele anjo não tinha mais possibilidades. Recorrer a ajuda dele era a última possibilidade que ela tinha, e isso conseguia ver em seus olhos. Se recusasse seria pior que aparentava ou melhor que pensava? Não sabia... A pequena forma tentou chamar sua atenção e foi em vão. E então...

- Pesadelo será o sonho de muitas pessoas e criaturas. A profecia que nem os grandes fariam.

- Isso aí, pirata! Não existirá um ser que pod...

- E então... vamos ao nosso Pacto, doce anjo. - Aquele anjo era realmente bom, tinha feito outro sorriso brotar em seu rosto, mesmo que o par de asas tinha outro semblante de medo.


Última edição por Tomate em Qua 24 Maio 2017, 20:59, editado 4 vez(es)
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Re: Pesadelo

Mensagem por Lain em Qua 16 Mar 2016, 00:57

Faça o favor de continuar. Pesadelo é uma figura interessante. E Sorriso também chamou atenção.
Só vimos um pouco deles ate agora, claro. Espero que vejamos mais detalhes no futuro.



Cuidado com a escrita dramática, no entanto. As vezes tu parece deslizar ao tentar parecer dramático ou poético e fica meio esquisito ou confuso. 

Antes, aquele pavor entraria em sua boca como o doce mais saboroso em todas as terras; desta vez, o doce era amargo.


Tipo isso.


Além disso, frases como a que se segue também são estranhas se não forem explicadas no futuro.

Faço isso pela sobrevivência nesse mundo de mortos


No geral, essa tua mitologia me interessa. E gosto dos nomes simples que tu usa nos personagens.


Última edição por Basara em Qua 16 Mar 2016, 00:58, editado 1 vez(es) (Razão : adicionei a ultima linha.)

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Re: Pesadelo

Mensagem por Tomate em Qua 16 Mar 2016, 01:09

Basara escreveu:Faça o favor de continuar. Pesadelo é uma figura interessante. E Sorriso também chamou atenção.
Só vimos um pouco deles ate agora, claro. Espero que vejamos mais detalhes no futuro.

Cuidado com a escrita dramática, no entanto. As vezes tu parece deslizar ao tentar parecer dramático ou poético e fica meio esquisito ou confuso. 

No geral, essa tua mitologia me interessa. E gosto dos nomes simples que tu usa nos personagens.

Eu continuarei e explicarei também algumas pontas soltas. Ou apenas deixar mais pontas soltas, mas não terminarei a história até que tudo esteja solucionado.

E vou melhorar essa parte dramática... Mas obrigado ^~
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Capítulo 3

Mensagem por Tomate em Qua 24 Maio 2017, 20:15

Sorrindo no deserto


Será que o pesadelo das pessoas poderiam transformá-las em seus maiores sonhos? Ficava em dúvida nessa questão quando cada animal perdia seu sorriso para sempre.

Daquela vez, tinha sido um homem. Não olhou assustado para o ser encapuzado e nem com alegria para um anjo. Talvez nem tenha visto isso, mas sim o término de uma dor que aquela doença trazia. Tentou balbuciar alguns nomes, mas não conseguiu. Mas quando fechou os olhos e Pesadelo colocou sua mão cadavérica em seu rosto, um sorriso frágil apareceu. Não tinha sido a primeira vez que aquilo acontecia e não queria que parasse. Enquanto chorava com uma vida perdida se sentia mais forte com o sorriso da morte. Estava se tornando algo que não gostava…

Quando o ritual acabou sabia que em pouco instantes existiriam alguns anjos da morte e era o que eles não queriam. E das nuvens surgiu o barco. A cada noite o barco ficava maior e mais veloz. O barco entrou no chão, tudo ficou escuro e surgiram em outra noite escura e, dessa vez, sem a lua iluminando-os. Gostava de nuvens quando estava sol e quente, mas aquelas noites a fazia ficar mais sozinha do que nunca. E então o barco parou. Pesadelo saltou para uma casa e parece que o silêncio foi torturante para ela. Pensou em pular, mas assim que ouviu o choro da criança, desistiu.

Humanos eram tão gentis e não deveriam passar por coisas como aquele sinistro plantava em suas cabeças. Chegava a ser cruel e toda vez que Pesadelo passava por perto dela não deixava encostar ou chegar perto o suficiente.

– Ainda tem medo de mim, anjinho? – A voz surgiu atrás dela, saiu voando de susto. A risada foi tão alta quanto um trovão – Vejo que sim.

– Não é medo! Você me assustou.

Ele não sorriu, mas sentiu em seu coração que ele queria. Nunca sorria, talvez não tivesse cotação para isso.

Demônio! pensou.

Se não precisasse dele e não tivesse ordens para que fizesse se juntar a sua causa nunca teria se cruzado com alguém tão cruel. Seu número de pesadelos havia aumentado toda vez que tentava dormir. E sabia que ele fazia algo pois a criatura nunca dormia ou ao menos descansava.

O barco rasgava as nuvens. O cansaço a atingiu mas tinha medo de dormir com ele perto. E então deixou o barco guia-la para sabe-se lá para onde. Sabia que devia estar reforçando sua luta, mas estava colecionando alguns pesadelos. Estava se arrependendo cada vez mais de ter feito isso.

Que ordem idiota, pensou. Quem queria aquele espectro no seu exército? Por que tão cobiçado? Estava sentindo algo que quase nunca sentia: a raiva. E quando olhou para trás viu que ele a observava com algo que, novamente, parecia um sorriso, mas não chegava perto disso.

– O que está olhando!? Perdeu um sorrisinho aqui e quer me mostrar?

Estava com vontade de ataca-lo e, que a perdoassem, mata-lo. A ira subiu em todo seu pequeno corpo e quando percebeu estava indo para cima da figura noturna. Seu pequeno corpo atingiu o seu corpo e foi engolida por uma inacabável escuridão. Ouviu gritos, choros e pânico. Não conseguia ver nada, apenas ouvir. Tentava abrir os olhos, mas já estavam abertos. Agora gritava ainda mais de pânico e quando viu estava de joelhos atrás do enorme capuz chorando de pânico.

O véu negro não demonstrava nada. Nenhum tipo de reação. Estava parado como há um tempo atrás, como se nada tivesse acontecido. Sem mover o corpo, os seus olhos vermelhos apareceram embaixo do véu. Parecia que tinha se realocado sem precisar se mover. E, mesmo assim, parecia que estava prestes a sorrir de sua desgraça.

Não estava pronta para aquela afronta. Pulou do barco e queria ver o chão. A superfície traria a calma que sempre esteve com ela há tempos atrás e, talvez, poderia encontrar um sorriso a esperando para fortalece-la do jeito puro de sempre e não imoral como estivera fazendo. Voava tão rápido que as nuvens iam desaparecendo e quando a ira abaixou um pouco viu que estava perto de mais do chão.

O impacto não foi tão grande, o problema era o gosto. Salgado. Tossiu a quantidade de areia, parecia que tinha engolido todo o deserto. A boca ficou amargando mas entrou em segundo plano quando sentiu a dor. Olhou para trás e viu que uma de suas asas tinham quebrado. A ira que sentia antes voltou ainda mais forte.

Por que!? Minhas lindas asas… e os pensamentos transformaram-se em tristeza. Tristeza se tornou em lágrimas e desamparo.

Foi quando ouviu o relinchar de um cavalo. Talvez tivesse pessoas perto para que pedisse ajuda. Andou bastante para que pudesse chegar em um acampamento. Tinham três humanos e, para sua sorte, nenhum espectro ou anjo. Sua transformação foi demorada, mais do que as últimas vezes; as asas quebradas se transformaram em pernas doloridas humanas e seu rosto angelical e pequeno em algo cheio de rugas. Andou tanto que a noite podia ter terminado e suas pernas gritavam de dor. Demorou muito para que um dos aventureiros a vissem.

– Alô, meus queridos – disse com um sorriso no rosto – vocês poderiam ajudar essa pobre senhora que vos fala?

Um rapaz que tinha seu corpo todo coberto por roupagem para se encobrir do frio se levantou. Conseguia por seus olhos que estava marcado pela doença, mas ele ainda não os tinha visto.

“Espero que não saiba sobre isso logo agora, pois preciso de apenas um sorriso”, a cabeça pensava muito mais rápido que as pernas.

E então trouxe água para ela. Foi atencioso o suficiente, mas nenhum sorriso. Nem uma ameaçada. Não pareciam amigáveis. Apenas uma garrafa de água que foi jogada na areia e caiu a seus pés.

– Se é isso que quer, senhora, pode ir embora. – Disse um outro muito menos amigável – Não precisamos de mais uma boca para comer.
– Não, meus queridos, estou bem alimentada. É apenas esse deserto que me faz ficar cansada, sabem?

Desatou um sorriso que ninguém mais sabia dar em todo o mundo. Nenhum deles a acompanhou e, mais uma vez, se sentiu falha. Continuou sorrindo o suficiente para que ninguém percebesse que estava sendo falsa. Bebeu um pouco da água; a alguns séculos tinha percebido que o gosto da água humana era o mesmo gosto da água que bebiam Em Cima. Daquela vez, o sorriso não tinha sido falso, fazia um bom tempo que não bebia água e nem se lembrava mais a surpresa agradável que aquilo trazia para ela.

– A água é de muita valia, senhores. Que sejam iluminados.

Quando terminou a frase viu no olho dos três homens. Se antes o que queimava era a fogueira em perto de seus pés agora era os olhares. O prazer da água foi embora e se sentiu ameaçada.

Já chegamos a esse ponto? A perda da fé?

– Acho que a senhora quer ir embora, certo senhora?

– Não antes de conferir esses lindos cavalos. Assim que vê-los concordo em ir embora.

Se entreolharam com desconfiança. O homem com a doença consentiu relutantemente. Todos se levantaram para que conseguisse passar e ver os dois cavalos. Percebeu que um deles estava em sua fase final da vida, mas o outro era um lindo garanhão tão branco quanto a areia e sua crista era de um dourado. Encostou a mão no mais jovem e tentou fazê-lo sorrir, mas estava suprimida e cansada demais para isso. O cavalo nada mais fez que relinchar e mexer um pouco seu corpo.

– Calma, querido… calma…

– A senhora já viu o suficiente, hã?

Concordou com a cabeça. Se virou do cavalo e ouviu a voz, uma voz tão desesperada quanto precisava de um sorriso. Um pedido de socorro. Parecia ser de uma criança e vinha atrás dos cavalos, onde estava tão escuro que mesmo apertando os olhos não conseguia ver nem um relance. Só o sol poderia iluminar aquilo. Andou em direção a voz, mas foi logo interrompida por um pigarro atrás de si.

– Agora ouviu o suficiente.

Quando olhou para trás todos tinham armas sacadas. Se tivesse em outra forma, aquelas armas poderiam nem ser tão perigosas, mas na forma humana sentiu o pavor.

– Meus rapazes, para que tanta agressão? Sou apenas uma senhora que tentou conversar com cavalos, não sou tão doida a ponto de ser ameaçada com essas armas.

Não reagiram. Nem um piscar de olhos.

BANG.

Foi inundada pela escuridão e viu milhões de pessoas chorando e em terror. Sequer um sorriso. Aquilo era o pior dos seus pesadelos. E, no meio de tantos milhões de corpos e almas, viu as dos três que antes a ameaçavam com armas. Estavam chorando sangue e, viu em suas almas, não haviam motivos mais para chorar. Se aquela fosse sua morte, também era seu maior pesadelo. Estava aterrorizada. Tentava correr entre os corpos, mas todos estava ocupado demais chorando e não sorrindo.

Sorria, por favor, alguém sorria.

Caiu no meio de muitos. Continuavam chorando com desespero. Agora estava a chorar também. Se sentia sufocada e sabia que sua alma também morreria naquele purgatório maldito. Colocou a mão sobre o rosto e desatou a chorar. As suas costas estavam grudadas e seus olhos pareciam que sairiam do seu corpo.

Alguém sorriu. Conseguia sentir isso. E, logo depois, alguém falou perto de seu ouvido. Uma voz angelical e doce. Abriu os olhos e viu a fogueira em sua frente com três homens chorando que não conseguiam ver seus próprios atos.

– Senhora… senhora… a senhora me salvou. Obrigado.

A criança estava a abraçando mesmo com ela no chão. A energia era pura. Se sentiu tão revigorada quanto tinha armas apontadas para seu corpo. E então uma voz atrás dela a assustou. A voz que conhecia muito bem.

– Só se abandona o barco quando estiver afundando, pirata. Se não, você pode afogar – sentiu mais um sorriso, mas preferia não ter sentido.

A criança se assustou quando a forma nebulosa saiu do escuro. Olhou para o espectro com certo espanto e curiosidade. Apertou ainda mais a senhora quando se aproximava. Pensou ter escutado um barulho de susto até, mas não sabia se aquilo vinha da criança ou dela mesmo.  

– O que você fez com eles? – Perguntou se levantando.

– Eu? – A risada estrondou o deserto como um trovão – Eu não fiz nada. Apenas mostrei para eles como seus pesadelos são mais fortes que você.

O barco surgiu da escuridão. A criança olhou para o barco e sorriu da forma mais pura. Pesadelo olhou para a criança entrando no barco. Por um breve momento pensava que faria a criança sair do barco, mas entrou em seu encalço.
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Re: Pesadelo

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